Ou tenho 100% de vitória, ou 100% de derrota
De Washington, o deputado Eduardo Bolsonaro conduz uma campanha silenciosa para ampliar sanções americanas contra autoridades brasileiras, condicionando seu retorno ao país à queda do ministro Alexandre de Moraes e à anistia de aliados do 8 de janeiro. Num momento em que tarifas de 50% já pesam sobre exportadores brasileiros, ele abraça o custo econômico como preço aceitável por aquilo que chama de restauração democrática. A cena revela um político disposto a usar a política externa de uma superpotência como alavanca em disputas internas — uma aposta que redefine os limites entre oposição e pressão estrangeira.
- Eduardo Bolsonaro admite trabalhar com assessores de Trump para expandir sanções americanas a parlamentares brasileiros que não pautem o impeachment de Moraes ou a anistia dos aliados do 8 de janeiro.
- Os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, foram explicitamente ameaçados de entrar no 'radar das autoridades americanas' caso não avancem com as pautas exigidas.
- Apesar dos impactos devastadores do tarifaço de 50% sobre o agronegócio brasileiro, Eduardo defende a medida como 'sacrifício necessário' e agradece a atenção de Trump ao Brasil.
- Vivendo em exílio nos Estados Unidos, o deputado visita a Casa Branca 'quase toda semana' e mantém contato regular com republicanos e Steve Bannon, sugerindo influência real sobre decisões americanas.
- Sem aceitar meio-termo — '100% de vitória ou 100% de derrota' —, Eduardo não descarta candidatura presidencial em 2026 e estuda justificar sua ausência do Brasil com um ofício alegando perseguição política.
Eduardo Bolsonaro revelou ao jornal O Globo que trabalha nos bastidores para que Washington expanda as sanções já impostas a ministros do STF — restrições de visto e bloqueio de bens — atingindo outras autoridades brasileiras que, em sua avaliação, bloqueiam suas demandas. No centro de tudo está Alexandre de Moraes: o deputado condiciona seu retorno ao Brasil à saída do ministro da corte e exige uma anistia que descreve como 'ampla, geral e irrestrita' para os condenados e investigados pelo 8 de janeiro.
Quando essas pautas não avançam no Congresso, Eduardo aponta diretamente para Hugo Motta e Davi Alcolumbre. 'Uma vez que não é pautado o impeachment do ministro Alexandre de Moraes no Senado, uma vez que o presidente da Câmara não pauta uma anistia, eles estão entrando no radar das autoridades americanas', declarou, transformando a ameaça de sanção estrangeira em instrumento de pressão doméstica.
Sobre o tarifaço de 50% imposto por Trump aos produtos brasileiros — que entrou em vigor no mesmo dia da entrevista —, Eduardo adota uma posição que desafia a lógica econômica: defende a medida como 'sacrifício necessário' e afirma que o custo vale a pena para desmantelar o que chama de 'ditadura de toga'. Sua lógica é binária e sem concessões: 'Ou tenho 100% de vitória, ou 100% de derrota.'
Sua proximidade com o círculo de Trump é descrita como frequente e concreta — visitas à Casa Branca 'quase toda semana', diálogo regular com republicanos e contato com Steve Bannon. Mesmo vivendo nos Estados Unidos, Eduardo não pretende renunciar ao mandato, estudando enviar um ofício à Câmara alegando perseguição para justificar a ausência. E não descarta disputar a Presidência em 2026, desde que conte com o apoio do pai e consiga antes o que chama de 'normalidade democrática' — expressão que, em seu vocabulário, significa remover Moraes e anistiar seus aliados.
Eduardo Bolsonaro está trabalhando nos bastidores para que o governo americano aperte ainda mais o cerco contra o Brasil. Em entrevista ao jornal O Globo publicada na quarta-feira, o deputado federal pelo PL de São Paulo revelou que sua estratégia passa por pressionar Washington a expandir as sanções já impostas contra ministros do Supremo Tribunal Federal — restrições de visto e bloqueio de bens — para alcançar outras autoridades brasileiras que, em sua visão, estão obstruindo seu caminho.
No centro dessa disputa está o ministro Alexandre de Moraes. Eduardo condiciona seu retorno ao Brasil à saída de Moraes da corte. Ele também busca uma anistia que ele descreve como "ampla, geral e irrestrita" para aliados condenados ou investigados pelos eventos de 8 de janeiro. Quando essas demandas não avançam no Congresso, ele aponta o dedo para os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. "Uma vez que não é pautado o impeachment do ministro Alexandre de Moraes no Senado, uma vez que o presidente da Câmara não pauta uma anistia, eles estão entrando no radar das autoridades americanas", declarou.
A lógica que Eduardo apresenta é binária e sem meio termo. "Ou tenho 100% de vitória, ou 100% de derrota", afirmou. Ele vê seu futuro político como dependente dessa vitória total — caso contrário, resigna-se a viver décadas em exílio nos Estados Unidos. Essa postura reflete uma aposta de alto risco em sua capacidade de influenciar a política americana em seu favor.
Sobre o tarifaço de 50% que Donald Trump impôs aos produtos brasileiros — medida que entrou em vigor no mesmo dia da entrevista — Eduardo adota uma posição que desafia a lógica econômica convencional. Ele defende a tarifa como um "sacrifício necessário" e nega ter recebido críticas do agronegócio, apesar dos óbvios impactos sobre exportadores brasileiros. Para ele, o custo econômico vale a pena se servir para desmantelar o que chama de "ditadura de toga". "Dou graças a Deus que ele voltou suas atenções para o Brasil. Acho que tem valido a pena", disse.
Sua conexão com o círculo de Trump é próxima e frequente. Eduardo mantém diálogo regular com políticos republicanos, assessores da administração Trump e Steve Bannon, o ex-estrategista que foi influente na primeira gestão do presidente americano. Ele afirma visitar a Casa Branca "quase toda semana", sugerindo um acesso que poucos políticos brasileiros possuem.
Ainda que viva nos Estados Unidos, Eduardo não pretende renunciar ao seu mandato de deputado. Ele estuda enviar um ofício à Câmara alegando "perseguição" para justificar sua ausência prolongada do país. Além disso, não descarta disputar a Presidência da República em 2026, desde que receba apoio de seu pai, Jair Bolsonaro, e consiga antes restaurar o que ele chama de "normalidade democrática no Brasil" — uma expressão que, no seu vocabulário, significa remover Moraes do STF e anistiar seus aliados.
O quadro que emerge é o de um deputado que aposta tudo em uma estratégia de pressão externa, usando sua proximidade com a administração americana como moeda de troca na política doméstica brasileira. Sua disposição de aceitar danos econômicos ao país como preço necessário, combinada com sua recusa em aceitar qualquer resultado que não seja vitória total, sugere uma escalada contínua de tensão entre sua fação e as instituições brasileiras.
Citações Notáveis
Uma vez que não é pautado o impeachment do ministro Alexandre de Moraes no Senado, uma vez que o presidente da Câmara não pauta uma anistia, eles estão entrando no radar das autoridades americanas— Eduardo Bolsonaro
Dou graças a Deus que ele voltou suas atenções para o Brasil. Acho que tem valido a pena— Eduardo Bolsonaro, sobre as sanções de Trump
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como um deputado brasileiro consegue acesso tão frequente à Casa Branca?
Eduardo construiu essa proximidade ao longo dos anos. Ele é filho do ex-presidente Bolsonaro, tem conexões com republicanos que apoiaram seu pai, e agora está vivendo nos EUA. Quando você está geograficamente próximo e tem a rede certa, as portas abrem.
Ele realmente acredita que Trump vai ampliar sanções contra o Brasil por causa dele?
Não é tão simples. Trump já tem seus próprios interesses econômicos e geopolíticos. Eduardo está tentando alinhar esses interesses com suas demandas domésticas. Se funciona ou não, é outra questão.
Por que ele defende uma tarifa que prejudica o Brasil?
Porque, para ele, o custo econômico é secundário. O objetivo é criar pressão política interna. Se a economia sofre, talvez o Congresso ceda às suas demandas. É uma estratégia de queimar o navio.
E se ele não conseguir a vitória total que diz querer?
Ele mesmo respondeu: exílio por décadas. Ele colocou tudo nessa aposta. Não há volta fácil.
Motta e Alcolumbre devem estar preocupados com essas ameaças?
Provavelmente. Ser incluído em um "radar americano" pode ter consequências reais — restrições de visto, bloqueio de bens. É uma ameaça que não pode ser ignorada, mesmo que pareça vir de um deputado em exílio.
Ele consegue manter o mandato vivendo fora do Brasil?
Tecnicamente, sim. Ele quer enviar um ofício alegando perseguição. É um argumento frágil, mas em um Congresso fragmentado, pode funcionar. Ninguém quer ser visto como perseguindo um deputado.