Ao longo dos últimos dez mil anos, o genoma humano não permaneceu estático: ele respondeu, com surpreendente velocidade, às revoluções que nós mesmos provocamos — a agricultura, a domesticação de animais, o adensamento das cidades. Um estudo de sete anos conduzido por Harvard e MIT, publicado na Nature com base em 16 mil genomas antigos, documenta 479 variantes genéticas sob seleção natural ativa, multiplicando por mais de vinte vezes o que a ciência havia registrado até hoje. O achado nos convida a repensar a fronteira entre história humana e biologia: somos, em parte, criaturas moldadas pela