Etanol permanece viável mesmo quando custa mais de 70% da gasolina
Na semana de 11 de abril, o etanol brasileiro encontrou seu espaço de competitividade em apenas seis estados — um retrato que revela tanto as possibilidades quanto os limites de uma transição energética que ainda depende de geografia, logística e tecnologia. Com paridade média de 69,28% em relação à gasolina, o biocombustível se mantém tecnicamente vantajoso para o consumidor, mas especialistas do setor lembram que o verdadeiro potencial do etanol vai além da régua dos 70%, variando conforme o motor e o contexto regional. É uma história sobre como a viabilidade de uma alternativa energética raramente é simples ou uniforme.
- O etanol só vence a gasolina em seis dos 26 estados e o Distrito Federal, expondo a fragilidade geográfica da competitividade do biocombustível.
- Preços oscilaram em 21 unidades federativas na semana, com o Pará registrando alta de 3,31% e Goiás a maior queda, de 3,09%, sinalizando um mercado ainda instável.
- A diferença de quase R$ 3 por litro entre o menor preço (R$ 3,79 em São Paulo) e o maior (R$ 6,66 no Rio Grande do Sul) evidencia disparidades regionais que distorcem qualquer análise nacional.
- Executivos do setor contestam a regra dos 70%, argumentando que motores modernos otimizados para etanol tornam o biocombustível viável mesmo em paridades menos favoráveis.
- O preço médio nacional recuou levemente para R$ 4,69 o litro, sugerindo uma trajetória de estabilização, mas sem força suficiente para ampliar a competitividade além dos estados produtores.
Na semana encerrada em 11 de abril, os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis revelaram que o etanol era mais barato que a gasolina em apenas seis estados brasileiros: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Roraima e São Paulo. A paridade média nacional ficou em 69,28% — ligeiramente abaixo do limiar de 70% que costuma definir a vantagem do biocombustível para o consumidor.
São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, registrou a paridade mais favorável, de 67,56%, com o litro estável a R$ 4,52. Goiás apresentou o menor preço médio estadual, a R$ 4,39, após a maior queda semanal do país, de 3,09%. No extremo oposto, o Pará teve a maior alta, de 3,31%, chegando a R$ 5,30 o litro.
O espectro de preços foi amplo: de R$ 3,79 o litro em São Paulo até R$ 6,66 no Rio Grande do Sul, uma diferença de quase R$ 3. O Amapá retomou medições após período sem dados, com o litro a R$ 5,89. No consolidado nacional, o preço médio recuou de R$ 4,70 para R$ 4,69 — queda de 0,21%.
Apesar do cenário restrito, executivos do setor etanoleiro apontam que a regra dos 70% não é absoluta. Motores modernos otimizados para etanol conseguem extrair melhor rendimento do biocombustível, tornando-o economicamente viável mesmo quando a paridade supera esse patamar — uma perspectiva que abre espaço para maior adoção do produto além das regiões produtoras tradicionais.
Na semana que terminou em 11 de abril, o etanol conseguiu ser mais barato que a gasolina em apenas seis Estados brasileiros. Essa é a realidade que emerge dos dados coletados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, que rastreiam sistematicamente os preços nos postos de combustível do país. Na média nacional, o etanol apresentava uma paridade de 69,28% em relação à gasolina — ou seja, custava pouco menos de 70% do preço do derivado do petróleo, o que tecnicamente o torna competitivo para o consumidor.
Os seis Estados onde o biocombustível saía mais em conta eram Goiás, com paridade de 69,79%; Mato Grosso, a 68,09%; Mato Grosso do Sul, a 68,04%; Paraná, com 69,70%; Roraima, a 69,87%; e São Paulo, onde a paridade chegava a 67,56%. São Paulo, como maior produtor e consumidor de etanol do país, também era o Estado com o maior número de postos pesquisados pela agência reguladora.
O que torna essa fotografia particularmente interessante é o que executivos do setor etanoleiro apontam: o biocombustível pode permanecer competitivo mesmo quando sua paridade sobe acima de 70%. Isso depende fundamentalmente do tipo de veículo em que o combustível é utilizado. Motores mais modernos, especialmente aqueles otimizados para etanol, conseguem extrair melhor rendimento do biocombustível, tornando-o economicamente viável mesmo em cenários onde o preço relativo é menos favorável.
Na semana em questão, os preços do etanol hidratado subiram em 11 Estados e no Distrito Federal, caíram em 10 e permaneceram estáveis em 4. O Amapá retomou suas medições após um período sem dados, com o litro sendo comercializado a R$ 5,89. Considerando todo o território nacional, o preço médio do etanol recuou ligeiramente, passando de R$ 4,70 para R$ 4,69 o litro — uma queda de 0,21%. Em São Paulo, o preço se manteve estável em R$ 4,52 o litro.
As variações regionais, porém, eram significativas. O Pará registrou a maior alta percentual da semana, com aumento de 3,31%, elevando o preço de R$ 5,13 para R$ 5,30 o litro. Goiás, por sua vez, apresentou a maior queda, de 3,09%, com o litro caindo de R$ 4,53 para R$ 4,39. Essa volatilidade reflete as diferenças nas estruturas de distribuição, custos logísticos e dinâmicas locais de oferta e demanda em cada região.
O espectro de preços observados nos postos era amplo. O menor valor registrado foi de R$ 3,79 o litro em São Paulo, enquanto o maior chegou a R$ 6,66 no Rio Grande do Sul — uma diferença de quase R$ 3 por litro. Quando se observam os preços médios estaduais, Goiás apresentava o menor, em R$ 4,39, enquanto o Amapá liderava com R$ 5,89 o litro. Essas disparidades geográficas ilustram como a competitividade do etanol não é uniforme no país, dependendo tanto de fatores estruturais quanto de flutuações de curto prazo nos mercados regionais.
Citas Notables
O etanol pode ser competitivo mesmo com paridade maior do que 70%, a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado— Executivos do setor etanoleiro
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que apenas seis Estados têm etanol mais barato que gasolina se a paridade nacional é de 69,28%?
A paridade nacional é uma média. Alguns Estados têm custos logísticos menores ou maior oferta local, o que reduz o preço. Outros enfrentam o oposto — distância das refinarias, menor concorrência entre postos, custos de transporte maiores.
Os executivos mencionam que o etanol pode ser competitivo acima de 70% de paridade. Como isso funciona na prática?
Depende do motor. Um carro flex moderno consegue extrair mais energia do etanol do que um mais antigo. Se você tem um veículo otimizado para o biocombustível, pagar 72% do preço da gasolina ainda pode sair mais barato por quilômetro rodado.
A variação de R$ 3,79 a R$ 6,66 por litro é enorme. O que explica uma diferença tão grande?
Localização geográfica é tudo. São Paulo, produtor local, tem preços baixos. Rio Grande do Sul fica longe das usinas principais. Amapá, isolado geograficamente, tem custos de distribuição muito altos. É a mesma lógica que explica o preço da gasolina em cidades remotas.
Se o etanol é mais competitivo em apenas seis Estados, isso não limita bastante o seu potencial de mercado?
Não necessariamente. Esses seis Estados cobrem uma população significativa e incluem São Paulo, o maior mercado. Além disso, a competitividade pode mudar semana a semana conforme os preços flutuam. O que importa é que o setor vê margem para crescimento se conseguir manter a paridade em níveis favoráveis.