Especialista explica estratégias para evitar obesidade, epidemia global que afeta 167 milhões

A obesidade afeta milhões de pessoas globalmente, causando complicações de saúde crônicas que impactam qualidade de vida e bem-estar psicossocial.
A obesidade permanece uma condição complexa influenciada por múltiplos fatores
Nutricionista ressalta que a prevenção exige compreensão além de uma única intervenção.

Em um mundo onde a abundância alimentar coexiste com escolhas cada vez mais empobrecidas, a Organização Mundial da Saúde projeta que 167 milhões de pessoas viverão com obesidade até 2025 — uma epidemia silenciosa que compromete corpos, mentes e sociedades inteiras. A nutricionista Bruna Zacante, ao falar no Dia do Nutricionista, lembra que enfrentar essa condição exige não apenas força de vontade individual, mas uma rede de cuidado coletivo que começa, literalmente, nos primeiros dias de vida.

  • A OMS projeta 167 milhões de pessoas obesas até 2025, tornando a epidemia uma das maiores ameaças crônicas à saúde global.
  • A obesidade compromete praticamente todos os sistemas do corpo — do coração ao fígado, da mente às articulações —, ampliando o custo humano muito além do que qualquer número revela.
  • Ultraprocessados, sedentarismo e ambientes que desfavorecem escolhas saudáveis alimentam a epidemia em ritmo acelerado nas sociedades modernas.
  • O combate eficaz exige equipes multidisciplinares, dietas baseadas em alimentos naturais e atividades físicas prazerosas com metas realistas — não punição, mas transformação sustentável.
  • A amamentação surge como aliada inesperada: dados da OPAS indicam que ela reduz em 13% o risco de sobrepeso infantil, mostrando que a prevenção pode começar nos primeiros meses de vida.

A Organização Mundial da Saúde projeta que até 2025 cerca de 167 milhões de adultos e crianças viverão com sobrepeso ou obesidade no mundo. A condição, classificada como doença crônica progressiva, deixou de ser questão estética para se tornar uma epidemia global de consequências graves — cardiovasculares, metabólicas, respiratórias, psicossociais e oncológicas, entre outras.

A nutricionista Bruna Zacante, coordenadora do curso de nutrição da Faculdade Anhanguera, explica que as causas da obesidade são múltiplas e entrelaçadas: genética, comportamento, ambiente e cultura se combinam para criar as condições do ganho de peso. Dietas ricas em ultraprocessados, açúcar refinado e gordura saturada, somadas ao sedentarismo crescente das sociedades modernas, funcionam como combustível para a doença.

O tratamento, segundo Zacante, não pode depender de um único profissional. É necessário apoio multidisciplinar — médicos, educadores físicos, psicólogos — aliado a uma alimentação baseada em alimentos naturais e minimamente processados. Incorporar exercícios variados, aeróbicos, de força e flexibilidade, com metas realistas e prazer no processo, é o caminho para uma perda de peso sustentável.

Um fator frequentemente esquecido na prevenção é o aleitamento materno. Dados da Organização Pan-Americana de Saúde mostram que amamentar reduz em 13% o risco de sobrepeso infantil, pois o leite materno regula o apetite do bebê e favorece a formação de uma microbiota intestinal saudável. Ainda assim, Zacante pondera: a amamentação é uma peça importante, mas não resolve sozinha um problema tão complexo. No Dia do Nutricionista, a especialista reforça que enfrentar a epidemia exige compreensão coletiva e ação coordenada em múltiplas frentes.

A Organização Mundial da Saúde projeta um cenário preocupante para os próximos anos: até 2025, aproximadamente 167 milhões de pessoas em todo o mundo — adultos e crianças — viverão com sobrepeso ou obesidade, enfrentando consequências graves para sua saúde. A obesidade, definida pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, deixou de ser apenas uma questão estética para se consolidar como uma epidemia global de proporções alarmantes, classificada como doença crônica progressiva que impacta negativamente a qualidade de vida.

Os danos causados pela obesidade vão muito além do que se vê na balança. Segundo Bruna Zacante, nutricionista e coordenadora do curso de nutrição da Faculdade Anhanguera, as complicações incluem doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, distúrbios respiratórios, problemas metabólicos, câncer, disfunções articulares, complicações psicossociais e até problemas hepáticos e reprodutivos. A lista é extensa porque a doença toca praticamente todos os sistemas do corpo humano.

O que torna a obesidade particularmente complexa é que suas causas não são simples nem únicas. Zacante explica que fatores genéticos, metabólicos, comportamentais, ambientais e culturais se entrelaçam para criar as condições que levam ao ganho de peso. O ambiente em que vivemos e nosso estilo de vida exercem influência direta sobre a incidência da doença. Uma alimentação carregada de calorias vazias, produtos ultraprocessados, açúcar refinado e gordura saturada, combinada com sedentarismo, funciona como combustível para o desenvolvimento da condição. Não é coincidência que a epidemia tenha crescido junto com a disponibilidade de alimentos industrializados e a redução da atividade física nas sociedades modernas.

O tratamento eficaz da obesidade não é tarefa para uma única pessoa ou profissional. Zacante enfatiza que é necessário um apoio multidisciplinar que reúna médicos, profissionais de educação física e psicólogos, entre outros. No aspecto nutricional especificamente, a recomendação é clara: seguir uma dieta equilibrada com foco em alimentos minimamente processados e naturais. Mas a mudança vai além da comida. Incorporar atividades físicas variadas — exercícios aeróbicos, treinamento de força e trabalho de flexibilidade — ajuda a queimar calorias, melhora o metabolismo e promove perda de peso sustentável. O diferencial está em encontrar prazer nessas práticas e estabelecer metas realistas a longo prazo, transformando o processo em algo gratificante em vez de punitivo.

Um aspecto frequentemente negligenciado na prevenção da obesidade é o papel do aleitamento materno nos primeiros meses de vida. Dados da Organização Pan-Americana de Saúde indicam que a amamentação reduz em 13% o risco de sobrepeso e obesidade nas crianças. Zacante destaca que o leite materno influencia múltiplos fatores nutricionais, incluindo o controle natural do apetite do bebê e a composição da microbiota intestinal — a comunidade de bactérias que habita nosso sistema digestivo e desempenha papel crucial na regulação do metabolismo. Além disso, a amamentação estabelece o hábito alimentar inicial mais importante da vida humana, criando uma base sólida para escolhas nutricionais futuras.

Mas Zacante também oferece uma perspectiva equilibrada: embora o aleitamento materno seja benéfico e deva ser promovido, ele é apenas uma peça em um quebra-cabeça muito maior. A obesidade permanece uma condição complexa, influenciada por uma combinação de fatores que vão além do que qualquer intervenção isolada pode resolver. Nesta data em que se celebra o Dia do Nutricionista, a especialista vê uma oportunidade de compartilhar essas informações com a sociedade, reconhecendo que a prevenção e o tratamento da epidemia exigem compreensão coletiva e ação coordenada em múltiplas frentes.

O ambiente e o estilo de vida impactam diretamente a incidência da doença. É necessário entender que o tratamento requer apoio profissional multidisciplinar
— Bruna Zacante, nutricionista e coordenadora do curso de nutrição da Faculdade Anhanguera
A obesidade é uma condição complexa influenciada por uma combinação de fatores genéticos, ambientais, dietéticos e comportamentais
— Bruna Zacante
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a obesidade é considerada uma epidemia se as pessoas sabem que comer demais e se exercitar pouco causa ganho de peso?

Model

Porque saber e fazer são coisas completamente diferentes. A obesidade envolve genética, metabolismo, ambiente, cultura alimentar, acesso a alimentos saudáveis, fatores psicológicos. Uma pessoa não acorda um dia e decide ficar obesa. É um processo complexo que a sociedade moderna praticamente incentiva.

Inventor

Então não é culpa da pessoa?

Model

Não é tão simples quanto culpa ou falta de culpa. Claro que escolhas individuais importam, mas elas acontecem dentro de um contexto. Se você vive em um lugar onde alimentos ultraprocessados são baratos e acessíveis, e alimentos frescos são caros e distantes, sua realidade é diferente de quem tem outras opções.

Inventor

E por que o aleitamento materno faz tanta diferença se é apenas nos primeiros meses?

Model

Porque aqueles primeiros meses estabelecem padrões no corpo da criança — como o apetite funciona, como as bactérias intestinais se desenvolvem, como o metabolismo aprende a trabalhar. É como programar um computador desde o início em vez de tentar consertar o código depois.

Inventor

Se a obesidade é tão séria, por que não é tratada como emergência de saúde pública?

Model

Em muitos lugares, já é. Mas há resistência cultural, falta de recursos, e também porque os resultados são lentos. Não é como uma epidemia de gripe que você vê em semanas. A obesidade se desenvolve ao longo de anos, então a urgência não é tão óbvia.

Inventor

O que muda se uma pessoa realmente quer combater a obesidade?

Model

Tudo muda. Mas não sozinha. Precisa de apoio profissional, de um plano realista, de encontrar atividades que ela realmente goste de fazer, não apenas sofrer em uma academia. E precisa entender que é um processo longo, não uma transformação de 30 dias.

Inventor

Então a mensagem é: é complicado, mas possível?

Model

Exatamente. É complicado porque envolve muitos fatores. Mas é possível quando você tem apoio, informação correta e muda de verdade o estilo de vida — não apenas a dieta, mas tudo junto.

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