115 mortos desde setembro, mas ninguém consegue verificar nada
Desde setembro de 2025, os Estados Unidos conduzem uma campanha militar no Pacífico Oriental que já ceifou ao menos 115 vidas, sob a justificativa de combater o narcotráfico em águas internacionais. Os dois ataques mais recentes, ordenados pelo secretário Pete Hegseth nos últimos dias de dezembro, destruíram cinco embarcações e mataram oito pessoas — sem qualquer verificação independente sobre a identidade das vítimas. A ausência de transparência e de processos legais formais coloca em tensão os limites entre a segurança nacional e o direito internacional, enquanto o mundo observa uma potência militar agir como juiz, júri e executor nos mares.
- A campanha militar norte-americana no Pacífico acumula 115 mortos em menos de quatro meses, com dois novos ataques nos últimos dias de dezembro elevando o saldo de vítimas.
- Nenhuma verificação independente confirma que os alvos eram de fato narcotraficantes — o governo dos EUA é a única fonte das informações divulgadas.
- Especialistas em direito internacional e parlamentares alertam que as operações podem configurar execuções extrajudiciais e crimes de guerra sob o direito internacional.
- Com 15 mil soldados e 12 navios de guerra no Caribe, e um bloqueio parcial a petroleiros venezuelanos, os EUA ampliam sua presença militar na região em meio a crescente tensão geopolítica.
- O Comando Sul acionou a Guarda Costeira para buscas após o ataque de 30 de dezembro, mas nenhuma atualização sobre sobreviventes foi tornada pública — o silêncio oficial aprofunda as dúvidas.
O Comando Sul dos Estados Unidos anunciou dois novos ataques a embarcações em águas internacionais no final de dezembro. No dia 30, três pessoas morreram após disparos contra três barcos no Pacífico Oriental; no dia 31, uma segunda operação contra duas embarcações resultou em mais cinco mortos, em local não divulgado. Ambas as ações foram ordenadas pelo secretário de Guerra Pete Hegseth.
A campanha teve início em 2 de setembro e já acumula pelo menos 115 mortos. O governo norte-americano afirma que os alvos são narcotraficantes, mas nenhuma fonte independente pôde confirmar essa versão. No ataque de 30 de dezembro, sobreviventes saltaram ao mar antes que as embarcações fossem afundadas; a Guarda Costeira foi acionada para buscas, mas nenhuma atualização sobre possíveis resgates foi divulgada.
As operações enfrentam críticas crescentes de juristas e parlamentares, que apontam a falta de transparência, a ausência de processos legais e o risco de que as ações configurem execuções extrajudiciais ou crimes de guerra. O cenário se insere em um contexto mais amplo de pressão militar norte-americana na região: mais de 15 mil soldados e 12 navios de guerra estão concentrados no Caribe, e um bloqueio parcial a petroleiros venezuelanos levou Caracas a ordenar escolta naval às suas embarcações — sinalizando que a tensão geopolítica na região está longe de arrefecer.
O Comando Sul dos Estados Unidos divulgou, através de suas redes sociais, a realização de dois novos ataques contra embarcações em águas internacionais. Na terça-feira, 30 de dezembro, operações no Pacífico Oriental resultaram na morte de três pessoas após disparos contra três barcos. Um dia depois, na quarta-feira, 31 de dezembro, uma segunda operação contra duas embarcações deixou cinco mortos. A localização precisa desta última ação não foi tornada pública.
Os números crescem em uma campanha que começou em 2 de setembro. Desde então, pelo menos 115 pessoas foram mortas em operações similares conduzidas pelos militares norte-americanos. O governo dos EUA sustenta que esses ataques visam narcotraficantes que operam na região, embora nenhuma verificação independente das informações tenha sido possível até o momento. O secretário de Guerra, Pete Hegseth, ordenou ambas as operações de 30 e 31 de dezembro, conforme comunicado oficial.
No ataque de 30 de dezembro, a sequência dos eventos seguiu um padrão descrito pelo próprio comando militar. Três indivíduos foram mortos no primeiro disparo contra a primeira embarcação. Os demais ocupantes das outras duas embarcações abandonaram os navios, saltando na água e se afastando antes que disparos subsequentes afundassem as duas naves. O Comando Sul informou que acionou imediatamente a Guarda Costeira para ativar operações de busca e resgate, mas nenhuma atualização oficial sobre possíveis salvamentos foi divulgada.
Essas operações militares enfrentam crescente escrutínio de especialistas em direito internacional e parlamentares. Os críticos argumentam que as ações constituem execuções extrajudiciais e podem configurar crimes de guerra sob a lei internacional. A falta de transparência sobre os alvos, a impossibilidade de verificação independente das informações fornecidas pelos militares e a ausência de processos legais formais alimentam as preocupações sobre a legalidade das operações.
O contexto regional revela a escala do envolvimento militar norte-americano. Os EUA concentraram mais de 15 mil soldados e 12 navios de guerra no Mar do Caribe. Recentemente, o país anunciou um bloqueio parcial de petroleiros que navegam de e para a Venezuela, uma medida que levou o governo de Nicolás Maduro a ordenar que sua marinha escoltasse os navios que saem de seus portos. As operações contra embarcações no Pacífico Oriental e no Caribe ocorrem neste contexto de tensão geopolítica e pressão econômica sobre a região.
Citas Notables
Três narcoterroristas a bordo da primeira embarcação foram mortos no primeiro disparo. Os narcoterroristas restantes abandonaram as outras duas embarcações pulando no mar e se distanciando antes que os disparos seguintes afundassem suas respectivas embarcações.— Comando Sul dos EUA
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o governo dos EUA divulga esses ataques publicamente, em vez de manter sigilo?
Porque quer demonstrar ação contra o narcotráfico. Mas a publicidade também expõe as operações ao escrutínio internacional, o que é exatamente o problema.
E quanto aos sobreviventes? O que acontece com quem pula na água?
Oficialmente, acionam busca e resgate. Na prática, não há confirmação de quem foi resgatado ou o que aconteceu com eles depois.
Como é possível que ninguém consiga verificar essas informações de forma independente?
Porque tudo acontece em águas internacionais, longe de testemunhas civis. Só o governo dos EUA vê o que acontece.
Então 115 mortos em quatro meses — é muito ou pouco para uma campanha militar?
É suficiente para ser chamado de campanha. Mas sem saber quem realmente estava nesses barcos, é impossível avaliar se foi legítimo.
E a Venezuela, por que está envolvida nisso?
Porque os EUA bloquearam petroleiros. Maduro respondeu protegendo seus navios. É uma disputa de poder que afeta quem está no meio do caminho.