EUA alertaram Irã sobre risco de Israel assassinar mediadores nas negociações

Potencial risco à vida de dois principais negociadores iranianos em contexto de conflito regional.
Não quero que eles sejam mortos. Eles já eliminaram todo mundo.
Trump explicando em março por que se recusava a nomear publicamente os negociadores iranianos.

Em um momento em que a diplomacia entre Washington e Teerã caminha sobre terreno instável, autoridades americanas optaram por transmitir ao Irã, por meio de intermediários, um aviso incomum: a vida dos dois principais negociadores iranianos poderia estar em risco de eliminação por Israel. Mohammad Bagher Ghalibaf e Abbas Araghchi, figuras centrais nas conversas em andamento, tornaram-se símbolos de uma tensão mais profunda — aquela entre a lógica da guerra e a possibilidade ainda aberta do diálogo. O gesto americano revela não apenas preocupação com vidas humanas, mas também o reconhecimento de que a morte de um mediador pode ser, em si, um ato de guerra contra a paz.

  • Autoridades americanas alertaram o Irã, via intermediários, sobre o risco de Israel assassinar os dois principais negociadores iranianos — Ghalibaf e Araghchi — em meio a negociações nucleares já fragilizadas.
  • Não havia evidência de plano imediato, mas o histórico recente de Israel — que eliminou dezenas de figuras políticas e religiosas iranianas no início da guerra — tornava o temor concreto e urgente.
  • A tensão entre Trump e Netanyahu atingiu um ponto crítico: enquanto o presidente americano prioriza uma saída diplomática, o primeiro-ministro israelense permanece comprometido com a estratégia de pressão militar máxima.
  • O gabinete de Netanyahu negou categoricamente as acusações, classificando a reportagem original do New York Times como 'fake news' e 'fabricação completa da realidade'.
  • O que está em jogo vai além de duas vidas: eliminar os mediadores iranianos poderia destruir qualquer possibilidade de acordo e redefinir o rumo do conflito regional.

Em meio a negociações delicadas entre Washington e Teerã, autoridades americanas transmitiram ao Irã, por intermediários, um alerta incomum: Israel poderia estar planejando assassinar os dois principais mediadores iranianos. Os nomes eram Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento, e Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores — figuras centrais nas conversas em andamento.

O aviso não se baseava em inteligência sobre um plano específico e imediato, mas o contexto o tornava plausível. Um alto funcionário da defesa israelense havia falado publicamente sobre o desejo de Jerusalém de eliminar líderes iranianos de alto escalão. Nos primeiros dias da guerra, Israel já havia assassinado dezenas de figuras políticas e religiosas iranianas, incluindo o líder supremo do país e Ali Larijani, principal responsável pela segurança nacional. O próprio Trump havia admitido, em março, sua relutância em nomear negociadores iranianos publicamente: 'não quero que eles sejam mortos', disse ele.

A relação entre Trump e Netanyahu havia mudado de tom. O alinhamento inicial cedeu lugar à fricção quando ficou claro que a campanha de assassinatos não estava produzindo uma mudança de regime em Teerã. Trump passou a apostar na diplomacia; Netanyahu permanecia comprometido com a pressão militar. Em junho, a tensão entre os dois atingiu um pico quando Trump usou linguagem dura para reprovar uma operação israelense planejada no Líbano.

O gabinete do primeiro-ministro israelense negou as acusações com veemência, chamando a reportagem original do New York Times de 'fake news' e 'fabricação completa da realidade'. A embaixada de Israel em Washington se recusou a comentar. A Casa Branca também não respondeu imediatamente.

No fundo, o que se desenrolava era uma disputa silenciosa sobre o futuro: de um lado, a visão de Netanyahu de pressão máxima; do outro, Trump em busca de uma vitória diplomática. No meio dessa disputa, dois homens cujas vidas poderiam se tornar instrumentos de uma estratégia que nenhum deles controla.

Em meio a negociações delicadas entre Washington e Teerã, autoridades americanas decidiram alertar o Irã sobre um risco específico: a possibilidade de que Israel assassinasse os dois principais mediadores iranianos. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, e Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores, eram os nomes mencionados nos avisos que os EUA transmitiram através de intermediários nos últimos meses.

O alerta partiu de funcionários americanos que expressavam preocupação genuína com a segurança desses dois homens. Não havia, até o final de junho, qualquer indicação de que a inteligência dos EUA tivesse detectado um plano específico e imediato. Ainda assim, o contexto tornava a advertência compreensível. Um alto funcionário da defesa israelense já havia falado publicamente sobre o desejo de Jerusalém de eliminar líderes iranianos de alto escalão, e esse padrão de ação tinha precedentes recentes.

Nos primeiros dias da guerra, Israel havia assassinado dezenas de importantes figuras políticas e religiosas iranianas. Entre elas estava o líder supremo do país e, talvez ainda mais relevante para as negociações em andamento, Ali Larijani, o principal responsável pela segurança nacional iraniana. Essas operações haviam sido executadas com precisão e impacto devastador. O presidente Donald Trump havia até mesmo explicado publicamente sua relutância em nomear os negociadores iranianos: "não quero que eles sejam mortos", disse ele em março, acrescentando que Israel "já eliminaram todo mundo".

A dinâmica entre Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, porém, havia se transformado. Nos primeiros momentos da guerra, havia alinhamento. Mas conforme ficou claro que a campanha de assassinatos não estava promovendo uma mudança de regime em Teerã, a administração Trump recuou do apoio a essa estratégia. O presidente passou a priorizar negociações com o Irã, enquanto Netanyahu permanecia frustrado com as conversas em andamento. Em junho, a tensão entre os dois líderes atingiu um pico particularmente agudo quando Trump usou linguagem forte para expressar sua desaprovação de uma operação militar que Israel planejava no Líbano.

O gabinete do primeiro-ministro israelense respondeu à reportagem original do The New York Times, que primeiro divulgou os alertas americanos, negando categoricamente as acusações. "Como de usual, a última matéria do The New York Times sobre Israel e os negociadores iranianos é fake news. Uma completa fabricação da realidade", escreveu o gabinete na rede X. Uma porta-voz da embaixada de Israel em Washington se recusou a comentar.

O que tornava a situação particularmente delicada era o fato de que as negociações já eram frágeis. Alvejar Ghalibaf ou Araghchi teria o potencial de destruir completamente qualquer possibilidade de acordo. Funcionários do governo Trump também estavam acompanhando de perto a rede de espionagem de Israel, que havia intensificado suas atividades de inteligência e vigilância sobre autoridades iranianas e americanas nos últimos meses. A Casa Branca foi contatada para comentar, mas não respondeu imediatamente.

O que se desenrolava era uma disputa silenciosa sobre a estratégia futura no Irã. De um lado, Netanyahu e sua visão de pressão máxima através de operações militares. Do outro, Trump buscando uma saída diplomática que pudesse ser creditada como uma vitória política. No meio, dois homens cujas vidas poderiam se tornar peças nesse jogo de xadrez geopolítico.

Não quero que eles sejam mortos. Eles já eliminaram todo mundo.
— Donald Trump, em março, explicando sua relutância em nomear negociadores iranianos
Como de usual, a última matéria do The New York Times sobre Israel e os negociadores iranianos é fake news. Uma completa fabricação da realidade.
— Gabinete do primeiro-ministro de Israel, respondendo às acusações
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que os EUA sentiriam necessidade de avisar o Irã sobre algo assim? Não seria mais natural manter isso em sigilo?

Model

Porque o alerta serve a um propósito. Se Israel assassinasse Ghalibaf ou Araghchi, as negociações desabariam. Trump quer negociações. Então ele avisa o Irã para que o Irã proteja seus negociadores — e assim as conversas continuam.

Inventor

Mas Israel não negaria publicamente qualquer coisa assim?

Model

Claro que nega. Mas a negação não muda o padrão histórico. Israel já matou dezenas de líderes iranianos. Quando Trump diz "não quero que eles sejam mortos", ele está reconhecendo que isso é possível, talvez até provável.

Inventor

Então Trump e Netanyahu estão em lados opostos nessa questão?

Model

Não exatamente opostos, mas divergentes. Netanyahu quer pressão máxima. Trump quer uma vitória diplomática que ele possa chamar de sua. Eles já tiveram confrontos tensos sobre isso — Trump até xingou Netanyahu sobre uma operação no Líbano.

Inventor

E se Israel ignorasse o aviso?

Model

Então as negociações acabariam. Mas também haveria uma crise entre Washington e Jerusalém. Trump não toleraria ser humilhado dessa forma, especialmente em um ano eleitoral.

Inventor

O Irã acreditou no aviso?

Model

Provavelmente. O Irã sabe que Israel é capaz disso. O que o aviso faz é tornar explícito o risco e, implicitamente, pedir ao Irã que proteja seus homens — porque se eles morrerem, Trump perde sua chance de negociar.

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