Filho de diretora do Detran é investigado por agredir sem-teto com taser em Belém

Homem em situação de rua foi agredido com arma de choque por dois estudantes, sofrendo agressão física sem possibilidade de defesa.
Dois jovens rindo enquanto agrediam alguém completamente vulnerável
O que tornou a agressão particularmente chocante foi a atitude dos estudantes durante o ato de violência.

Em Belém, dois jovens estudantes de direito transformaram uma calçada em palco de crueldade gratuita ao disparar uma arma de choque contra um homem em situação de rua que sequer podia se defender. O caso ganhou dimensões mais amplas quando se revelou que um dos envolvidos é filho de uma alta funcionária pública já investigada por desvios de recursos. A sociedade observa, uma vez mais, como o privilégio pode encorajar a violência — e como as redes sociais, ao expô-la, forçam as instituições a responder.

  • Um homem vulnerável foi atacado com taser por dois estudantes que riam enquanto o agrediam, em plena via pública e sem que ele pudesse reagir.
  • A descoberta de que um dos agressores é filho de uma diretora do Detran-PA — ela própria investigada por corrupção — inflamou a indignação nas redes sociais e ampliou o alcance do caso.
  • Entregadores de aplicativo que testemunharam a cena tentaram deter os suspeitos, que fugiram para dentro da universidade enquanto uma multidão se formava do lado de fora.
  • Ambos os estudantes prestaram depoimento à polícia, mas um optou pelo silêncio; a arma apreendida vai a perícia e a defesa já tenta minimizar sua letalidade.
  • O Ministério Público Federal abriu investigação paralela, requisitou informações à universidade em 48 horas e apresentou representação criminal, enquanto a instituição de ensino prometeu afastar os alunos e aplicar seu código de ética.

Na manhã de 13 de abril, dois estudantes de direito do Centro Universitário do Pará correram em direção a um homem em situação de rua no bairro Umarizal, em Belém, e dispararam uma arma de choque contra ele. A vítima caminhava de costas e não teve chance de se defender. Os vídeos que circularam nas redes sociais mostram os jovens rindo durante a agressão, com o taser sendo acionado ao menos duas vezes.

Antônio Coelho, de 18 anos, é apontado como quem filmou a cena; Altemar Sarmento Filho, também de 18, teria operado o dispositivo. O caso tomou proporções maiores quando se soube que Antônio é filho de Renata Coelho, diretora-geral do Detran-PA — que, em 2025, foi investigada pela Polícia Federal na Operação Expertise por suspeitas de desvios de recursos públicos ligados a um contrato de R$ 8,2 milhões. Afastada durante a operação, ela foi reconduzida ao cargo por decisão judicial. Após a repercussão do vídeo, internautas passaram a exigir sua exoneração e ela restringiu os comentários em suas redes sociais.

Entregadores de aplicativo que presenciaram a agressão tentaram perseguir os estudantes, que fugiram para dentro da universidade. A Polícia Militar chegou ao local e encontrou uma multidão agitada. Na terça-feira seguinte, ambos compareceram à delegacia: Antônio depôs com advogado, enquanto Altemar optou pelo silêncio. Os dois foram liberados após os depoimentos.

A arma de choque foi apreendida para perícia. A defesa de Altemar argumentou que o dispositivo estaria danificado e não seria letal. A Polícia Civil instaurou inquérito, e o Ministério Público Federal abriu investigação própria: o procurador Sadi Machado requisitou informações à universidade com prazo de 48 horas e apresentou representação criminal contra o agressor no MP estadual. O Centro Universitário do Pará informou que colaborou com as autoridades e que os alunos serão afastados das atividades acadêmicas, respondendo também pelo código de ética da instituição.

Na manhã de segunda-feira, 13 de abril, dois estudantes de direito correram em direção a um homem em situação de rua em frente ao campus do Centro Universitário do Pará, no bairro Umarizal, em Belém. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o momento em que acionam uma arma de choque contra a vítima, que caminhava de costas e não tinha como se defender. Em pelo menos dois momentos diferentes, o taser foi disparado. Os estudantes riam durante a agressão.

Antônio Coelho, de 18 anos, é apontado como responsável pela gravação dos vídeos. Seu colega, Altemar Sarmento Filho, também de 18 anos, teria sido quem utilizou o dispositivo. O que tornou o caso ainda mais repercutido foi a descoberta de que Antônio é filho de Renata Coelho, diretora-geral do Departamento de Trânsito do Pará. Após a divulgação das imagens, internautas passaram a exigir a exoneração dela do cargo, e Renata restringiu os comentários em seu perfil no Instagram.

Entregadores de aplicativo que passavam pela região presenciaram a agressão e se revoltaram com o ocorrido. Alguns tentaram perseguir os suspeitos, mas eles fugiram para dentro da universidade. A Polícia Militar foi acionada e encontrou uma multidão agitada em frente à instituição. Ambos os estudantes compareceram à delegacia do bairro São Brás nesta terça-feira, 14 de abril, para prestar depoimento. Antônio foi o primeiro a ser ouvido, com assistência de advogado. Altemar optou por permanecer em silêncio durante seu depoimento. Após serem ouvidos, os dois foram liberados.

A arma de choque foi apreendida e será submetida à perícia. O advogado de Altemar argumentou que o dispositivo não seria letal porque estaria danificado. A Polícia Civil do Pará instaurou um inquérito para apurar os fatos. O Ministério Público Federal também abriu investigação através da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão. O procurador Sadi Machado requisitou informações à universidade com prazo de 48 horas e entrou com representação criminal contra o agressor no Ministério Público do Pará.

O histórico de Renata Coelho adicionou camadas ao caso. Em 2025, ela foi alvo de investigação da Polícia Federal durante a Operação Expertise, que apurou suspeitas de desvios de recursos nas áreas de Saúde e Educação no Pará. Seu nome constava em um contrato firmado entre o Detran-PA e a empresa Líder Engenharia Ltda., no valor de R$ 8,2 milhões. Ela chegou a ser afastada do cargo durante a operação, mas foi reconduzida por decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

O Centro Universitário do Pará informou que lamentava o ocorrido e que colaborou com as autoridades assim que tomou conhecimento dos fatos. A instituição afirmou que os alunos envolvidos serão afastados das atividades acadêmicas e que o Regulamento Geral e o Código de Ética e Conduta serão aplicados para responsabilizá-los. Um procedimento interno foi aberto para apurar o caso. A investigação segue em andamento, com a perícia da arma de choque e as apurações do Ministério Público Federal ainda em curso.

Os alunos envolvidos serão afastados das atividades acadêmicas e o Código de Ética e Conduta será aplicado
— Centro Universitário do Pará
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que esse caso ganhou tanta repercussão além da agressão em si?

Model

Porque o vídeo mostrou algo que as pessoas viram como gratuito — dois jovens rindo enquanto agrediam alguém completamente vulnerável. Mas o que realmente acendeu a discussão foi descobrir que um deles era filho de uma diretora de órgão público.

Inventor

E a mãe dele já tinha problemas anteriores?

Model

Sim. Em 2025, ela foi investigada pela Polícia Federal por suspeitas de desvios de recursos públicos. Seu nome aparecia em um contrato de 8,2 milhões de reais. Ela foi afastada, mas conseguiu voltar ao cargo por decisão judicial.

Inventor

Então há uma sensação de impunidade envolvida?

Model

Exatamente. As pessoas veem uma família com acesso a poder e recursos, e agora veem o filho cometendo um ato de violência contra alguém que não tem nada. É o contraste que machuca.

Inventor

O que acontece com os estudantes agora?

Model

Foram liberados após depor. A universidade vai afastá-los das aulas e aplicar seu código de ética. Mas a investigação policial e do Ministério Público Federal continuam. A arma será periciada.

Inventor

E a vítima? Há informações sobre ela?

Model

Os vídeos não mostram o que aconteceu depois. Sabemos que entregadores tentaram ajudar, que a polícia foi chamada. Mas o foco da cobertura recaiu sobre os agressores e suas conexões, não sobre quem foi agredido.

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