Etanol é o único combustível com queda acumulada em 2026
Em junho de 2026, o etanol brasileiro retomou sua vantagem econômica sobre a gasolina, com a relação de preços caindo para 67,9% — abaixo do limiar de 70% que sinaliza ao consumidor a escolha mais racional no posto. Por trás desse movimento está a abundância da safra de cana-de-açúcar 2026/27, que empurrou o biocombustível para baixo enquanto os derivados de petróleo, pressionados por demanda doméstica e dinâmicas globais, resistiram às quedas. É um lembrete de que os preços que pagamos ao abastecer são, antes de tudo, o reflexo de colheitas, rotas marítimas e escolhas coletivas que raramente aparecem no painel do carro.
- O etanol atingiu 67,9% do preço da gasolina em junho, cruzando pela primeira vez desde março de 2024 o limiar de 70% que torna o biocombustível a opção economicamente superior para o consumidor.
- A queda de 4,7% no preço médio do etanol hidratado — a maior redução entre todos os combustíveis monitorados — foi diretamente impulsionada pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar na safra 2026/27.
- Enquanto o etanol recuava, gasolina e diesel cederam apenas marginalmente, revelando que os combustíveis fósseis seguem presos entre pressões internacionais e uma demanda doméstica que não arrefece.
- No acumulado de 2026, o contraste é gritante: o diesel S-10 acumula alta de 15,1%, a gasolina subiu até 7,1%, e o etanol é o único combustível com queda anual, de 4,7% — sinalizando que a volatilidade está longe do fim.
Em junho de 2026, o etanol recuperou a posição de combustível mais econômico frente à gasolina no Brasil. A relação de preços entre os dois caiu para 67,9%, o menor patamar desde março de 2024, segundo o Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, desenvolvido com apoio técnico da Fipe. Esse percentual ficou abaixo da marca de 70% que especialistas consideram o ponto de equilíbrio a partir do qual o etanol se torna mais atrativo ao consumidor — vantagem que também apareceu nas capitais, onde a relação chegou a 68,5%.
O principal motor da mudança foi a queda de 4,7% no preço médio do etanol hidratado durante o mês, encerrando junho a R$ 4,26 por litro no país. A gasolina comum recuou apenas 0,3%, fechando em R$ 6,72. A diferença de intensidade entre as quedas reflete dinâmicas distintas: enquanto a safra 2026/27 elevou significativamente a oferta de cana-de-açúcar, pressionando o biocombustível para baixo, os derivados de petróleo responderam a fatores mais amplos — o diesel comum caiu 2% e o gás natural veicular foi exceção, subindo 1,4%.
O quadro acumulado de 2026, porém, conta uma história mais complexa. O diesel S-10 acumula valorização de 15,1% no ano, o diesel comum 14,1%, e a gasolina subiu até 7,1%. O etanol é o único combustível com queda anual, de 4,7%. Para Mauro Kondo, superintendente de Negócios B2B da Veloe, o comportamento de junho espelha o aumento da oferta de etanol, enquanto os derivados de petróleo permanecem condicionados ao cenário internacional e à demanda doméstica elevada — sustentada pelo nível de atividade econômica e pelo transporte rodoviário, o que limita quedas mais expressivas ao consumidor.
Em junho, o etanol recuperou a posição de combustível mais econômico em comparação com a gasolina no Brasil. A relação de preços entre os dois caiu para 67,9%, o menor nível desde março de 2024, segundo dados do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, desenvolvido com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Esse percentual ficou abaixo da marca de 70%, o patamar que especialistas consideram o ponto de equilíbrio a partir do qual o etanol se torna economicamente mais atrativo para os consumidores. Nas capitais, a vantagem do etanol também apareceu, com a relação chegando a 68,5%.
O movimento foi impulsionado principalmente pela queda de 4,7% no preço médio do etanol hidratado durante o mês, a maior redução entre todos os combustíveis acompanhados. O litro do etanol encerrou junho a R$ 4,26 em média no país e R$ 4,42 nas capitais. A gasolina comum, por sua vez, recuou apenas 0,3%, fechando em R$ 6,72 por litro, enquanto a gasolina aditivada também caiu 0,3%, chegando a R$ 6,86. Essa diferença de intensidade nas quedas reflete dinâmicas distintas nos mercados dos dois combustíveis.
O aumento da moagem de cana-de-açúcar foi o fator decisivo por trás da queda do etanol. A safra 2026/27 elevou significativamente a oferta do biocombustível, pressionando os preços para baixo. Enquanto isso, os derivados de petróleo responderam a fatores mais amplos: o diesel comum caiu 2% e passou a R$ 6,988 por litro, enquanto o diesel S-10 recuou 1,4% para R$ 7,111. O gás natural veicular foi exceção, subindo 1,4% para R$ 4,654 por metro cúbico.
Apesar das reduções em junho, o quadro acumulado de 2026 revela uma história diferente. O diesel S-10 acumula valorização de 15,1% no ano, e o diesel comum, 14,1%. A gasolina comum subiu 7,1% e a aditivada, 6,8%. O etanol é o único combustível com queda acumulada no período, de 4,7%. Essa volatilidade reflete pressões contrárias: enquanto a safra de cana oferece alívio ao etanol, os combustíveis fósseis continuam pressionados por dinâmicas internacionais e demanda doméstica elevada.
Segundo Mauro Kondo, superintendente de Negócios B2B da Veloe, o comportamento dos preços em junho espelha principalmente o aumento da oferta de etanol, que elevou sua competitividade frente à gasolina. Os derivados de petróleo, por outro lado, permanecem condicionados tanto ao cenário internacional quanto à dinâmica doméstica de repasses. A redução das tensões no mercado internacional de petróleo e a retomada parcial do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz contribuíram para aliviar parte da pressão sobre esses combustíveis. Ainda assim, a demanda doméstica permanece elevada, sustentada pelo nível de atividade econômica e pelo transporte rodoviário, limitando a queda dos preços ao consumidor, especialmente nos combustíveis derivados do petróleo.
Citas Notables
A maior oferta de etanol elevou sua competitividade frente à gasolina, enquanto os derivados de petróleo continuam condicionados tanto ao cenário internacional quanto à dinâmica doméstica de repasses— Mauro Kondo, superintendente de Negócios B2B da Veloe
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o etanol ficou mais barato que a gasolina justamente em junho?
A safra de cana-de-açúcar entrou em ritmo acelerado. Mais cana moída significa mais etanol disponível no mercado, e quando a oferta sobe, o preço cai.
Mas a gasolina também caiu. Por que o etanol caiu mais?
A gasolina responde a fatores globais — petróleo, câmbio, geopolítica. O etanol é mais local, mais ligado à safra. Quando a colheita é boa, o preço desaba.
Esse 67,9% significa o quê exatamente para quem abastece?
Significa que o etanol custa 67,9% do preço da gasolina. Abaixo de 70%, ele rende mais quilômetros por real gasto. É o ponto onde o consumidor ganha escolhendo etanol.
E o diesel? Parece estar subindo muito mais que os outros.
Sim. O diesel acumula 15% de alta em 2026. Ele é mais preso ao petróleo internacional. A gasolina também sobe, mas menos. O etanol é a exceção — caiu 4,7% no ano.
Isso vai durar?
Depende da safra. Se a colheita continua forte, o etanol fica barato. Mas a demanda doméstica é alta, e o petróleo internacional ainda pressiona. Não é estável.