Etanol fica mais caro e vale a pena em apenas seis estados brasileiros

Apenas seis estados ainda oferecem vantagem ao abastecer com etanol
Levantamento de março mostra redução drástica na viabilidade econômica do combustível de cana-de-açúcar.

Em março de 2023, o etanol brasileiro encareceu o suficiente para retirar dois estados — Amazonas e Minas Gerais — da lista dos que ainda compensam abastecer com o combustível de cana. O que resta é um mapa encolhido: apenas seis estados, concentrados no centro-sul produtor, onde a proximidade com a matéria-prima ainda sustenta a vantagem econômica. A história do etanol no Brasil é, em parte, a história de uma promessa renovável que oscila ao sabor de preços, logística e política — e março revelou mais um capítulo dessa tensão.

  • O etanol subiu 0,17% em março enquanto a gasolina caiu 0,42%, invertendo a equação econômica para milhões de motoristas.
  • Amazonas e Minas Gerais perderam a vantagem do álcool e voltaram à gasolina, reduzindo para apenas seis os estados onde o etanol ainda compensa.
  • Treze estados registraram alta no preço do etanol ao longo de abril, sinalizando que a pressão sobre o combustível vegetal está longe de arrefecer.
  • O cálculo real não é só o preço no posto: o etanol consome cerca de 30% mais por quilômetro, exigindo uma diferença de preço significativa para justificar a escolha.
  • Se a tendência de alta persistir, os seis estados ainda favoráveis ao etanol podem encolher ainda mais, deixando o combustível renovável como opção econômica para poucos.

Em março, o etanol voltou a encarecer no Brasil, e a consequência foi imediata: o combustível de cana-de-açúcar deixou de ser economicamente viável na maioria dos estados. Levantamento da Ticket Log aponta que apenas seis unidades da federação ainda oferecem vantagem financeira ao motorista — Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Amazonas e Minas Gerais, que constavam na lista no mês anterior, saíram dela.

O preço médio nacional do etanol chegou a R$ 4,61 o litro, alta de 0,17%, enquanto a gasolina recuou 0,42%, para R$ 5,85. A diferença entre os dois combustíveis continuou se ampliando em desfavor do álcool. Ao longo de abril, treze estados registraram aumento no litro do etanol — salto expressivo em relação aos oito que haviam sofrido altas na primeira quinzena do mês.

A comparação entre os combustíveis não se resume ao preço no posto. O índice IPTL, da Ticket Log, mede o custo em reais por quilômetro rodado, considerando que o etanol consome cerca de 30% mais que a gasolina. Em São Paulo, o etanol sai a R$ 3,92 o litro e custa R$ 0,461 por quilômetro, contra R$ 0,476 da gasolina — margem apertada, mas ainda favorável. Em Mato Grosso, a vantagem é mais clara. Já no Rio Grande do Sul e em Roraima, a gasolina vence com folga, mesmo custando mais por litro.

Se os preços do etanol continuarem subindo no ritmo de abril, a lista de estados onde ele ainda compensa deve encolher ainda mais nos próximos meses.

Em março, o etanol voltou a ficar mais caro para os motoristas brasileiros, e essa alta teve uma consequência imediata: o combustível de cana-de-açúcar deixou de ser economicamente viável na maioria dos estados. Segundo levantamento da Ticket Log, empresa especializada em logística e gestão de frotas, apenas seis unidades da federação ainda oferecem vantagem financeira ao abastecer com etanol em vez de gasolina. São eles: Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

O preço médio nacional do etanol subiu 0,17% no fechamento de março, chegando a R$ 4,61 o litro. Esse aumento, embora pareça modesto em termos percentuais, foi suficiente para empurrar dois estados que ainda apostavam no combustível vegetal de volta para a gasolina. Amazonas e Minas Gerais, que constavam na relação de estados vantajosos no mês anterior, agora têm a gasolina como melhor opção econômica. Ao mesmo tempo, treze estados registraram alta no preço do litro do etanol entre o início e o final de abril, um salto em relação aos oito estados que haviam sofrido aumentos na primeira quinzena do mês.

A gasolina, por sua vez, apresentou movimento contrário. O litro foi comercializado em média por R$ 5,85, valor 0,42% mais barato em relação a março. Apesar dessa tendência de redução, dez estados ainda registraram aumento no valor do combustível durante o período analisado. A diferença de preço entre os dois combustíveis, portanto, continuou se ampliando em desfavor do etanol.

O cálculo que determina onde vale a pena abastecer com etanol leva em conta o IPTL, o Índice de Preços Ticket Log, que mede o custo em reais por quilômetro rodado. Esse índice considera tanto o preço médio do litro quanto o consumo médio do veículo. Para fins de comparação, o consumo é fixado em 8,5 quilômetros por litro para o etanol e 11,5 quilômetros por litro para a gasolina, embora esses números variem conforme o modelo do carro. O ponto crucial é que o combustível de origem vegetal aumenta o consumo em aproximadamente 30%, o que significa que só compensa usar etanol quando a diferença de preço supera percentualmente essa redução na autonomia.

Em São Paulo, o estado mais populoso do país e um dos maiores consumidores de combustível, o etanol custa em média R$ 3,92 o litro, resultando em um custo de R$ 0,461 por quilômetro rodado. A gasolina comum, nesse mesmo estado, sai por R$ 5,476 o litro, com custo de R$ 0,476 por quilômetro. A margem é apertada, mas ainda favorável ao etanol. Em Mato Grosso, a vantagem é mais clara: o etanol custa R$ 3,829 o litro (R$ 0,450 por quilômetro), enquanto a gasolina sai por R$ 5,826 (R$ 0,507 por quilômetro).

Nos estados onde a gasolina venceu, a desvantagem do etanol é evidente. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o etanol custa R$ 4,965 o litro, gerando um custo de R$ 0,584 por quilômetro rodado, enquanto a gasolina sai por R$ 5,515 o litro, mas com custo de apenas R$ 0,479 por quilômetro. Em Roraima, a situação é ainda mais extrema: o etanol atinge R$ 5,535 o litro (R$ 0,651 por quilômetro), enquanto a gasolina custa R$ 6,648 o litro, mas com custo de R$ 0,578 por quilômetro rodado.

A tendência de alta do etanol coloca em risco até mesmo a viabilidade econômica nos seis estados onde ainda é vantajoso. Se os preços continuarem subindo no ritmo observado em abril, é provável que esse número diminua ainda mais nos próximos meses, deixando os motoristas com ainda menos opções para economizar combustível.

O litro do etanol ficou mais caro para os motoristas e registrou um aumento de 0,17% neste fechamento de mês, com o preço médio nacional a R$ 4,61
— Douglas Pina, diretor-geral de Mobilidade da Edenred Brasil
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o etanol fica mais caro se é produzido no Brasil, onde temos cana-de-açúcar em abundância?

Model

O preço não depende só da disponibilidade da matéria-prima. Envolve custos de produção, distribuição, demanda internacional e flutuações do mercado. Quando a gasolina fica mais barata, como aconteceu em março, o etanol perde competitividade mesmo que seu custo de produção não tenha mudado muito.

Inventor

Esses seis estados onde o etanol ainda vale a pena têm algo em comum?

Model

Sim. São principalmente estados do Centro-Oeste e Sul, onde há maior produção de cana-de-açúcar e, consequentemente, preços mais baixos no bomba. São Paulo também entra porque tem grande volume de produção e consumo que mantém os preços mais competitivos.

Inventor

Como é possível que Amazonas e Minas Gerais tenham saído da lista em apenas um mês?

Model

Porque a margem é muito estreita. Quando o etanol sobe 0,17% e a gasolina cai 0,42%, essa pequena diferença percentual é suficiente para inverter a equação do custo por quilômetro rodado. Não é uma mudança dramática de preço, mas é o suficiente.

Inventor

Se o etanol consome 30% mais, por que alguém o escolheria quando a gasolina é mais barata?

Model

Ninguém escolheria, racionalmente. É por isso que a análise do IPTL é importante. Ela mostra que só vale a pena etanol quando a economia no preço do litro compensa essa perda de autonomia. Quando não compensa, a gasolina vence.

Inventor

O que acontece se essa tendência de alta do etanol continuar?

Model

Provavelmente veremos esse número de seis estados diminuir. Talvez em alguns meses apenas dois ou três estados tenham etanol como opção viável. Isso deixaria os motoristas com menos escolhas e potencialmente mais gastos com combustível.

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