ESPGHAN 2026: doenças eosinofílicas gastrointestinais além do esôfago ganham destaque

Pacientes com doenças eosinofílicas gastrointestinais permanecem longos períodos com sintomas recorrentes sem diagnóstico definido, com aproximadamente 25% evoluindo para doença persistente ou recorrente e 18% desenvolvendo complicações.
Pacientes permanecem anos com sintomas sem diagnóstico definido
Dados de coortes com mais de 4 mil pacientes mostram atraso diagnóstico médio de 3 a 4 anos.

Em Lille, em junho de 2026, especialistas em gastroenterologia pediátrica reunidos na conferência da ESPGHAN reafirmaram que as doenças eosinofílicas do trato gastrointestinal formam um espectro muito mais amplo do que a esofagite que domina o imaginário clínico. Gastrite, duodenite, enterite e colite eosinofílica permanecem invisíveis por anos — em média três a quatro — enquanto pacientes acumulam sintomas sem nome e investigações sem resposta. A mensagem é ao mesmo tempo diagnóstica e ética: reconhecer o que não se vê é também uma forma de cuidar.

  • Pacientes com doenças eosinofílicas gastrointestinais esperam em média 3 a 4 anos para receber um diagnóstico, mesmo sendo crianças com sintomas recorrentes.
  • A sobreposição com condições atópicas em até 80% dos casos e a inespecificidade dos sintomas tornam essas doenças sistematicamente invisíveis na prática clínica.
  • Cerca de 25% dos pacientes evoluem para doença persistente ou recorrente e 18% desenvolvem complicações que poderiam ter sido evitadas com diagnóstico mais precoce.
  • A conferência propõe ampliar a suspeição clínica e integrar histologia, endoscopia e novos biomarcadores para reduzir o tempo até o diagnóstico.
  • No Brasil, a situação é agravada pela falta de padronização diagnóstica e pelo acesso limitado à avaliação histológica adequada.

Em junho de 2026, médicos reunidos em Lille para a conferência anual da ESPGHAN reforçaram uma mensagem ainda pouco assimilada: as doenças eosinofílicas do trato gastrointestinal vão muito além do esôfago. Gastrite, duodenite, enterite e colite eosinofílica formam um espectro de condições que, embora raras, provavelmente estão sendo perdidas em consultórios e enfermarias ao redor do mundo.

Os sintomas são o primeiro obstáculo — dor abdominal, náuseas, vômitos e distensão podem apontar para dezenas de condições. Quando a doença se sobrepõe a alergias e atopia, o que ocorre em 30% a 80% dos casos, o diagnóstico fica ainda mais obscuro. O resultado é um atraso médio de 3 a 4 anos entre o início dos sintomas e a confirmação diagnóstica, mesmo em crianças. Aproximadamente 25% desses pacientes evoluem para doença persistente ou recorrente, e 18% desenvolvem complicações potencialmente evitáveis.

Um conceito útil apresentado na conferência é que a apresentação clínica varia conforme a profundidade do acometimento na parede intestinal: inflamação mucosa gera dor e vômitos; comprometimento muscular traz distensão e sinais de obstrução; formas serosas podem cursar com ascite eosinofílica. Reconhecer esses padrões ajuda a encurtar o caminho até o diagnóstico.

Não existe exame único que defina a doença. A endoscopia com biópsias é o ponto de partida, mas resultados normais não excluem o diagnóstico. A histologia vem sendo padronizada para incluir não apenas a contagem de eosinófilos, mas também fibrose e hiperplasia muscular. Perfis transcriptômicos e biomarcadores sanguíneos emergem como ferramentas complementares para o futuro.

No Brasil, o desafio é ainda maior, com falta de padronização e acesso limitado à avaliação histológica. Ainda assim, a mensagem central da conferência é direta: ampliar a suspeição clínica em pacientes com sintomas gastrointestinais persistentes e atopia já representa um passo decisivo para reduzir o tempo que tantos pacientes passam sem respostas.

Em junho de 2026, médicos reunidos em Lille para a conferência anual da Sociedade Europeia de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica reforçaram uma mensagem que ainda não penetrou completamente a prática clínica: as doenças eosinofílicas do trato gastrointestinal vão muito além do esôfago. Gastrite, duodenite, enterite e colite eosinofílica formam um espectro de condições que, embora raras, provavelmente estão sendo perdidas nos consultórios e enfermarias de todo o mundo.

Essas doenças afetam entre 1 e 30 pessoas a cada 100 mil habitantes, números que parecem baixos até se considerar que há forte evidência de subdiagnóstico. Parte do problema é simples: os sintomas são inespecíficos. Dor abdominal, náuseas, vômitos, distensão, saciedade precoce e perda de peso podem apontar para dezenas de condições. Quando a doença eosinofílica se sobrepõe com alergias e outras condições atópicas — o que ocorre em 30% a 80% dos casos — o diagnóstico fica ainda mais obscuro. O resultado é que pacientes passam anos com sintomas recorrentes sem uma explicação clara.

Os dados apresentados na conferência mostram o custo dessa demora. Em coortes com mais de 4 mil pacientes diagnosticados com gastrite ou duodenite eosinofílica, o tempo médio entre o início dos sintomas e a confirmação diagnóstica é de 3 a 4 anos — mesmo em crianças. Durante todo esse período, esses pacientes vivem com desconforto crônico, investigações repetidas e incerteza. Aproximadamente 25% deles evoluem para doença persistente ou recorrente, e 18% desenvolvem complicações que poderiam ter sido prevenidas com diagnóstico mais precoce.

Um conceito que pode ajudar clínicos a organizar seu raciocínio é que a apresentação clínica varia conforme a profundidade do acometimento na parede gastrointestinal. Quando apenas a mucosa está inflamada — a forma mais comum — predominam sintomas como dor abdominal e vômitos. Se a inflamação atinge a camada muscular, o quadro muda: a dor fica mais intensa e a distensão progressiva sugere obstrução. Nas formas mais raras que atingem as camadas serosas, pode haver ascite eosinofílica e distensão abdominal importante. Reconhecer esses padrões ajuda a reduzir o tempo até o diagnóstico.

O desafio diagnóstico, porém, permanece real. Não existe um único exame que defina a doença. A endoscopia com biópsias é frequentemente o ponto de partida, mas exames normais não excluem a condição. O diagnóstico exige integração de múltiplos elementos: a apresentação clínica, os achados endoscópicos, a histologia e, em alguns casos, imagens ou análise de líquido ascítico. A histologia vem se tornando mais padronizada, incluindo não apenas contagem de eosinófilos, mas também fibrose, hiperplasia muscular e lesões epiteliais — detalhes que ajudam a avaliar gravidade e evolução.

Novas ferramentas começam a emergir. Perfis transcriptômicos, biomarcadores sanguíneos e análise de fluido gástrico mostram potencial para complementar a histologia e reduzir a necessidade de procedimentos invasivos. A tendência é caminhar para um modelo diagnóstico mais integrado e preciso. Mas por enquanto, a mudança mais imediata na prática clínica é ampliar a suspeição. Em pacientes com sintomas gastrointestinais persistentes, especialmente quando associados à atopia e sem diagnóstico claro, as doenças eosinofílicas além do esôfago devem entrar na lista de possibilidades.

No Brasil, o desafio é ainda maior. Essas doenças são pouco reconhecidas na prática clínica, e há obstáculos reais: falta de padronização diagnóstica e acesso limitado a avaliação histológica adequada. Ainda assim, aumentar a suspeição clínica já representa um passo importante. A mensagem final da conferência é clara: essas doenças provavelmente estão subdiagnosticadas, e incorporar esse conceito na prática clínica é fundamental para reduzir o atraso diagnóstico e melhorar o cuidado de pacientes que hoje permanecem anos sem respostas.

As doenças eosinofílicas gastrointestinais não se limitam ao esôfago e provavelmente estão subdiagnosticadas
— Discussão da conferência ESPGHAN 2026
A principal mudança é ampliar a suspeição clínica em pacientes com sintomas gastrointestinais persistentes, especialmente associados à atopia
— Recomendação da conferência
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que essas doenças demoram tanto para ser diagnosticadas? Parece um tempo extraordinariamente longo.

Model

Porque os sintomas são completamente inespecíficos — dor abdominal, vômitos, perda de peso. Qualquer gastroenterologista vê isso todos os dias. Quando a criança também tem alergias ou eczema, fica ainda mais fácil atribuir tudo a algo mais comum.

Inventor

E o exame não mostra nada?

Model

Frequentemente não. A endoscopia pode ser normal, especialmente se a inflamação está em camadas mais profundas. Você precisa de biópsias, precisa correlacionar clínica com histologia, e mesmo assim não é simples.

Inventor

Qual é o risco real de deixar isso sem diagnóstico por 3 ou 4 anos?

Model

Um quarto dos pacientes desenvolve doença persistente ou recorrente. Dezoito por cento têm complicações. E enquanto isso, a criança está sofrendo — dor crônica, vômitos, perda de peso. Tudo evitável com diagnóstico mais cedo.

Inventor

O que muda se você diagnostica cedo?

Model

Você pode começar tratamento específico. Mas mais importante: você para de investigar cegamente. A família para de viajar entre médicos. A criança volta a comer sem medo.

Inventor

E no Brasil, qual é a realidade?

Model

Ainda é muito desconhecida. Falta padronização, falta acesso a biópsias adequadas. Mas o primeiro passo é simples: os médicos precisam pensar nela. Só isso já reduz o atraso.

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