A gente não pode se nivelar por baixo. Ignorar é uma opção
Em um gesto raro na política brasileira, a deputada federal Erika Hilton admitiu publicamente ter exagerado em suas respostas a ataques nas redes sociais, reconhecendo que a ironia e o deboche — incluindo o uso do termo 'imbeCIS' — foram reações impulsivas a um ambiente de violência virtual coordenada. Sua confissão, feita no programa Roda Viva, não apaga o contexto de ameaças de morte e imagens ofensivas que ela diz enfrentar, mas abre uma fissura rara: a de um político que, pressionado pelo jogo, reconhece ter jogado além do necessário. O episódio coloca em relevo uma tensão mais ampla sobre os limites do discurso político digital e a responsabilidade de quem ocupa espaço público em tempos de hostilidade crescente.
- Hilton enfrenta uma 'teia' de provocações coordenadas nas redes — ameaças de morte, imagens ofensivas e ataques organizados que ela descreve como dolorosos e desgastantes.
- A deputada respondeu à violência com ironia e deboche, incluindo o uso do termo 'imbeCIS', o que gerou reação da oposição e pressão para que ela deixe a presidência da Comissão da Mulher.
- No Roda Viva, Hilton admitiu ter sido 'leviana' e reconheceu que suas palavras foram descontextualizadas e usadas estrategicamente contra ela por adversários políticos.
- Ela recusa a acusação de alimentar discurso de ódio, mas concede que existem outras formas de responder além do confronto direto — 'ignorar é uma opção', disse.
- O debate que emerge é estrutural: como a violência virtual molda o comportamento político e quem carrega a responsabilidade de escalar — ou conter — o conflito?
Erika Hilton sentou-se diante das câmeras do Roda Viva e fez algo incomum na política: admitiu ter exagerado. A deputada federal pelo PSOL de São Paulo reconheceu que suas respostas aos ataques nas redes sociais — incluindo o momento em que chamou seus agressores de 'imbeCIS' — foram levianas demais. Não foi uma retratação completa, mas foi um recuo significativo.
A confissão veio durante entrevista à jornalista Clarissa Oliveira, da CNN Brasil. Hilton explicou que agiu sob pressão extrema: ameaças de morte, imagens ofensivas circulando sem controle, um cenário que ela descreveu como doloroso. A ironia e o deboche, disse, foram sua forma de se proteger. Mas depois veio a reflexão — talvez devesse ter sido mais cuidadosa, pensado em como suas palavras seriam descontextualizadas e amplificadas. 'A gente não pode se nivelar por baixo. Ignorar é uma opção', reconheceu.
O que Hilton não aceitou foi a acusação de que alimenta discurso de ódio. Para ela, essa dinâmica já está instalada no ambiente político, e seus adversários a exploram estrategicamente, usando suas falas fora de contexto para gerar engajamento e ampliar os ataques. Ela não criou o jogo — mas talvez tenha entrado nele com mais força do que deveria.
A participação no programa acontece enquanto a oposição exige sua saída da presidência da Comissão da Mulher. O debate que emerge é mais amplo: onde estão os limites do discurso político nas redes? Quando alguém responde à violência com violência verbal, quem escala o conflito? Hilton não respondeu completamente essas perguntas — mas ao reconhecer o excesso, abriu espaço para que a conversa, e talvez ela mesma, avancem.
Erika Hilton sentou-se diante das câmeras do Roda Viva na segunda-feira passada e fez algo raro em política: admitiu ter exagerado. A deputada federal pelo PSOL de São Paulo, que preside a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados, reconheceu que sua resposta aos ataques nas redes sociais — incluindo o momento em que chamou seus agressores de "imbeCIS" — foi leviana demais. Não foi uma retratação completa, mas foi um recuo.
A confissão veio durante entrevista à jornalista Clarissa Oliveira, da CNN Brasil, quando questionada sobre o impacto de respostas mais duras no clima político. Hilton explicou que agiu sob pressão extrema. Ameaças de morte, imagens ofensivas circulando sem controle, um cenário que ela descreveu como doloroso e desgastante. A ironia e o deboche, disse, foram sua forma de se proteger, de marcar posição diante de uma violência que a cercava. "A única reação que eu tive foi a da ironia, foi a do deboche. Fiz pensando em me proteger, em colocar uma posição firme."
Mas depois veio a reflexão. Talvez, sugeriu, ela devesse ter sido mais cuidadosa. Talvez devesse ter pensado em como suas palavras seriam descontextualizadas, amplificadas, usadas contra ela. "A gente não pode se nivelar por baixo. Ignorar é uma opção", disse, reconhecendo que existem outras formas de responder além do confronto direto.
O que Hilton não fez foi aceitar a acusação de que alimenta discurso de ódio. Para ela, essa dinâmica já existe, já está instalada no ambiente político. Seus adversários, na sua visão, exploram isso estrategicamente, pegam suas falas, tiram do contexto, usam para gerar engajamento e ampliar os ataques contra ela. Ela não criou o jogo, apenas entrou nele — e talvez tenha entrado com mais força do que deveria.
Durante a entrevista, Hilton descreveu o que enfrenta como uma "teia" de provocações coordenadas. Não é caótico, não é aleatório. É organizado. E ela reconheceu que, em alguns momentos, é preciso ter sangue frio, calcular, respirar, não se deixar envolver por essas teias. É um conselho que ela parece estar dando a si mesma.
A participação de Hilton no programa acontece enquanto a oposição exige que ela deixe a presidência da Comissão da Mulher. Deputadas da oposição criticaram duramente suas respostas agressivas. O debate que emerge disso é maior: onde estão os limites do discurso político nas redes sociais? Como a violência virtual molda o comportamento dos políticos? E quando alguém responde à violência com violência — ainda que verbal — quem é responsável por escalar o conflito?
Hilton não respondeu completamente essas perguntas. Mas ao reconhecer que foi leviana, ela abriu espaço para que a conversa continue. E talvez, para que ela mesma mude de postura.
Citações Notáveis
Nesse ponto eu reconheço que eu fui um pouco ingênua, eu fui um pouco leviana— Erika Hilton, durante entrevista ao Roda Viva
A única reação que eu tive foi a da ironia, foi a do deboche. Fiz pensando em me proteger, em colocar uma posição firme— Erika Hilton, explicando suas respostas agressivas
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Quando você lê que uma deputada chama seus agressores de "imbeCIS" e depois diz que foi leviana, o que está realmente acontecendo ali?
Ela está reconhecendo que entrou em um jogo que não deveria ter entrado. Ou melhor: entrou, mas com as regras deles.
Mas ela diz que as ameaças eram reais. Ameaças de morte, imagens ofensivas. Isso não justifica uma resposta mais dura?
Justifica, talvez. Mas ela mesma está dizendo que justificar não é o mesmo que ser sábio. Há uma diferença entre ter razão em estar com raiva e ter razão em como você expressa essa raiva.
Então ela está admitindo derrota?
Não. Ela está admitindo que a estratégia não funcionou. Que responder com ironia e deboche a quem quer provocá-la apenas alimenta o ciclo.
E quanto aos que a atacam? Eles também vão reconhecer excesso?
Provavelmente não. E é por isso que ela está em posição mais frágil agora. Ao recuar, ela dá munição a quem quer removê-la da comissão.
Então foi um erro político falar isso em público?
Talvez. Ou talvez seja o único jeito de sair dessa teia que ela descreveu. Às vezes você só sai parando de lutar.