Empresário e gestora são presos por desvio de energia em Várzea Grande

Identificar quem monta as estruturas físicas das fraudes é essencial para desmantelar completamente esses esquemas
Delegado coordenador explica por que prender o técnico eletricista é tão importante quanto prender os clientes.

Em Várzea Grande, a Polícia Civil prendeu dois cidadãos em flagrante por desviar energia elétrica — prática que a linguagem popular batizou de 'gato' e que corrói, silenciosamente, os alicerces da confiança coletiva. Um empresário e uma gestora de centro de recuperação, ambos reincidentes, foram encontrados com medidores fraudados em seus estabelecimentos durante a Operação Gateiro, desdobramento de investigações iniciadas em 2025. O episódio lembra que o custo invisível da fraude recai, no fim, sobre toda a sociedade.

  • Dois suspeitos reincidentes foram presos em flagrante com medidores de energia visivelmente adulterados — um em restaurante, outro em centro de recuperação para dependentes químicos.
  • A operação começou com um único mandado de busca contra um técnico eletricista suspeito de instalar desvios em uma empresa de carnes, mas rapidamente se expandiu para varrer estabelecimentos comerciais da região.
  • O celular apreendido do técnico eletricista pode abrir novas frentes de investigação, sugerindo que a rede de fraudes é mais ampla do que os dois presos revelam.
  • Polícia Civil e Energisa seguem em campo com diligências fiscalizatórias, prometendo novos desdobramentos enquanto tentam desmantelar toda a estrutura do esquema.

Na manhã de terça-feira, a Polícia Civil de Várzea Grande prendeu em flagrante um empresário de 53 anos e uma gestora de 44 anos, ambos acusados de desviar energia elétrica com medidores fraudados — ele em um restaurante no Jardim Eldorado, ela em um centro de recuperação para dependentes químicos no Capão do Pequi. Os dois têm antecedentes pelo mesmo crime.

A Operação Gateiro nasceu de um objetivo mais modesto: cumprir um mandado de busca na casa de um técnico eletricista de 54 anos em Cuiabá, suspeito de ter montado um esquema de desvio em uma empresa de carnes. Durante a ação, o celular do técnico foi apreendido e passou a integrar o inquérito. A partir daí, os investigadores decidiram ampliar o raio de ação, percorrendo distribuidoras de bebidas, restaurantes e casas de recuperação ao lado de peritos da Energisa.

O delegado Ruy Guilherme Peral, coordenador do Núcleo de Inteligência da Delegacia Especializada de Estelionato, acompanhou pessoalmente as buscas. Para ele, identificar quem monta fisicamente as estruturas de fraude é indispensável para desarticular os esquemas por completo — esquemas que geram prejuízos milionários para as distribuidoras e, em última instância, para toda a população.

A operação é continuação da Operação Curto-Circuito, deflagrada em 2025, que revelou fraudes sistemáticas em medidores comerciais na região metropolitana. O nome 'Gateiro' homenageia, ironicamente, o técnico especializado em instalar esses desvios na rede elétrica. As diligências seguem em andamento, e a polícia promete novos anúncios conforme as investigações avançarem.

A Polícia Civil de Várzea Grande prendeu dois suspeitos na terça-feira pela manhã acusados de desviar energia elétrica — o que a população conhece como "gato". Um deles, empresário de 53 anos, administrava um restaurante no bairro Jardim Eldorado. O outro, gestora de 44 anos, trabalhava em um centro de recuperação para dependentes químicos no bairro Capão do Pequi. Os nomes não foram divulgados. Ambos foram flagrados com medidores de energia fraudados e têm antecedentes no mesmo crime.

A operação, batizada Gateiro, começou com um objetivo mais restrito. A Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande cumpria um mandado de busca na casa de um técnico eletricista de 54 anos em Cuiabá, suspeito de ter instalado um esquema de desvio de energia em uma empresa de carnes na região. O mandado foi expedido pela 4ª Vara Criminal de Várzea Grande. Durante essa ação, os policiais apreenderam o celular do técnico, material que agora integra o inquérito e pode abrir novas linhas de investigação.

Mas a operação não parou ali. Enquanto prosseguiam com o técnico eletricista, os investigadores decidiram ampliar a busca. Trabalhando junto com a Energisa e com a Perícia Oficial e Identificação Técnica, a equipe começou a revistar estabelecimentos comerciais da região — distribuidoras de bebidas, restaurantes, casas de recuperação. Estavam procurando por medidores fraudados.

No restaurante do Jardim Eldorado, encontraram o que procuravam. O medidor estava visivelmente manipulado. O delegado Ruy Guilherme Peral acompanhava a operação pessoalmente. O proprietário, de 53 anos, foi preso em flagrante por estelionato. Dias depois, ou na mesma sequência de diligências, a equipe chegou ao centro de recuperação no Capão do Pequi. Lá também havia um medidor fraudado. A gestora e tesoureira da organização não governamental foi presa em flagrante. Ambos os presos já tinham passagens pela polícia por fraude de energia elétrica.

A Operação Gateiro é, na verdade, um desdobramento de investigações que começaram em 2025, quando a polícia deflagrou a Operação Curto-Circuito. Aquela operação revelou um esquema mais amplo: fraudes sistemáticas em medidores de energia em estabelecimentos comerciais da região metropolitana de Várzea Grande. O nome "Gateiro" faz referência ao técnico que implementa esses desvios na rede elétrica — é assim que a população chama quem faz esse tipo de trabalho.

Segundo Ruy Guilherme Peral, coordenador do Núcleo de Inteligência da Delegacia Especializada de Estelionato, identificar e responsabilizar quem monta as estruturas físicas das fraudes é essencial para desmantelar completamente esses esquemas. Ele ressaltou que as operações causam prejuízos na casa dos milhões para as distribuidoras de energia e, em última análise, para toda a sociedade. As diligências fiscalizatórias continuam em andamento. A polícia promete informar novos desdobramentos conforme as investigações avançarem.

Identificar e responsabilizar aqueles que implementam as estruturas físicas das fraudes é fundamental para desarticular por completo esses esquemas
— Ruy Guilherme Peral, coordenador do Núcleo de Inteligência da DEE-VG
Esquemas que causam prejuízo milionário às distribuidoras de energia e, em última análise, a toda a sociedade
— Ruy Guilherme Peral
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a polícia decidiu ampliar a operação além do técnico eletricista em Cuiabá?

Model

Porque uma vez que você identifica um técnico instalando fraudes, você percebe que ele não trabalha sozinho. Precisa de clientes. Então faz sentido vasculhar os lugares onde ele provavelmente colocou seus "gatos".

Inventor

E como descobriram que havia fraude nesses dois estabelecimentos específicos?

Model

A polícia trabalhou com a Energisa, a empresa de distribuição de energia, e com peritos técnicos. Eles visitaram restaurantes, distribuidoras, casas de recuperação — lugares que consomem muita energia. Quando chegaram nesses dois locais, encontraram os medidores manipulados.

Inventor

Qual é o prejuízo real de um "gato" de energia?

Model

Milhões. Quando você desvia energia, a distribuidora deixa de receber por aquele consumo. Multiplique isso por dezenas ou centenas de estabelecimentos fazendo a mesma coisa, e você tem um buraco financeiro enorme. E quem paga no final são os consumidores honestos, através de tarifas mais altas.

Inventor

Por que essas duas pessoas já tinham antecedentes pelo mesmo crime?

Model

Porque fraude de energia é um negócio. Se você consegue reduzir sua conta de eletricidade pela metade, há incentivo para repetir. E se ninguém te pega na primeira vez, por que não tentar de novo?

Inventor

A polícia vai continuar procurando por mais fraudes?

Model

Sim. Eles dizem que as diligências seguem em andamento. Provavelmente há mais técnicos, mais estabelecimentos. Esse técnico eletricista de 54 anos pode ter clientes que ainda não foram descobertos.

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