Energia é um setor defensivo, com fluxo de caixa previsível
No momento em que o Paraná encerrava décadas de controle estatal sobre sua principal distribuidora de energia, três dos homens mais ricos do Brasil escolheram esse limiar como porta de entrada. A 3G Radar, gestora ligada a Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Alberto Sicupira, adquiriu 5% das ações preferenciais da Copel durante a oferta que privatizou a companhia, movimentando R$ 5,3 bilhões. O gesto, aparentemente silencioso e sem ambição de controle, revela uma leitura de longo prazo sobre infraestrutura energética — feita por investidores que, mesmo sob o peso do escândalo da Americanas, continuam apostando no Brasil.
- A privatização da Copel, concluída em 14 de agosto, encerrou o controle do governo do Paraná e transformou a ex-estatal em uma corporation sem acionista majoritário — modelo já testado pela Eletrobras.
- No mesmo movimento, a 3G Radar entrou com força suficiente para acionar as regras da CVM sobre participação relevante, obrigando a Copel a comunicar a operação ao mercado.
- O trio Lemann-Telles-Sicupira carrega o peso da crise da Americanas — fraude contábil, recuperação judicial e negociações tensas com credores — mas segue expandindo posições em infraestrutura.
- A 3G Capital já tinha presença minoritária na Eletrobras; a entrada na Copel consolida uma estratégia deliberada de acumulação no setor energético brasileiro.
- Por ora, não há acordo de voto nem intenção declarada de influência operacional — a participação se desenha como investimento de portfólio, não como movimento de poder.
Na semana em que a Copel deixava de ser uma estatal paranaense, a 3G Radar — gestora de investimentos de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Alberto Sicupira — aproveitou a oferta pública para adquirir 85,16 milhões de ações preferenciais da companhia, o equivalente a 5,07% do total emitido. A fatia ultrapassou o limiar que obriga a divulgação ao mercado pelas regras da Comissão de Valores Mobiliários.
A privatização encerrou o controle acionário do governo do Paraná e transformou a Copel em uma corporation — estrutura sem controlador majoritário, similar à adotada pela Eletrobras após sua própria privatização em 2022. O processo movimentou R$ 5,3 bilhões e marcou uma virada histórica para a companhia.
A entrada na Copel se encaixa em um padrão mais amplo: a 3G Capital, holding global do trio que controla Burger King, AB InBev e Kraft Heinz, já mantinha participação minoritária na Eletrobras. A aposta em infraestrutura energética brasileira ganha agora um segundo pilar.
A Copel informou ao mercado que não existe qualquer acordo regulando direito de voto ou compra e venda de valores mobiliários com a Radar. O investimento, por enquanto, parece ser de portfólio — sem sinalização de interferência nas decisões operacionais.
O movimento acontece em meio à turbulência da Americanas. O trio, que controlou a varejista até 2021 e permanece como sócio de referência, enfrenta as consequências de uma fraude contábil que levou a empresa à recuperação judicial. Ainda assim, a 3G Radar segue posicionando capital em ativos sólidos no Brasil — um sinal de que, apesar das adversidades, a confiança no país não foi abalada.
A 3G Radar, gestora de investimentos do trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Alberto Sicupira, entrou na Copel na semana em que a companhia paranaense deixava de ser estatal. A participação foi adquirida durante a oferta pública de ações que privatizou a Companhia Paranaense de Energia, concluída na segunda-feira, 14 de agosto. A gestora comprou 85,16 milhões de ações preferenciais, o que representa 5,07% do total de ações preferenciais emitidas pela empresa.
Essa fatia foi classificada como participação relevante pelas regras da Comissão de Valores Mobiliários, obrigando a Copel a comunicar a operação ao mercado. A movimentação integra um processo maior: a privatização da ex-estatal movimentou 5,3 bilhões de reais e marcou o fim do controle estatal sobre a companhia. O governo do Paraná, que era acionista controlador, diluiu sua participação, e a Copel passou a operar sob o modelo de corporation, sem um acionista majoritário — estrutura semelhante à adotada pela Eletrobras após sua privatização no ano anterior.
A 3G Radar é parte do império empresarial construído pelo trio. A 3G Capital, holding que controla globalmente negócios como Burger King, AB InBev e Kraft Heinz, é uma das proprietárias da gestora. No Brasil, a 3G Capital já mantinha participação minoritária na Eletrobras, e agora expande sua presença no setor de infraestrutura energética com a entrada na Copel.
Não há indicações públicas de que o trio pretenda exercer influência ativa nas decisões operacionais da companhia. Em comunicado ao mercado, a Copel informou que não existe "qualquer acordo ou contrato regulando o exercício do direito de voto ou compra e venda de valores mobiliários" envolvendo a Radar. A participação parece configurar, por enquanto, um investimento de portfólio.
O timing da entrada na Copel ocorre enquanto Lemann, Telles e Sicupira lidam com consequências da Americanas. Os três eram controladores da varejista até 2021 e continuam como sócios de referência. A empresa revelou fraude contábil que a levou à recuperação judicial, e o trio está em negociação com credores. Apesar dessa turbulência, a 3G Radar segue investindo em ativos de infraestrutura no Brasil, sinalizando confiança na continuidade de seus negócios no país.
Notable Quotes
Não há qualquer acordo ou contrato regulando o exercício do direito de voto ou compra e venda de valores mobiliários por parte da Radar— Copel, em comunicado ao mercado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que um trio de bilionários compraria 5% de uma companhia de energia logo após sua privatização? Que tipo de retorno eles esperam?
A 3G Capital tem histórico de investir em infraestrutura e empresas de grande escala. Energia é um setor defensivo, com fluxo de caixa previsível. Mas 5% não é controle — é uma posição de investidor relevante, talvez com olho no longo prazo.
Eles poderiam tentar tomar o controle depois?
Tecnicamente sim, mas a estrutura de corporation sem controlador majoritário torna isso mais difícil. E o comunicado da Copel deixa claro que não há acordo de voto entre a Radar e outros acionistas. Por enquanto, parece ser apenas capital alocado.
Como isso se conecta com os problemas deles na Americanas?
Aparentemente não se conecta. A Americanas está em recuperação judicial, mas a 3G Capital segue investindo em outros ativos. Pode ser sinal de que eles compartimentalizam — a varejista é um problema, mas o resto do portfólio segue funcionando.
A entrada na Copel foi planejada antes da privatização ou foi oportunismo?
Não há informação pública sobre isso. Mas a 3G já tinha participação na Eletrobras, então conhecem o setor. Pode ter sido uma decisão estratégica de longo prazo, não apenas oportunismo de última hora.
E agora, o que muda para a Copel?
Pouco, aparentemente. A Copel continua operando sem controlador majoritário. A Radar é um acionista como outro qualquer, apenas maior. A menos que o trio decida mudar de postura — o que não há indicação de que vá fazer.