O Irã teve a chance de respeitar o acordo, mas optou por não fazê-lo
Forças armadas dos EUA atacaram instalações iranianas de vigilância, comunicações e defesa aérea em resposta a drone iraniano que atingiu navio-tanque com bandeira do Panamá. Irã acusa Washington de não cumprir acordo provisório, particularmente por não manter cessar-fogo prometido no Líbano, onde Israel continua operações contra o Hezbollah.
- Navio-tanque com bandeira do Panamá atingido por drone iraniano no Estreito de Ormuz no sábado
- EUA atacaram instalações iranianas de vigilância, comunicações, defesa aérea e armazenamento de drones em resposta
- Acordo de paz provisório assinado há duas semanas; conflito anterior durou quatro meses
- Centenas de milhares de libaneses xiitas impossibilitados de retornar a casas em áreas ocupadas por Israel
- Preços do petróleo despencaram conforme centenas de navios começam a sair pelo estreito
EUA realizam novos ataques contra o Irã após navio-tanque ser atingido no Estreito de Ormuz, marcando a pior escalada desde acordo de paz assinado há duas semanas. Ambos os lados acusam-se mutuamente de violar o memorando de entendimento.
Duas semanas após assinar um acordo de paz, Estados Unidos e Irã estão novamente trocando ataques militares diretos. No sábado, um navio-tanque com bandeira do Panamá foi atingido por um drone iraniano no Estreito de Ormuz — a rota mais crítica do mundo para o transporte de energia. Horas depois, o Comando Central dos EUA respondeu com ataques aéreos contra instalações iranianas de vigilância, comunicações, defesa aérea, armazenamento de drones e lançamento de minas. É a pior escalada desde que os dois lados assinaram o memorando de entendimento para encerrar um conflito que já durava quatro meses.
Os americanos argumentam que o Irã violou o acordo ao atacar o transporte marítimo comercial. "O Irã teve a chance de respeitar o acordo de cessar-fogo, mas optou por não fazê-lo", declarou o Comando Central em comunicado oficial. Uma autoridade de defesa dos EUA confirmou posteriormente à Fox News que os ataques aos alvos iranianos haviam sido concluídos. Já o Irã afirma ter respondido no sábado atacando alvos ligados às forças americanas, e sua televisão estatal relatou explosões ouvidas em Sirik, no sul do país, sem fornecer detalhes adicionais.
O incidente no Estreito de Ormuz não ocorreu isoladamente. Na quinta-feira anterior, outro navio de carga havia sido atacado, desencadeando a atual espiral de tensão. A agência de segurança marítima britânica UKMTO informou que o navio-tanque atingido no sábado sofreu danos na ponte de comando, mas que toda a tripulação estava a salvo. O Centro Conjunto de Informações Marítimas, administrado por uma coalizão de marinhas que protege a navegação, elevou o nível de ameaça à segurança em decorrência dos incidentes recentes. A televisão estatal iraniana noticiou que a Guarda Revolucionária disparou "tiros de advertência" contra embarcações que tentavam passar por canais não autorizados, levando outros navios a buscar permissão iraniana antes de atravessar o estreito.
O Irã acusa Washington de violar o acordo provisório em múltiplas frentes. Mohsen Rezaei, conselheiro do líder supremo iraniano, afirmou que os americanos violaram o memorando ao apoiar o que chamou de forças por procuração na região e ao gerar tensões no Estreito de Ormuz. A acusação mais grave, porém, diz respeito ao Líbano. O Irã argumenta que os EUA não mantiveram o cessar-fogo prometido naquele país, onde Israel — aliado americano — invadiu em março para combater o Hezbollah, grupo militante apoiado pelo Irã. Israel e Líbano concordaram repetidamente com cessar-fogos mediados pelos EUA; o mais recente foi anunciado na sexta-feira. Mas tais acordos tiveram impacto limitado, com Israel insistindo que não se retirará do território ocupado e o Hezbollah rejeitando reiteradamente os apelos para depor as armas enquanto as tropas israelenses permanecerem no local.
O cenário no Líbano ilustra a fragilidade do acordo de paz. Naim Qassem, líder do Hezbollah, rejeitou o acordo entre Israel e Líbano — firmado há apenas um dia — classificando-o como uma rendição e declarando-o "nulo e sem efeito". Centenas de milhares de libaneses, em sua maioria muçulmanos xiitas, permanecem impossibilitados de retornar às suas casas em áreas ocupadas por Israel. A indignação com o acordo espalhou-se para além do Hezbollah, atingindo toda a comunidade xiita. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, elogiou o acordo, afirmando que ele permite a Israel manter a ocupação de uma chamada zona de segurança no Líbano e impede o retorno dos moradores deslocados.
O Irã também realizou ataques contra países vizinhos do Golfo que abrigam grandes bases militares dos EUA. A televisão estatal iraniana informou que a Guarda Revolucionária deu uma "resposta decisiva" após forças dos EUA atingirem uma torre de comunicações na cidade portuária de Sirik. A agência de notícias iraniana Mehr informou que o porto iraniano operava normalmente, sem relatos de danos às instalações ou equipamentos. O Bahrein, que abriga o quartel-general regional da Marinha dos EUA, relatou um ataque com drone iraniano e declarou que os ataques mais recentes do Irã violaram o memorando de entendimento.
Por trás da escalada militar está uma disputa fundamental pelo controle do Estreito de Ormuz. Washington tem promovido uma rota ao sul, ao longo da costa de Omã, enquanto Teerã — que, em última análise, pretende cobrar taxas pelo uso do estreito — quer que os navios utilizem uma rota ao norte, passando por suas águas e sob seu controle. Centenas de navios, incluindo petroleiros carregados de petróleo, permaneceram bloqueados no Golfo desde o início da guerra. À medida que começaram a sair pelo estreito nas últimas duas semanas, os preços do petróleo despencaram para níveis próximos aos anteriores à guerra, devido ao aumento da oferta resultante. A questão agora é se o acordo de paz conseguirá sobreviver a essa nova rodada de violações mútuas.
Citações Notáveis
O Irã teve a chance de respeitar o acordo de cessar-fogo, mas optou por não fazê-lo— Comando Central dos EUA
Classificou o acordo entre Israel e Líbano como uma rendição e o declarou nulo e sem efeito— Naim Qassem, líder do Hezbollah
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que um acordo assinado há apenas duas semanas já está se desintegrando?
Porque nunca foi realmente um acordo sobre paz — foi um acordo sobre cessar-fogo. Os dois lados concordaram em parar de atirar, mas não concordaram sobre o que vem depois. E quando você tem questões não resolvidas como o controle do Estreito de Ormuz e a ocupação do Líbano, o cessar-fogo é apenas um intervalo.
O Irã diz que os EUA violaram primeiro, apoiando Israel no Líbano. Os EUA dizem que o Irã violou primeiro, atacando navios. Quem começou?
Essa é a pergunta errada. Ambos os lados estão certos, porque ambos estão olhando para violações diferentes. O Irã vê a continuação da ocupação israelense como uma violação. Os EUA veem o ataque aos navios como uma violação. Não há um "primeiro" quando você tem duas narrativas completamente diferentes sobre o que o acordo significava.
E os libaneses? Centenas de milhares não podem voltar para casa.
Eles estão presos entre dois acordos que não funcionam. Israel diz que precisa da zona de segurança. O Hezbollah diz que não vai desistir enquanto Israel estiver lá. Os EUA tentam mediar. E os libaneses comuns simplesmente esperam em campos ou em casas de amigos, sem saber quando — ou se — poderão voltar.
O que o Irã realmente quer com o Estreito de Ormuz?
Controle. Não apenas militar, mas também financeiro. Se conseguir forçar os navios a passar por suas águas, pode cobrar taxas. É uma forma de recuperar poder econômico e político em uma região onde se sente cercado por bases militares americanas.
Os preços do petróleo caíram quando os navios começaram a sair. Isso não deveria estar acalmando as coisas?
Deveria, mas não está. Porque a queda nos preços do petróleo prejudica o Irã economicamente. Quanto mais navios saem, menos poder o Irã tem. Então ele está tentando reassertar controle exatamente quando está perdendo influência econômica.