Fundo ligado a fraudes do Banco Master investiu em empresas de parentes de Toffoli

Ministro centraliza investigação, impõe sigilo e determina ações controversas
Toffoli assumiu papel de relator em caso bilionário envolvendo indiretamente sua família, gerando questionamentos sobre conflito de interesse.

No cruzamento entre o poder financeiro e a toga, emerge uma teia de conexões que desafia a imparcialidade esperada da mais alta corte do país: um fundo ligado ao escândalo bilionário do Banco Master investiu em empresas de parentes do ministro Dias Toffoli, exatamente o magistrado que conduz o caso no STF. A descoberta não configura, por si só, prova de ilicitude, mas levanta questões antigas e urgentes sobre os limites entre o público e o privado quando o poder se concentra em poucas mãos. Em tempos em que a confiança nas instituições é um bem escasso, a opacidade de quem deveria ser o guardião da transparência pesa como uma sentença ainda não proferida.

  • Um fundo de investimentos rastreado até a rede de fraudes do Banco Master — avaliada em mais de R$ 12 bilhões — manteve participações em empresas cujos sócios eram irmãos e primo do ministro Toffoli, relator do caso no STF.
  • A gestora responsável pelos fundos está sob investigação da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC, adensando o ambiente de suspeição ao redor das conexões reveladas.
  • Toffoli impôs sigilo absoluto ao processo, conduziu acareações sem consulta prévia à PF ou à PGR e viajou ao exterior em jato particular com o advogado do Banco Master — decisões que acumulam críticas de juristas, políticos e agentes do mercado.
  • Questionado pela imprensa, o ministro não se manifestou sobre os possíveis conflitos de interesse, e parentes, a gestora Reag e o próprio Banco Master também permaneceram em silêncio.
  • O debate sobre a adequação de Toffoli como relator se intensifica, sem que haja, até o momento, qualquer movimento formal de afastamento ou recusa do ministro ao caso.

Um fundo de investimentos inserido na cadeia financeira do escândalo do Banco Master manteve participações em duas empresas ligadas a parentes próximos do ministro Dias Toffoli — o mesmo magistrado que, no STF, conduz como relator a investigação sobre a instituição. A revelação, publicada pela Folha de S. Paulo com base em registros oficiais, reacende o debate sobre conflitos de interesse no coração do Judiciário brasileiro.

O fundo Arleen investiu na Tayayá Administração e Participações, empresa associada a um resort no Paraná com histórico de participação da família Toffoli, e na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária na mesma região que tinha entre seus sócios um primo do ministro. A ligação com o escândalo não é direta: o Arleen era cotista do RWM Plus, que por sua vez recebia recursos de fundos como o Maia 95 — um dos seis apontados pelo Banco Central como parte da suposta rede de fraudes articulada em torno do banco controlado por Daniel Vorcaro. O fundo Arleen foi encerrado no final de 2025.

A gestora Reag, responsável pelo Arleen e outros fundos da rede, é alvo da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, por suspeita de lavagem de dinheiro com conexões ao Primeiro Comando da Capital. O esquema investigado no Banco Master envolve emissão de créditos fictícios e uso de empresas interligadas para inflar artificialmente os ativos da instituição, com prejuízo estimado superior a R$ 12 bilhões.

Toffoli assumiu a relatoria após a defesa de Vorcaro recorrer ao STF alegando foro privilegiado. Desde então, suas decisões têm sido alvo de críticas: impôs sigilo absoluto ao processo, promoveu acareações entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB e o diretor de fiscalização do Banco Central sem consulta prévia à Polícia Federal ou à PGR, e enfrentou questionamentos por ter viajado ao exterior em jato particular na companhia do advogado do Banco Master.

Diante das perguntas da imprensa, Toffoli não se pronunciou. Parentes do ministro, a gestora Reag e o Banco Master também silenciaram. A combinação de opacidade processual, conexões familiares indiretas e decisões controversas alimenta um debate crescente sobre se o ministro reúne as condições de imparcialidade necessárias para conduzir um dos casos financeiros mais sensíveis dos últimos anos.

Um fundo de investimentos ligado ao escândalo do Banco Master manteve participações em duas empresas cujos sócios eram parentes próximos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. A descoberta, revelada pela Folha de S. Paulo após análise de registros oficiais, traz à tona questões sobre possíveis conflitos de interesse no momento em que Toffoli atua como relator da investigação sobre a instituição financeira no tribunal.

O fundo Arleen investiu na Tayayá Administração e Participações, empresa responsável por um resort em Ribeirão Claro, no Paraná, que tinha histórico de participação acionária da família de Toffoli. A mesma gestora também fez aportes na DGEP Empreendimentos, uma incorporadora imobiliária na mesma cidade paranaense, que contava entre seus sócios um primo do magistrado. Essas conexões não são diretas em termos de investigação formal, mas emergem de uma cadeia complexa de fundos: o Arleen era cotista do RWM Plus, que por sua vez recebia recursos de fundos como o Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como parte da suposta rede de fraudes envolvendo o banco controlado por Daniel Vorcaro.

A gestora responsável pelo Arleen e outros fundos dessa rede, a Reag, está sob investigação da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital. O fundo Arleen foi encerrado no final de 2025, e seus ativos se concentravam principalmente nas duas empresas ligadas aos parentes de Toffoli e na participação no RWM Plus.

A fraude investigada ultrapassa R$ 12 bilhões e envolve a emissão de créditos fictícios e o uso de fundos e empresas interligadas para inflar artificialmente os ativos do banco. Agentes da Polícia Federal e auditores do Banco Central trabalham para compreender como ocorria o desvio de recursos e outras irregularidades estruturais na instituição. Toffoli assumiu a posição de relator do inquérito no STF após a defesa de Vorcaro recorrer à Corte, argumentando que o caso deveria tramitar na instância máxima do Judiciário devido a citações de figuras com foro privilegiado.

Desde então, as decisões do ministro — manter sigilo absoluto sobre o processo e conduzir acareações entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB e o diretor de fiscalização do Banco Central — têm atraído críticas de políticos, juristas e agentes do mercado financeiro. Particularmente controversa foi a iniciativa de Toffoli de promover uma acareação sem demanda ou audiência prévia da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. O ministro também enfrentou questionamentos anteriores sobre ter viajado em um jato particular ao exterior acompanhado do advogado do Banco Master.

Quando procurado pela Folha de S. Paulo, Toffoli não se manifestou sobre possíveis conflitos de interesse relacionados às conexões familiares. Os parentes do ministro, a gestora Reag e o próprio Banco Master também não responderam aos questionamentos. A falta de transparência sobre essas ligações, combinada com o papel central que Toffoli exerce na condução do caso, alimenta o debate sobre a adequação de sua atuação como relator em um processo que toca indiretamente sua família.

Toffoli não se manifestou sobre possíveis conflitos de interesse relacionados às conexões familiares
— Folha de S. Paulo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que essa conexão entre o fundo e as empresas dos parentes importa se o fundo não está sob investigação formal?

Model

Porque mostra uma rede. O Arleen não é investigado, mas a gestora que o administrava está. E o fundo recebia recursos de outros fundos que o Banco Central apontou como parte da fraude. É uma cadeia.

Inventor

Então Toffoli sabia dessas ligações quando aceitou ser relator?

Model

Não sabemos. Mas ele não respondeu quando perguntado sobre conflito de interesse. E isso é estranho quando você está centralizando uma investigação bilionária.

Inventor

O que torna a acareação tão controversa?

Model

Ele a promoveu sem que a Polícia Federal ou a Procuradoria pedissem. Um ministro não deveria estar dirigindo a investigação dessa forma — deveria estar julgando o que já foi investigado.

Inventor

E a viagem no jato?

Model

Viajou com o advogado do Banco Master. Depois disse que não havia conflito. Mas quando você está relatando o caso da instituição cujo advogado viajou com você, as aparências importam.

Inventor

O que acontece agora?

Model

O fundo foi encerrado. Mas as perguntas sobre Toffoli permanecem. Se ele não se afasta, a legitimidade da investigação fica comprometida.

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