Apenas onde se produz etanol ele fica barato o suficiente
No final de abril de 2021, o Brasil se deparou com uma realidade que revela a complexidade de sua transição energética: o etanol, combustível renovável e símbolo da vocação agroindustrial do país, era economicamente vantajoso apenas em dois de seus estados. A física impõe um limite — o biocombustível só compensa quando custa no máximo 70% do preço da gasolina —, e apenas Mato Grosso e Minas Gerais, grandes produtores, conseguiam honrar esse limiar. Para a maioria dos brasileiros, a escolha verde ainda tinha um custo invisível.
- O etanol atingia 71,51% do preço da gasolina na média nacional, ultrapassando o teto de 70% que define sua vantagem econômica para o consumidor.
- Apenas Mato Grosso (69,08%) e Minas Gerais (69,42%) mantinham o biocombustível dentro da faixa competitiva — e por margem estreita.
- A proximidade com usinas produtoras explica o diferencial: estados produtores conseguem oferecer etanol mais barato ao consumidor final.
- No restante do país, a dinâmica de oferta e demanda penalizava o motorista que optava pelo combustível renovável, tornando-o mais caro na prática.
- O cenário expõe desigualdades estruturais no mercado de combustíveis brasileiro, onde a vantagem do etanol depende mais da geografia do que da política energética.
Na semana de 30 de abril de 2021, um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelou que o etanol era uma escolha economicamente vantajosa em apenas dois estados brasileiros: Mato Grosso e Minas Gerais.
A lógica por trás do critério é física antes de ser financeira. O etanol possui menor poder calorífico que a gasolina, o que significa que o motor consome mais para percorrer a mesma distância. Para que o biocombustível compense, especialistas estabeleceram um limite claro: ele precisa custar no máximo 70% do preço da gasolina no mesmo posto. Acima disso, o motorista paga mais para andar igual.
Em Mato Grosso, o etanol representava 69,08% do preço da gasolina; em Minas Gerais, 69,42%. Ambos dentro da faixa de vantagem, ainda que por margem apertada. No retrato nacional, porém, a média chegava a 71,51% — acima do limite, e suficiente para apagar a economia que o biocombustível prometia.
A explicação para as exceções está na geografia produtiva: os dois estados são grandes produtores de etanol e se beneficiam da proximidade com as usinas, o que reduz custos e amplia a oferta local. Para o restante do Brasil, a equação se invertia, deixando o consumidor sem incentivo real para escolher o combustível renovável.
Na semana de 30 de abril de 2021, apenas dois estados brasileiros ofereciam etanol a preços que o tornavam uma escolha econômica mais vantajosa que a gasolina. Mato Grosso e Minas Gerais eram as exceções em um país onde, na maioria dos postos, o biocombustível permanecia mais caro do que deveria ser para justificar seu uso.
O critério é simples, mas baseado em física: o etanol, seja produzido a partir da cana-de-açúcar ou do milho, possui menor poder calorífico que a gasolina. Por essa razão, especialistas estabeleceram um limite de preço para que o combustível renovável seja realmente competitivo. O etanol só vale a pena economicamente quando custa no máximo 70% do que se paga pela gasolina no mesmo posto. Abaixo desse patamar, o motorista economiza ao escolher o biocombustível. Acima dele, sai mais caro.
Em Mato Grosso, o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) — compilado pelo serviço AE-Taxas — registrou o etanol a 69,08% do preço da gasolina. Em Minas Gerais, a proporção era ligeiramente maior: 69,42%. Ambos os estados ficavam dentro da faixa de vantagem econômica, ainda que por margem estreita.
O quadro nacional, porém, contava uma história diferente. Quando se considerava a média de todos os postos pesquisados em todo o país, o etanol representava 71,51% do preço da gasolina. Esse percentual, ainda que próximo do limite, ultrapassava o patamar de 70% e significava que o motorista médio brasileiro não estava economizando ao optar pelo biocombustível. A vantagem havia desaparecido.
Os dados revelavam disparidades regionais profundas no mercado de combustíveis. Mato Grosso e Minas Gerais, ambos grandes produtores de etanol, conseguiam manter preços mais competitivos — provavelmente pela proximidade com as usinas e pela maior oferta local do produto. No restante do país, a dinâmica de oferta e demanda funcionava de forma diferente, deixando o etanol em desvantagem de preço para o consumidor final.
Citas Notables
O etanol, por ter menor poder calorífico que a gasolina, precisa custar no máximo 70% do preço do derivado de petróleo para ser considerado vantajoso ao consumidor— Critério técnico da ANP
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que apenas dois estados conseguem manter o etanol competitivo?
Tem a ver com onde o combustível é produzido e como ele chega até o consumidor. Mato Grosso e Minas Gerais têm usinas próximas, então os custos de transporte e distribuição são menores.
E esse limite de 70% — como foi definido?
Vem da física. O etanol tem menos energia por litro que a gasolina. Se você pagar mais de 70% do preço da gasolina, acaba gastando mais dinheiro para rodar a mesma distância.
Então na maioria do Brasil, o etanol está caro demais?
Está. A média nacional fica em 71,51%, acima do limite. Para a maioria dos motoristas, não compensa economicamente escolher etanol naquele momento.
Isso muda rápido?
Sim. Os preços variam semanalmente. Depende de safra, demanda, câmbio, tudo isso influencia. A competitividade regional pode mudar bastante de uma semana para outra.
Qual é a importância disso para o Brasil?
O etanol é uma aposta estratégica do país — renovável, produzido internamente. Mas se não for competitivo em preço, o motorista volta para a gasolina. A viabilidade econômica é o que faz a política de combustível funcionar na prática.