Todo mundo está correndo risco agora. Os hospitais da elite também estão lotados.
Em março de 2021, enquanto o Brasil afundava no caos pandêmico, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. nomeou em voz alta o que muitos preferiam não dizer: a elite que apostou em Bolsonaro em 2018 acreditando que o controlaria estava agora colhendo os frutos amargos dessa ilusão, com UTIs privadas lotadas e uma política econômica em ruínas. Como a direita alemã que pensou poder domesticar Hitler em 1933, a classe dominante brasileira descobriu tarde demais que havia apostado em algo que não se deixa domar. A pandemia, indiferente à riqueza, cobrava sua conta de todos — embora, como sempre, os mais pobres pagassem o preço mais alto.
- Hospitais privados, último refúgio dos ricos, entraram em colapso: UTIs lotadas, insumos em falta e profissionais esgotados tornaram o dinheiro incapaz de garantir um leito.
- Bolsonaro, eleito com o apoio entusiasmado da elite como alternativa controlável ao PT, revelou-se ingovernável — sem superministros, sem mediadores, sem freios.
- O fracasso econômico do governo aprofundava o arrependimento entre os mais abastados, que viam seus interesses sacrificados pelas mesmas decisões que haviam aplaudido.
- Enquanto o Brasil implodia, Lula propunha ao G20 uma reunião extraordinária sobre vacinação global, resgatando a memória de 2008 quando o fórum salvou a economia mundial da catástrofe.
- A pergunta que pairava sobre tudo: quando a direita tradicional brasileira reconheceria o tamanho do preço que estava pagando — e que o povo pobre pagava ainda mais caro?
Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do Banco dos BRICS, falou à TV 247 em março de 2021 com a serenidade de quem enuncia uma consequência inevitável: a elite brasileira estava recebendo a conta de sua aposta em Bolsonaro três anos antes.
A pandemia havia derrubado a última barreira que separava ricos e pobres no Brasil. As UTIs privadas estavam repletas, faltavam materiais e pessoal médico, e mesmo quem tinha dinheiro não conseguia garantir um leito adequado. "Todo mundo está correndo risco agora", disse o economista, reconhecendo que as elites ainda tinham mais meios de se proteger, mas que o colapso sanitário havia atravessado todas as fronteiras de classe.
Mas o diagnóstico de Nogueira Batista Jr. ia além da crise hospitalar. Ele apontava para um erro de cálculo histórico: em 2018, os setores dominantes apoiaram Bolsonaro convictos de que o controlariam após a eleição. O economista comparava essa ilusão à da direita alemã que, em 1933, acreditou poder domesticar Hitler. Bolsonaro não permitiu o surgimento de nenhum superministro com influência real e governou sem mediadores. O resultado era uma política econômica desastrosa que prejudicava os mesmos interesses que o haviam alçado ao poder.
Em paralelo, Nogueira Batista Jr. elogiava uma movimentação de Lula no cenário internacional. Em entrevistas à CNN americana e ao Le Monde francês, o ex-presidente havia proposto a Biden, Macron e Putin a convocação de uma reunião extraordinária do G20 dedicada à aceleração da vacinação global. Lula conhecia bem o potencial do fórum: em 2008, havia sido peça central na transformação do G20 de instância técnica em espaço de líderes mundiais, superando o G7 na coordenação da resposta à crise financeira. Agora, diante de uma pandemia que não respeitava fronteiras, o G20 permanecia inerte — e Lula propunha reativar um instrumento que já havia funcionado, desta vez a serviço de uma crise sanitária que nenhum país poderia enfrentar sozinho.
Paulo Nogueira Batista Jr., economista que já ocupou a vice-presidência do Banco dos BRICS, sentou-se diante das câmeras da TV 247 em março de 2021 com uma observação que soava como uma sentença inevitável: a elite brasileira estava finalmente recebendo a conta de sua aposta em Jair Bolsonaro três anos antes.
A pandemia de Covid-19 havia transformado o Brasil em caos. Os hospitais privados, redutos tradicionais da classe média e dos ricos, estavam com suas unidades de terapia intensiva repletas. Faltavam materiais essenciais, pessoal médico, insumos básicos. O economista não poupou palavras ao descrever a situação: mesmo quem tinha dinheiro não conseguia garantir um leito adequado se contraísse o vírus. "Não chegou da mesma maneira que chegou para o pobre, óbvio, porque as elites têm condições de se proteger mais. Mas todo mundo está correndo risco agora", disse ele. As instituições de saúde privada enfrentavam os mesmos problemas que assolavam o sistema público — falta de tudo, desde equipamentos até profissionais.
Mas o colapso sanitário era apenas parte da história. Nogueira Batista Jr. apontava para algo mais profundo: um erro de cálculo político que a elite brasileira havia cometido em 2018. Aqueles que apoiaram Bolsonaro acreditavam que conseguiriam controlá-lo uma vez que ele chegasse ao poder. Era uma ilusão que o economista comparava à decisão da direita alemã em 1933, quando apoiou a formação de um governo com Adolf Hitler na esperança de domesticá-lo. "O pessoal da 'escolha difícil' achou que apoiando o Bolsonaro, evitaria o PT, e que acabaria conseguindo controlá-lo", explicou. Mas Bolsonaro se mostrou incontrolável. Ele não permitiu o surgimento de nenhum superministro capaz de exercer influência real. Ele governava sozinho, sem freios, sem mediadores.
O fracasso econômico do governo acelerava o arrependimento entre os mais ricos. A política econômica de Bolsonaro havia se mostrado desastrosa, e agora a classe média enfrentava as consequências não apenas da pandemia, mas também de decisões governamentais que prejudicavam seus interesses. O economista questionava quando a direita tradicional brasileira, aquela que se autodenominava "centro", compreenderia o tamanho do preço que estava pagando — e que o povo mais pobre pagava ainda mais caro.
Em paralelo a essa análise sobre o fracasso doméstico, Nogueira Batista Jr. comentou uma movimentação internacional que considerava sagaz. Lula, em entrevistas à CNN americana e ao jornal francês Le Monde, havia feito uma provocação aos presidentes Joe Biden, Emmanuel Macron e Vladimir Putin: convocar uma reunião extraordinária do G20 dedicada exclusivamente à aceleração da vacinação global contra a Covid-19. O economista reconhecia a inteligência por trás da sugestão. Lula tinha memória viva do papel que o G20 havia desempenhado durante a crise financeira internacional de 2008 e 2009. Naquele momento, o ex-presidente havia sido fundamental para transformar o G20 de um foro técnico em um espaço de líderes mundiais, substituindo o G7 como principal instância de coordenação global. Ele havia trabalhado essa transformação em diálogo com o presidente americano George W. Bush.
Agora, diante de uma crise ainda mais grave — a pandemia transcendia fronteiras nacionais e exigia cooperação internacional —, Lula percebia que o G20 permanecia invisível, inerte. Por que o grupo que havia sido tão importante em 2008 não poderia atuar de maneira coordenada em 2021? A lógica era simples, mas sua execução dependeria da vontade política de potências que enfrentavam seus próprios desafios. O economista via na proposta uma tentativa de resgatar um instrumento que havia funcionado antes, agora direcionado para um desafio sanitário global que nenhum país poderia resolver sozinho.
Citas Notables
Não chegou da mesma maneira que chegou para o pobre, óbvio, porque as elites têm condições de se proteger mais. Mas todo mundo está correndo risco agora.— Paulo Nogueira Batista Jr., economista
O Bolsonaro se mostra incontrolável. Ele não permitiu o surgimento de nenhum superministro.— Paulo Nogueira Batista Jr.
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o economista compara a situação com a Alemanha de 1933? Parece uma comparação muito forte.
Porque a lógica é idêntica. A elite alemã apoiou Hitler acreditando que conseguiria controlá-lo, que ele seria um instrumento útil. Bolsonaro foi apoiado pela mesma razão — para evitar o PT. Mas em ambos os casos, quem foi eleito se mostrou incontrolável, sem mediadores, sem freios institucionais.
E por que a elite brasileira está sofrendo agora especificamente?
Porque a pandemia não respeita classe social. Os hospitais privados estão tão lotados quanto os públicos. Quem tem dinheiro esperava poder se proteger melhor, e descobriu que não pode. Mas também porque a economia está desastrosa — a política econômica de Bolsonaro prejudica os interesses até de quem o apoiou.
A sugestão de Lula sobre o G20 parece desconectada dessa realidade brasileira. Por que o economista a menciona?
Porque mostra uma alternativa de liderança. Enquanto Bolsonaro é incontrolável e isolacionista, Lula propõe cooperação internacional para resolver um problema que nenhum país resolve sozinho. É um contraste claro.
Você acha que o G20 teria realmente feito diferença na vacinação?
Não sabemos. Mas o ponto é que Lula estava pensando em escala global enquanto o Brasil descia aos infernos. Ele tinha experiência de ter feito isso antes, em 2008, quando o mundo precisava de coordenação. Agora ninguém estava coordenando nada.
E a elite — ela finalmente entendeu o erro?
O economista questiona isso. Ele pergunta quando a direita tradicional brasileira vai compreender. A resposta implícita é: talvez nunca. Porque o preço que eles pagam ainda é menor que o preço que o povo mais pobre paga.