EUA devem deixar passar prazo de julho para renovar USMCA com México e Canadá

Deixar passar o prazo mantém Canadá e México em incerteza permanente
A estratégia de Trump de não renovar formalmente o USMCA cria um cenário de negociações indefinidas que lhe dá poder de pressão contínua.

O maior bloco comercial das Américas chega ao seu prazo de renovação sem que nenhum dos três países tenha chegado a um acordo, revelando como a incerteza pode ser, ela própria, uma ferramenta de poder. A administração Trump escolhe deliberadamente não renovar o USMCA de forma automática, preferindo manter o tratado em estado de revisão perpétua para extrair concessões de Canadá e México sem precisar reabrir formalmente o texto que ele mesmo renomeou. Quase dois trilhões de dólares em comércio anual ficam suspensos nesse limbo calculado, enquanto os três países navegam entre acordos paralelos, tarifas punitivas e a sombra de uma retirada total.

  • O prazo de 1º de julho passa sem renovação, e o que deveria ser uma formalidade torna-se o início de um período indefinido de negociações fragmentadas.
  • Canadá e México já sentem o peso das tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, com o México acumulando 19 meses consecutivos de queda no investimento total.
  • Washington exige que veículos tenham ao menos 50% de conteúdo americano para escapar de tarifas — condição que Trump não conseguiu impor em seu primeiro mandato e agora retoma com mais pressão.
  • O Canadá se prepara para negociações que podem durar até 2029, enquanto seu governo faz concessões simbólicas — como abandonar exigências sobre plataformas de streaming — para suavizar o clima diplomático.
  • Trump mantém aberta a ameaça de retirada total do acordo, usando a possibilidade como alavanca para arrancar concessões sem jamais precisar concretizá-la.

O prazo de 1º de julho chegará sem que Estados Unidos, México e Canadá consigam renovar o USMCA, o tratado que movimenta quase dois trilhões de dólares por ano em comércio entre os três países. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, esse resultado já é considerado o mais provável — e, ao que tudo indica, é exatamente o que a administração Trump deseja.

Sem uma renovação formal, o acordo permanece em vigor até pelo menos 2036, mas passa a ser submetido a revisões anuais, criando um estado permanente de incerteza. O representante comercial americano Jamieson Greer deixou claro que não haverá renovação automática. Em vez disso, Washington conduz negociações bilaterais separadas com cada parceiro, buscando acordos paralelos que resolvam atritos específicos sem reabrir o texto principal do tratado.

Um dos objetivos centrais de Trump é aumentar o conteúdo americano na indústria automotiva. A Casa Branca defende que veículos novos precisem ter ao menos 50% de componentes produzidos nos EUA para se qualificarem à isenção tarifária — exigência que Trump já havia tentado, sem sucesso, durante seu primeiro mandato.

Canadá e México, os dois maiores parceiros comerciais dos EUA, já sofrem com tarifas sobre automóveis, aço e alumínio. O governo canadense, liderado por Mark Carney, adota postura conciliadora: abandonou planos de exigir investimentos de plataformas de streaming em conteúdo local e defende publicamente uma cooperação mais estreita com Washington na exploração de minerais críticos. O ministro Dominic LeBlanc, após reunião com Greer, pediu cautela para não transformar o dia 1º de julho em um 'precipício que, na prática, não existe' — mas reconhece que turbulências estão por vir.

O México, por sua vez, atravessa 19 meses consecutivos de queda no investimento total e insiste, pela voz do ministro Marcelo Ebrard, que o USMCA deve ser preservado como um pacto trilateral. As negociações com Brasília se concentram sobretudo no setor automotivo.

A grande incógnita permanece: Trump aceitará renovar o tratado em algum momento, ou preferirá mantê-lo indefinidamente sob revisão, dificultando o planejamento de investimentos nos países menores? A ameaça de retirada total — que ele já cogitou em conversas privadas — segue como carta na manga, usada para pressionar sem necessariamente ser jogada.

O prazo de 1º de julho está chegando, e os três países que formam o maior bloco comercial da América do Norte não vão conseguir renovar seu acordo a tempo. Estados Unidos, México e Canadá deixarão passar a data limite para estender o USMCA por mais 16 anos, abrindo caminho para meses ou até anos de negociações fragmentadas sobre tarifas e regras comerciais, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.

O tratado, rebatizado por Donald Trump durante seu primeiro mandato — era conhecido como Nafta — movimenta quase dois trilhões de dólares por ano em comércio bilateral entre os três países. Se nenhum deles concordar em renovar formalmente, o acordo permanecerá em vigor até pelo menos 2036, mas passará a ser submetido a revisões anuais sucessivas, criando um cenário de incerteza prolongada. Autoridades próximas ao processo afirmam que esse é agora o resultado mais provável, e que a administração Trump está usando essa estratégia deliberadamente para desencadear novas negociações sem precisar reabrir formalmente o texto do tratado.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, já deixou claro que Washington não fará uma simples renovação automática. Em vez disso, os Estados Unidos iniciaram negociações bilaterais separadas com Canadá e México para tratar de atritos comerciais específicos. Acordos paralelos poderão ser firmados para resolver esses impasses sem alterar o documento principal. Um dos objetivos centrais de Trump é trazer mais empregos da indústria automobilística para os Estados Unidos, e ele vê as tarifas e as regras comerciais como instrumentos para alcançar essa meta. A Casa Branca defende uma nova exigência segundo a qual veículos novos precisariam ter pelo menos 50% de conteúdo produzido nos EUA para se qualificarem à isenção tarifária — uma condição que Trump tentou, sem sucesso, incluir na renegociação durante seu primeiro mandato.

Canadá e México, maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos e principais compradores de produtos americanos, já foram atingidos por novas tarifas sobre itens como automóveis, aço e alumínio, o que tensionou as relações e estimulou boicotes. O governo canadense, sob o primeiro-ministro Mark Carney, se prepara para um cenário em que as negociações tarifárias se arrastem por anos, possivelmente até o fim do mandato de Trump em 2029. Carney adotou uma postura mais conciliadora após irritar Trump ao discursar em Davos, defendendo agora publicamente uma cooperação mais estreita com os EUA na exploração de minerais críticos como potássio e urânio. O governo canadense também abandonou um plano que obrigaria grandes plataformas de streaming a investir 15% de sua receita anual em conteúdo local — decisão elogiada pelo embaixador americano em Ottawa.

Dominic LeBlanc, ministro canadense responsável pelo comércio com os EUA, reuniu-se nesta semana com Greer em Washington e sugeriu que o dia 1º de julho não deve ser visto como uma data decisiva. "Precisamos ter cuidado para não criar um precipício que, na prática, não existe", afirmou. Ainda assim, autoridades canadenses se preparam para "turbulências" pela frente, alertando que Trump poderia continuar adotando a estratégia usada desde janeiro de 2025: impor novas tarifas, criticar governos nas redes sociais, ou até ameaçar retirar os Estados Unidos do acordo para aumentar a pressão e arrancar concessões.

As negociações com o México têm se concentrado fortemente no setor automotivo. A segunda maior economia da América Latina acumula agora 19 meses consecutivos de queda no investimento total, sofrendo com a incerteza relacionada às tarifas. O governo mexicano remeteu a uma carta do ministro da Economia, Marcelo Ebrard, na qual ele afirma que a prioridade para o USMCA deve ser a preservação do acordo como um pacto trilateral.

Permaneça em aberto a questão de saber se Trump aceitará renovar o tratado em algum momento ou se sua administração optará por mantê-lo permanentemente sob revisão, o que dificultaria a atração de investimentos para seus parceiros menores. Trump pode, a qualquer momento, notificar com seis meses de antecedência sua intenção de abandonar totalmente o acordo — possibilidade que ele já cogitou em conversas privadas. Por enquanto, as negociações parecem caminhar para acordos paralelos com cada país, em linha com o modelo que Trump vem adotando com outras nações: oferecer alívio tarifário em troca de concessões específicas.

Precisamos ter cuidado para não criar um precipício que, na prática, não existe
— Dominic LeBlanc, ministro canadense de comércio
Em 1º de julho, não acredito que vamos simplesmente renovar o acordo, mas entraremos em negociações separadas
— Jamieson Greer, representante comercial dos EUA
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Inventor

Por que Trump não quer simplesmente renovar o acordo como está?

Model

Porque ele vê o USMCA como um instrumento de negociação, não como um pacto finalizado. Deixar passar o prazo mantém Canadá e México em estado de incerteza permanente, o que lhe dá poder para extrair concessões — como aquela exigência de 50% de conteúdo americano em veículos que ele não conseguiu na primeira vez.

Inventor

E se ele simplesmente sair do acordo?

Model

Tecnicamente pode fazer isso com seis meses de aviso prévio. Mas provavelmente não vai. O que ele quer é manter a ameaça viva enquanto pressiona por mudanças. É mais útil como arma do que como ação.

Inventor

Como Canadá e México estão reagindo?

Model

Com uma mistura de pragmatismo e nervosismo. Carney está sendo conciliador — até abandonou uma política sobre streaming para agradar Trump. Mas ambos os países sabem que podem estar negociando isso até 2029, com Trump usando tarifas e redes sociais como ferramentas de pressão o tempo todo.

Inventor

Qual é o risco real para a economia?

Model

A incerteza é o risco. Investidores não gostam de não saber as regras do jogo. O México já tem 19 meses de queda no investimento. Se Trump mantiver o acordo em revisão permanente, fica muito mais difícil atrair capital para esses países.

Inventor

Então por que não simplesmente concordam com o que ele quer?

Model

Porque uma vez que cedem, ele pode voltar e pedir mais. E porque algumas das coisas que ele quer — como aquele 50% de conteúdo americano — são economicamente difíceis de cumprir. É um jogo de xadrez onde ninguém quer ser o primeiro a piscar.

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