A África agora é o centro da arquitetura operacional do grupo
No nordeste da Nigéria, onde um conflito de dezessete anos já deslocou dois milhões de pessoas, EUA e Nigéria intensificaram sua parceria militar com ataques aéreos que eliminaram mais de vinte combatentes do ISWAP — e, um dia antes, o segundo em comando global do Estado Islâmico. A morte de Abu-Bilal al-Minuki não é apenas uma vitória tática: ela revela a reconfiguração de um grupo que, expulso do Oriente Médio, encontrou no continente africano o novo centro de sua arquitetura operacional, respondendo hoje por 86% da atividade global do Estado Islâmico.
- O Estado Islâmico perdeu seu segundo homem mais poderoso no mundo — Abu-Bilal al-Minuki, arquiteto das operações globais e dos fluxos financeiros do grupo, morto em operação conjunta entre EUA e Nigéria.
- Em menos de 48 horas, uma segunda rodada de ataques aéreos na região de Metele eliminou mais de vinte combatentes do ISWAP, sinalizando uma campanha coordenada e acelerada, não um golpe isolado.
- Com 86% de toda a atividade global do Estado Islâmico concentrada na África nos primeiros meses de 2026, o continente tornou-se o novo front central de um grupo que se reinventou após suas derrotas no Oriente Médio.
- A cooperação entre Washington e Abuja ganhou novo peso simbólico: Trump, que antes criticava a Nigéria em questões de segurança, agradeceu publicamente ao governo Tinubu pela parceria nas operações.
- O estado de Borno, epicentro dos ataques, carrega o peso de dezessete anos de conflito — milhares de mortos e dois milhões de deslocados que aguardam saber se esta ofensiva representa uma virada real ou apenas mais um capítulo da guerra.
Na segunda-feira, o Comando Africano dos EUA e as Forças Armadas da Nigéria anunciaram ataques aéreos conjuntos contra posições do ISWAP na região de Metele, estado de Borno. Os bombardeios, realizados no domingo anterior com base em informações de inteligência sobre concentração de combatentes, resultaram na morte de mais de vinte integrantes do grupo. Nenhum militar americano ou nigeriano foi ferido.
Um dia antes dessa operação, uma missão ainda mais consequente havia sido concluída: a morte de Abu-Bilal al-Minuki, descrito pelos governos americano e nigeriano como o segundo em comando global do Estado Islâmico. Al-Minuki era um líder nigeriano que chefiava o Escritório Al Furqan do grupo, responsável pela coordenação de assuntos internacionais e pelo gerenciamento de financiamento. Colin Smith, coordenador da equipe da ONU que monitora o Estado Islâmico, classificou a morte como um golpe severo — uma posição difícil de substituir.
A relevância estratégica dessas operações vai além das baixas imediatas. Após reveses devastadores no Oriente Médio, o Estado Islâmico reorientou suas operações para a África, que hoje concentra 86% de toda a atividade global do grupo, segundo dados da organização de monitoramento ACLED. O ISWAP mantém sua base principal no nordeste nigeriano, mas células operam também no Sahel, na Somália, em Moçambique e no Congo.
O estado de Borno, palco dessas operações, vive há dezessete anos sob o peso do conflito iniciado pelo Boko Haram e continuado por seu braço dissidente, o ISWAP. O custo humano acumulado é imenso: milhares de mortos e aproximadamente dois milhões de pessoas deslocadas. As forças nigerianas descrevem as operações recentes como parte de um esforço contínuo para desmantelar redes insurgentes e negar ao grupo bases seguras — enquanto o mundo observa se a África se tornará o front definitivo de um Estado Islâmico em transformação.
Na segunda-feira, o Comando Africano dos Estados Unidos e as Forças Armadas da Nigéria anunciaram uma nova rodada de ataques aéreos contra posições do Estado Islâmico no nordeste nigeriano. Os bombardeios ocorreram no domingo anterior na região de Metele, no estado de Borno, em resposta a informações de inteligência que indicavam concentração de combatentes no local. Segundo comunicado das Forças Armadas nigerianas, mais de vinte integrantes do ISWAP — a designação do Estado Islâmico da Província da África Ocidental — foram mortos na operação. Nenhum militar americano ou nigeriano sofreu ferimentos.
Esta operação conjunta representa uma intensificação dos esforços de combate na região do Lago Chade, que se estende por quatro países e se tornou um ponto focal da presença militar americana no continente africano. Os ataques de domingo vieram um dia após uma missão ainda mais significativa: uma operação combinada que incluiu bombardeios aéreos e operações terrestres e resultou na morte de Abu-Bilal al-Minuki. Os governos americano e nigeriano descreveram al-Minuki como o segundo em comando do Estado Islâmico em nível global, um líder nigeriano que dirigia o Escritório Al Furqan do grupo, responsável pela gestão de assuntos internacionais e coordenação de financiamento.
A morte de al-Minuki representa mais do que uma vitória tática. Ela marca um ponto de inflexão na estratégia de um grupo que, após sofrer derrotas devastadoras no Oriente Médio, reorientou completamente suas operações para o continente africano. Dados da organização de monitoramento de crises ACLED mostram que a África respondeu por 86% de toda atividade global do Estado Islâmico nos primeiros três meses de 2026. O ISWAP mantém sua base principal no nordeste nigeriano, mas outras células operam na região do Sahel, na Somália, em Moçambique e no Congo.
Colin Smith, coordenador da equipe das Nações Unidas que monitora a Al-Qaeda e o Estado Islâmico, descreveu a morte de al-Minuki como um golpe severo aos planos do grupo. A posição que al-Minuki ocupava — gerenciando operações globais e fluxos financeiros — não será fácil de substituir, segundo analistas. O presidente americano Donald Trump e o presidente nigeriano Bola Ahmed Tinubu ambos celebraram a morte do comandante como uma derrota significativa para o terrorismo. Trump, que havia criticado a Nigéria por questões de segurança anteriormente, aproveitou a ocasião para agradecer ao governo pela cooperação nas operações.
O estado de Borno, onde estes ataques ocorrem, está imerso em um conflito que dura dezessete anos. O Boko Haram e seu braço dissidente, o ISWAP, transformaram a região em zona de guerra. O custo humano é imenso: milhares de mortos e aproximadamente dois milhões de pessoas deslocadas de suas casas. As operações militares mais recentes, segundo as Forças Armadas nigerianas, fazem parte de um esforço contínuo para desmantelar as redes insurgentes, remover combatentes do campo de batalha e negar-lhes bases seguras. O que começou como uma retirada estratégica do Oriente Médio transformou-se em uma reconfiguração global do Estado Islâmico, com o continente africano agora no centro de sua arquitetura operacional.
Citações Notáveis
Este é um duro golpe para o Eiil e para seu plano de mudar o foco para a África. Eles terão dificuldades para substituí-lo— Colin Smith, coordenador da equipe das Nações Unidas que monitora a Al-Qaeda e o Estado Islâmico
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que a morte de um comandante em particular importa tanto neste momento?
Al-Minuki não era apenas um general de campo. Ele gerenciava o escritório que coordena operações globais do grupo e controla o fluxo de dinheiro entre células. Perder alguém nessa posição cria um vácuo que não se preenche rapidamente.
A África representa 86% da atividade do Estado Islâmico agora. Como chegamos a esse ponto?
O grupo sofreu derrotas catastróficas no Iraque e na Síria. Perdeu território, perdeu receita, perdeu capacidade de projetar poder. A África oferecia espaço — governos fracos, fronteiras porosas, populações vulneráveis. Eles simplesmente mudaram de endereço.
Dois milhões de pessoas deslocadas em Borno. Isso é um número que não cabe na cabeça.
É o custo invisível de um conflito que começou antes de muitas pessoas nascerem. Dezessete anos. Gerações crescendo em campos de refugiados, sem escola, sem perspectiva. Os ataques aéreos ganham manchetes. Os deslocados não.
Trump agradeceu a Nigéria pela cooperação. Isso significa que os EUA estão se comprometendo mais na África?
Os EUA já estavam lá. O que mudou é que agora o Estado Islâmico está lá também, em escala. Quando o inimigo muda de continente, você segue. É tática, não ideologia.
Qual é o próximo passo realista?
Encontrar quem vai substituir al-Minuki. Porque ele será substituído. Você mata um comandante, o grupo nomeia outro. O que importa é quanto tempo leva e quanto isso desorganiza as operações. Mas a guerra em Borno não termina com um bombardeio.