No cruzamento entre a inocência da presa e a paciência do predador, a natureza esculpiu um dos enganos mais elegantes do reino animal: a cauda que dança como verme. Pesquisadoras da Universidade de Brasília rastrearam, em 220 espécies de víboras, a trajetória evolutiva desse truque milenar — revelando que o engodo caudal pode ser uma herança ancestral comum ao grupo, moldada ao longo de milhões de anos conforme cada espécie encontrou seu lugar no mundo. O estudo, publicado na Ethology Ecology & Evolution, lembra que a fronteira entre caçador e caçado é, muitas vezes, uma questão de atenção.