Sánchez lidera protesto enquanto Fujimori mantém leve vantagem na apuração peruana

Claramente, isso não é um padrão democrático
Sánchez protesta contra a negação do direito de manifestação durante a marcha em Lima.

No Peru, uma eleição presidencial de resultado apertadíssimo coloca frente a frente dois projetos de país e duas visões de legitimidade democrática. Com quase todas as urnas apuradas, Keiko Fujimori lidera por pouco mais de quarenta mil votos, sustentada pelo voto dos peruanos no exterior, enquanto Roberto Sánchez leva seus apoiadores às ruas de Lima recusando-se a aguardar em silêncio. O que está em jogo não é apenas quem governa, mas a confiança de um povo nas instituições que contam seus votos.

  • Com 99,64% das urnas apuradas, apenas 41.474 votos separam Fujimori e Sánchez — uma margem que mantém o país inteiro em suspense.
  • Sánchez liderou uma marcha noturna em Lima, denunciando irregularidades e afirmando que as autoridades tentavam silenciar sua manifestação como se ela fosse ilegal.
  • O partido Juntos por el Peru entrou com ações judiciais para anular votos de Lima e do exterior, alegando que mudanças nas regras eleitorais beneficiaram Fujimori de forma injusta.
  • A vantagem de Fujimori vem quase inteiramente do voto da diáspora peruana, onde ela obtém 63% — enquanto Sánchez lidera dentro do próprio território nacional.
  • Observadores da OEA e da União Europeia atestaram a normalidade da votação, mas o partido de Sánchez já declarou que não reconhecerá o resultado final, aprofundando a crise.

A noite de sexta-feira em Lima foi tomada por gritos. Roberto Sánchez, candidato de esquerda ao segundo turno presidencial peruano, caminhou pelas ruas da capital com seus apoiadores exigindo transparência eleitoral. Com 99,64% das urnas apuradas no sábado, ele via Keiko Fujimori à sua frente: 50,113% contra 49,887%, separados por apenas 41.474 votos.

Sánchez não aceitava o resultado sem contestar. Seu partido entrou com ações judiciais pedindo a anulação de votos de Lima e do exterior, alegando padrões de votação irregulares e mudanças nas regras que teriam favorecido a rival. Do megafone, o candidato denunciou que chamavam sua marcha de ilegal. "Claramente, isso não é um padrão democrático", disse ele.

A vantagem de Fujimori tinha origem precisa: os peruanos que vivem fora do país, onde ela conquistou 63,206% dos votos. Dentro do Peru, era Sánchez quem liderava. Em sua quarta tentativa de chegar à presidência, Fujimori aguardava o resultado com calma — e poderia se tornar a primeira mulher eleita diretamente para o cargo, se o resultado se confirmasse.

Entre os manifestantes, a professora Alicia Mamani resumia o sentimento de muitos: "Ele tem a maioria dos votos em todas as 16 regiões. É um voto limpo que o povo lhe deu, e isso deve ser respeitado." O Escritório Nacional de Eleições ainda precisava analisar cerca de 87 mil votos contestados. Missões da OEA e da União Europeia afirmaram que a votação transcorreu normalmente e pediram paciência — mas nas ruas de Lima, a espera estava longe de ser calma.

A noite de sexta-feira em Lima foi tomada por gritos de protesto. Roberto Sánchez, candidato de esquerda ao segundo turno presidencial do Peru, percorreu as ruas da capital ao lado de seus apoiadores, exigindo o que chamou de justiça eleitoral e transparência. Atrás dele na contagem, com 99,64% das urnas já apuradas no sábado, Sánchez via Keiko Fujimori, a candidata conservadora, à frente com 50,113% dos votos contra seus 49,887%. A margem era estreita — apenas 41.474 votos separavam os dois candidatos.

Sánchez não aceitava o resultado sem questionar. Seu partido, Juntos por el Peru, havia entrado com ações judiciais na Justiça eleitoral pedindo a anulação de votos de Lima e do exterior, alegando padrões de votação que favoreceram Fujimori e mudanças nas regras que afetaram os votos vindos de fora do país. Durante o protesto, o candidato denunciou que lhe negavam o direito de se manifestar, que as autoridades chamavam a marcha de ilegal. "Claramente, isso não é um padrão democrático", disse ele do megafone, enquanto seu povo permanecia nas ruas exigindo ser ouvido.

A vantagem de Fujimori tinha uma origem bem definida: os peruanos que vivem no exterior. Naqueles votos, ela conquistava 63,206%, enquanto Sánchez liderava dentro do Peru com 50,110%. Era a votação internacional que a mantinha à frente. Fujimori, em sua quarta tentativa de chegar à Presidência, aguardava calmamente o resultado final, segundo seus porta-vozes. Ela poderia se tornar a primeira mulher eleita diretamente para o cargo, se confirmado o resultado — embora tivesse perdido três segundos turnos anteriores, o mais recente em 2021, quando foi derrotada por Pedro Castillo por apenas 44.200 votos.

Alicia Mamani, uma professora que marchava ao lado de Sánchez, expressava a frustração de seus apoiadores. "Buscamos a democracia com Roberto Sánchez como presidente porque ele tem a maioria dos votos em todas as 16 regiões. É um voto limpo que o povo lhe deu, e isso deve ser respeitado", disse ela. Para ela e para muitos outros, Sánchez representava a democracia, enquanto Fujimori representava algo diferente.

O Escritório Nacional de Eleições do Peru ainda precisava analisar cerca de 87 mil votos contestados. Enquanto essa revisão lenta e meticulosa prosseguia, o partido de Sánchez já havia declarado que não respeitaria o resultado final das eleições. A tensão que tomava o país desde 7 de junho — quando a votação ocorreu — continuava sem resolução clara. Missões de observação da Organização dos Estados Americanos e da União Europeia haviam afirmado, separadamente, que a votação transcorreu normalmente e pediram aos candidatos que aguardassem o resultado oficial. Mas nas ruas de Lima, a espera era tudo menos calma.

Buscamos a democracia com Roberto Sánchez como presidente porque ele tem a maioria dos votos em todas as 16 regiões. É um voto limpo que o povo lhe deu, e isso deve ser respeitado
— Alicia Mamani, professora e apoiadora de Sánchez
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Sánchez decidiu ir às ruas naquele momento, com a contagem ainda em andamento?

Model

Porque estava perdendo, e a margem era tão fina que qualquer coisa poderia mudar. Ele precisava mostrar que tinha povo, que tinha legitimidade, enquanto questionava a legitimidade dos votos que o colocavam para trás.

Inventor

A vantagem de Fujimori vem principalmente do exterior. Isso é suspeito ou é apenas como as coisas funcionam?

Model

Não é necessariamente suspeito — peruanos que vivem fora tendem a votar diferente de quem fica no país. Mas para Sánchez e seus apoiadores, aquela diferença era prova de que algo estava errado nas regras, não apenas nas preferências.

Inventor

Ele disse que não respeitaria o resultado. Isso é uma ameaça real?

Model

É uma declaração de que a luta não termina quando a contagem termina. Para um partido que acredita que foi roubado, aceitar seria capitular. A questão é se conseguem convencer outras pessoas disso.

Inventor

As missões internacionais disseram que tudo correu normalmente. Isso encerra o debate?

Model

Para observadores externos, sim. Mas para quem está dentro da disputa, um relatório internacional é apenas um papel. O que importa é quem controla a narrativa nos próximos dias.

Inventor

Fujimori já perdeu três vezes. Por que ela continua tentando?

Model

Porque desta vez estava ganhando. E porque para alguém como ela, a Presidência não é apenas um cargo — é validação, é poder, é a chance de fazer o que acredita que o país precisa.

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