Etanol é mais competitivo que gasolina apenas em Tocantins e MS

Etanol competitivo em apenas dois estados do país
Na semana pesquisada, apenas Tocantins e Mato Grosso do Sul ofereciam etanol com preço vantajoso conforme critério técnico.

No limiar do outono de 2022, o etanol brasileiro encontrou-se competitivo em apenas dois estados — Tocantins e Mato Grosso do Sul —, enquanto o restante do país assistia ao biocombustível encarecido a ponto de perder seu apelo econômico frente à gasolina. A regra técnica que orienta o consumidor é simples em sua lógica: como o álcool rende menos energia por litro, seu preço precisa ser igual ou inferior a 70% do valor da gasolina para justificar a escolha. Com a média nacional em 91,43%, o etanol deixou de ser uma vantagem para a maioria dos motoristas — revelando as tensões entre política energética, mercado e a promessa verde do biocombustível.

  • O etanol, símbolo da matriz energética renovável do Brasil, perdeu competitividade em quase todo o território nacional, tornando-se economicamente desvantajoso para a maioria dos consumidores.
  • Apenas Tocantins (66,30%) e Mato Grosso do Sul (69,63%) permaneceram abaixo do limiar técnico de 70%, oferecendo razão concreta para o motorista preferir o biocombustível na bomba.
  • Com paridade nacional de 91,43%, motoristas em estados populosos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais pagavam mais caro por um combustível de menor rendimento energético.
  • O setor de biocombustíveis contesta a rigidez do critério dos 70%, argumentando que motores flex modernos podem tornar o etanol competitivo mesmo em paridades mais altas — deslocando o debate do preço para a tecnologia.

Na semana que antecedeu o fim de agosto de 2022, um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis revelou um mapa desolador para o etanol: de todo o Brasil, apenas Tocantins e Mato Grosso do Sul mantinham o biocombustível dentro do limite que o torna vantajoso ao consumidor.

Esse limite — 70% do preço da gasolina — não é arbitrário. Como o etanol possui menor poder calorífico, o motorista queima mais combustível por quilômetro. Para que a escolha faça sentido econômico, o álcool precisa ser suficientemente mais barato. No Tocantins, a paridade chegou a 66,30%; em Mato Grosso do Sul, a 69,63%, quase no teto. Em todo o restante do país, a conta simplesmente não fechava.

A média nacional contava a história com clareza: o etanol estava a 91,43% do preço da gasolina. Em São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais, não havia razão econômica para preferir o biocombustível — o consumidor pagaria mais por menos energia.

Executivos do setor, porém, pedem cautela com esse único número. Argumentam que carros flex-fuel modernos, com motores otimizados para álcool, podem tornar o etanol competitivo mesmo acima dos 70% — pois a eficiência do motor, a tecnologia de injeção e o desenho da câmara de combustão também pesam na equação. O preço relativo, dizem, é apenas parte de uma realidade mais complexa.

Na semana anterior ao final de agosto de 2022, o etanol conseguiu manter-se mais atrativo economicamente que a gasolina em apenas dois cantos do país: Tocantins e Mato Grosso do Sul. Os dados vêm de um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, compilado pela agência de notícias AE-Taxas, que acompanha sistematicamente os preços nos postos de combustível.

O cálculo que determina se o etanol é ou não competitivo leva em conta uma realidade física simples: o álcool derivado da cana ou do milho tem menor poder calorífico que a gasolina. Por isso, para ser considerado uma escolha vantajosa ao consumidor, seu preço não pode ultrapassar 70% do valor do derivado de petróleo. É um limite técnico, não arbitrário. Quando o etanol fica abaixo dessa marca, o motorista economiza mesmo queimando mais combustível por quilômetro.

No Tocantins, a paridade chegou a 66,30% — bem abaixo do teto de 70%. Em Mato Grosso do Sul, ficou em 69,63%, praticamente no limite. Esses dois estados, portanto, ofereciam ao consumidor uma razão econômica clara para escolher etanol na bomba. Em qualquer outro lugar do Brasil, a conta não fechava.

Quando se olha para a média nacional dos postos pesquisados, o cenário muda drasticamente. O etanol estava sendo vendido a 91,43% do preço da gasolina. Isso significa que, em praticamente todo o país, o biocombustível havia se tornado menos vantajoso que seu concorrente fóssil. Um motorista em São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais não tinha razão econômica para escolher etanol — pagaria mais caro por um combustível menos energético.

Executivos do setor de biocombustíveis, porém, argumentam que essa métrica dos 70% não conta a história toda. Segundo eles, a competitividade do etanol depende também do tipo de veículo em que o combustível é utilizado. Um carro flex-fuel mais moderno, com motor otimizado para álcool, pode ser competitivo mesmo com paridades maiores que 70%. A eficiência do motor, a tecnologia de injeção, o desenho da câmara de combustão — tudo isso influencia. O que funciona para um veículo pode não funcionar para outro. Essa nuance sugere que a realidade dos postos é mais complexa que um único número nacional.

Executivos do setor argumentam que a competitividade do etanol pode ser maior que 70% dependendo do tipo de veículo utilizado
— Executivos do setor de biocombustíveis
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que apenas dois estados conseguem manter o etanol competitivo? Há algo de especial em Tocantins e Mato Grosso do Sul?

Model

Provavelmente é uma questão de oferta local e custos de distribuição. Esses estados têm produção de cana ou estão mais perto dela, o que reduz o custo de transporte do etanol até os postos.

Inventor

E esse limite de 70% — por que exatamente esse número?

Model

É pura física. O etanol tem menos energia por litro que a gasolina. Então você queima mais dele. Se custar mais de 70% do preço da gasolina, sai mais caro no final, mesmo consumindo mais.

Inventor

Mas os executivos dizem que alguns carros conseguem ser competitivos com paridades maiores. Como isso é possível?

Model

Depende de como o motor foi desenhado. Um carro flex-fuel novo, com injeção eletrônica e câmara de combustão otimizada para álcool, consegue aproveitar melhor a energia do etanol. Um carro mais antigo não consegue.

Inventor

Então o número nacional de 91,43% é enganoso?

Model

Não é enganoso, mas é incompleto. Ele mostra que, em média, o etanol ficou caro demais para ser vantajoso. Mas para quem tem um carro preparado para isso, a história pode ser diferente.

Inventor

O que isso significa para o consumidor comum?

Model

Que na maioria do país, naquela semana, a gasolina era a escolha mais racional. Exceto em Tocantins e Mato Grosso do Sul, onde o etanol ainda oferecia economia real.

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