Precisamos de uma visão melhor de como criamos valor para os funcionários
Bezos afirma que Amazon deve criar melhor visão para sucesso dos funcionários, comprometendo-se a ser o melhor empregador e local mais seguro para trabalhar da Terra. Em 2020, funcionários ganharam US$ 91 bilhões em compensação, benefícios e impostos, enquanto empresa gerou US$ 21,3 bilhões em lucro líquido para acionistas.
- Amazon emprega 1,3 milhão de pessoas globalmente
- Em 2020, funcionários ganharam US$ 91 bilhões em compensação total; empresa gerou US$ 21,3 bilhões em lucro para acionistas
- Funcionários de depósito em Bessemer, Alabama votaram contra sindicato dias antes da carta
- Bezos se compromete a tornar Amazon o melhor empregador e local mais seguro para trabalhar da Terra
Jeff Bezos publica carta final aos acionistas antes de passar liderança da Amazon a Andy Jassy, reconhecendo que a empresa precisa melhorar o cuidado com seus 1,3 milhão de funcionários e aumentar a segurança nos depósitos.
Jeff Bezos publicou sua carta final aos acionistas da Amazon na quinta-feira, dias antes de passar o cargo de presidente-executivo para Andy Jassy, chefe da divisão de computação em nuvem da empresa. Na mensagem, o fundador reconheceu explicitamente que a Amazon precisa melhorar significativamente a forma como trata seus funcionários — uma admissão que chega em momento delicado, logo após os trabalhadores de um depósito em Bessemer, Alabama, votarem contra a formação de um sindicato.
O reconhecimento de Bezos é notável porque contradiz a narrativa que a empresa vinha mantendo. "Embora os resultados da votação tenham sido desequilibrados e nosso relacionamento direto com os funcionários seja forte, está claro para mim que precisamos de uma visão melhor de como criamos valor para os funcionários", escreveu ele. A frase sugere que mesmo com a vitória contra a sindicalização, algo não estava certo. A Amazon, segundo maior empregador privado da América, emprega 1,3 milhão de pessoas globalmente e enfrentou críticas persistentes sobre condições adversas de trabalho, lesões por movimento repetitivo e pressão de desempenho nos depósitos.
Bezos dedicou boa parte de sua carta a defender a empresa contra acusações de tratar funcionários "como robôs". Argumentou que 94% dos trabalhadores de centros de distribuição recomendariam a Amazon como lugar para trabalhar, que as metas de desempenho são alcançáveis e que os funcionários podem fazer pausas informais sem afetar suas avaliações. Também mencionou que apenas 2,6% dos funcionários são desligados por incapacidade de desempenho. Mas essas defesas ocuparam espaço considerável justamente porque a questão permanecia viva e contestada.
Os números que Bezos apresentou revelam a escala do negócio e, implicitamente, as tensões internas. Em 2020, os funcionários ganharam US$ 91 bilhões em compensação, benefícios e impostos sobre folha de pagamento. A empresa gerou US$ 21,3 bilhões em lucro líquido para acionistas. Vendedores terceirizados na plataforma da Amazon geraram entre US$ 25 bilhões e US$ 39 bilhões em lucros. A riqueza criada para acionistas desde a fundação soma US$ 1,6 trilhão. Esses números colocam em perspectiva o que Bezos estava reconhecendo: apesar da magnitude do negócio e dos ganhos, algo faltava na relação com os trabalhadores.
Em sua nova função como presidente do conselho, Bezos disse que se concentrará em iniciativas de segurança nos depósitos. A empresa está desenvolvendo cronogramas de pessoal automatizados que usam algoritmos sofisticados para alternar funcionários entre tarefas que usam diferentes grupos de músculos e tendões, reduzindo movimento repetitivo e lesões associadas. Um programa de rotação de empregos seria lançado ao longo de 2021. Bezos descreveu isso como parte de um compromisso maior: tornar a Amazon "o melhor empregador da Terra e o lugar mais seguro para trabalhar da Terra".
A transição para Andy Jassy marca um ponto de inflexão. Bezos, que fundou a empresa 27 anos antes, passou de 158 funcionários em 1997 para 1,3 milhão em 2021. O Prime alcançou mais de 200 milhões de membros globalmente. A Amazon Web Services terminou 2020 com taxa de execução anual de US$ 50 bilhões. Mas enquanto a empresa crescia exponencialmente, as críticas sobre condições de trabalho também cresceram. A carta de Bezos sugere que essa pressão finalmente penetrou a liderança, ou pelo menos sua disposição de reconhecer publicamente que mudanças eram necessárias.
O que permanece em aberto é se o reconhecimento se traduzirá em ação substantiva. Bezos prometeu ser "teimoso e implacável" na visão de melhorar as condições dos funcionários, assim como a empresa foi com inovações anteriores como Prime e Alexa. Mas a promessa vem de alguém que está deixando o cargo executivo diário. Andy Jassy herda não apenas uma empresa de US$ 1,6 trilhão em valor de acionista, mas também uma questão trabalhista que não desaparecerá.
Notable Quotes
Embora os resultados da votação tenham sido desequilibrados e nosso relacionamento direto com os funcionários seja forte, está claro para mim que precisamos de uma visão melhor de como criamos valor para os funcionários— Jeff Bezos, na carta aos acionistas
Acho que precisamos fazer um trabalho melhor para nossos funcionários— Jeff Bezos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Bezos sente necessidade de defender a Amazon contra acusações de tratar funcionários como robôs se a empresa venceu a votação do sindicato?
Porque ganhar uma votação não resolve o problema subjacente. Os funcionários votaram contra o sindicato, mas as críticas sobre as condições de trabalho não desaparecem. Bezos está reconhecendo que a vitória foi técnica, não moral.
Ele oferece números — 94% recomendariam a empresa, apenas 2,6% são desligados. Esses números são suficientes?
São números que a própria empresa coleta. O que importa é que Bezos sentiu necessidade de apresentá-los, o que significa que alguém estava questionando. Se tudo estivesse bem, ele não precisaria se defender.
A carta menciona US$ 91 bilhões em compensação de funcionários versus US$ 21,3 bilhões em lucro para acionistas. Isso não mostra que os funcionários já ganham bem?
Mostra escala, não equidade. US$ 91 bilhões dividido por 1,3 milhão de pessoas é muito menos do que parece. E o lucro de US$ 21,3 bilhões vai para um número muito menor de acionistas. A proporção importa.
Bezos está deixando o cargo. Por que se importar com isso agora?
Porque sua carta é seu legado. Ele está dizendo ao mundo — e aos acionistas — que a Amazon precisa mudar. É uma admissão de que o modelo anterior não era sustentável, pelo menos não publicamente.
Os cronogramas automatizados para reduzir movimento repetitivo — isso resolve o problema?
É um começo técnico para um problema que é também humano. Reduz lesões, talvez. Mas não responde por que a pressão de desempenho era tão intensa em primeiro lugar.
Ele promete ser "teimoso e implacável" sobre segurança. Você acredita?
Acredito que ele acredita nisso agora. Mas ele não estará lá todos os dias. Andy Jassy herdou a promessa e o problema.