O etanol passou a ser mais vantajoso em quatro estados
Em março de 2022, a gasolina voltou a encarecer no Brasil após três meses de recuo, impulsionada pela turbulência geopolítica na Ucrânia e pelo reajuste de quase 19% anunciado pela Petrobras. Enquanto o preço médio nacional do litro ultrapassou R$ 7, o etanol seguiu caminho inverso, recuando o suficiente para cruzar o limiar de competitividade em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Nesse equilíbrio instável entre guerras distantes e decisões cotidianas no posto de combustível, o motorista brasileiro se vê novamente diante de uma escolha com peso financeiro real.
- A gasolina saltou para R$ 7,006 por litro na primeira quinzena de março, encerrando uma sequência de três meses de alívio nos preços.
- A guerra na Ucrânia pressionou as cotações globais do petróleo e forçou a Petrobras a anunciar um reajuste de quase 19%, espalhando o impacto de forma desigual pelos estados brasileiros.
- Enquanto a Bahia amargou alta de 7,68% e o Piauí de 5,51%, o etanol seguiu na direção contrária, caindo 1,20% e chegando a R$ 4,676 por litro.
- Com o etanol abaixo de 70% do preço da gasolina em quatro estados, a vantagem econômica do combustível renovável voltou a ser concreta para motoristas em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
A gasolina voltou a subir nos postos brasileiros em março, encerrando três meses consecutivos de queda. O preço médio nacional atingiu R$ 7,006 por litro na primeira quinzena do mês — alta de 1,83% sobre fevereiro —, segundo monitoramento da ValeCard em cerca de 25 mil postos credenciados.
A pressão veio de fora: a guerra na Ucrânia agitou as cotações globais do petróleo e levou a Petrobras a anunciar reajuste de quase 19% na gasolina. O impacto foi desigual entre os estados. A Bahia registrou a maior alta, de 7,68%, seguida por Piauí e Acre. Apenas Rondônia escapou com leve recuo de 0,13%.
O etanol, por sua vez, seguiu trajetória oposta. O combustível renovável caiu 1,20% no mesmo período, chegando a R$ 4,676 por litro. Essa combinação criou uma janela de oportunidade: com o etanol abaixo de 70% do preço da gasolina — critério adotado pela ValeCard para definir a vantagem do biocombustível —, quatro estados passaram a recomendar a troca: São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
Para os motoristas nessas regiões, a escolha no posto voltou a ter peso financeiro real, depois de meses em que a gasolina havia mantido a dianteira.
A gasolina voltou a subir nos postos brasileiros em março, interrompendo uma sequência de três meses de quedas. Na primeira quinzena do mês, o preço médio nacional atingiu R$ 7,006 por litro, uma alta de 1,83% em relação a fevereiro, segundo dados da ValeCard, empresa que monitora preços de combustível através de transações em cerca de 25 mil postos credenciados.
Essa pressão sobre os preços da gasolina tem origem no mercado internacional. A Petrobras anunciou um reajuste de quase 19% no combustível, refletindo as oscilações nas cotações globais provocadas pela guerra na Ucrânia. O impacto não foi uniforme: enquanto Rondônia registrou o único recuo entre os estados, com queda de 0,13%, a Bahia enfrentou a maior alta, de 7,68%, seguida pelo Piauí com 5,51% e Acre com 3,16%.
Em paralelo, o etanol seguiu trajetória oposta. O preço médio nacional do combustível renovável caiu 1,20% na primeira quinzena de março, chegando a R$ 4,676 por litro, ante R$ 4,733 em fevereiro. Essa combinação — gasolina em alta e etanol em queda — criou uma janela de oportunidade para motoristas em determinadas regiões.
A ValeCard utiliza um critério específico para determinar quando o etanol se torna mais vantajoso que a gasolina: o preço do litro de etanol deve estar abaixo de 70% do preço da gasolina, descontando fatores como a autonomia individual de cada veículo. Com essa métrica, o etanol passou a ser a opção mais econômica em quatro estados: São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
O movimento reflete uma dinâmica maior no mercado de combustíveis brasileiro, onde a volatilidade internacional dos preços do petróleo se traduz rapidamente em variações nos postos. Para consumidores em regiões onde o etanol se tornou competitivo, a escolha do combustível ganhou relevância financeira novamente após meses em que a gasolina havia mantido vantagem de preço.
Citas Notables
Com a alta da gasolina e um recuo no mercado de etanol, o combustível fóssil deixou de ser mais vantajoso em relação ao renovável nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso— ValeCard
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que a gasolina subiu justamente agora, depois de três meses caindo?
A Petrobras reajustou os preços acompanhando o mercado internacional. A guerra na Ucrânia criou pressão sobre as cotações globais de petróleo, e isso se refletiu aqui.
E o etanol caiu ao mesmo tempo? Parece quase planejado.
Não é planejado, mas é a dinâmica do mercado. O etanol tem seus próprios fatores de oferta e demanda. Neste caso, a queda coincidiu com a alta da gasolina, criando essa oportunidade.
Esses quatro estados — São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso — têm algo em comum?
São regiões com maior produção de cana-de-açúcar e, portanto, maior disponibilidade de etanol. Isso provavelmente ajuda a manter os preços mais competitivos quando há queda.
Como a ValeCard sabe disso tudo? Eles têm acesso a todos os postos?
Não a todos, mas monitoram cerca de 25 mil estabelecimentos através de um cartão de abastecimento. É uma amostra representativa do mercado nacional.
E esse critério dos 70% — é universal ou muda conforme o carro?
Muda conforme o carro. Cada veículo tem autonomia diferente. O etanol rende menos quilômetros por litro que a gasolina, então o cálculo precisa levar isso em conta para saber se compensa.