Experiência que envolve setor público e privado traz um olhar específico
Em um ano eleitoral que convida o país à reflexão sobre seu próprio futuro, Ana Paula Vescovi — economista formada nas trincheiras do setor público e temperada pelo mercado financeiro — passa a assinar uma coluna mensal na Folha de S.Paulo. Sua chegada representa menos uma estreia e mais um retorno: o de uma voz que conhece a política econômica por dentro, agora disposta a traduzi-la para o espaço público. É o gesto de quem acredita que análise séria e linguagem acessível não são opostos irreconciliáveis.
- Em ano de eleições presidenciais, a Folha reforça seu quadro de colunistas com uma economista que viveu a política fiscal de dentro — não como observadora, mas como protagonista.
- O desafio não é pequeno: traduzir 25 anos de gestão pública e experiência no mercado em prosa que alcance leitores com formações e interesses radicalmente distintos.
- Vescovi carrega um currículo que atravessa Tesouro Nacional, Ministério da Fazenda, Caixa Econômica Federal e Santander — uma trajetória que poucos colunistas de economia podem reivindicar.
- A coluna mensal aos domingos no caderno Política posiciona sua voz justamente no espaço onde economia e poder se encontram — e onde o debate eleitoral de 2022 vai se intensificar.
- O teste real será manter profundidade analítica sem recorrer ao jargão técnico que afasta o leitor comum — um equilíbrio raro no jornalismo econômico brasileiro.
Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander Brasil, estreia como colunista mensal da Folha de S.Paulo a partir deste fim de semana. Seus textos serão publicados aos domingos, no caderno de Política, tanto na versão impressa quanto no site — um espaço que ela enxerga como ponte entre o mundo técnico da economia e o leitor comum.
A trajetória que ela traz para essa nova função é marcada pela travessia entre dois mundos. Foram 25 anos como servidora pública federal, com passagens pela Secretaria do Tesouro Nacional, pelo Ministério da Fazenda, pela presidência dos conselhos da Caixa Econômica Federal e do Instituto de Resseguros do Brasil, além da Secretaria da Fazenda do Espírito Santo. Depois, o setor privado — e agora, a análise pública.
O momento da estreia não é neutro. Vescovi reconhece que 2022, por ser ano eleitoral, é um período em que o país discute programas e projetos para seu futuro — e vê nisso uma oportunidade de contribuição. Para ela, escrever na Folha significa enfrentar um desafio específico de comunicação: abordar temas complexos com clareza para públicos muito diferentes entre si.
A proposta é didática sem ser simplista. Vescovi quer aproveitar sua experiência heterogênea — que inclui política econômica, gestão fiscal e políticas públicas em diferentes níveis de governo — para oferecer uma perspectiva que não é de gabinete, mas de quem esteve no centro das decisões. Traduzir isso em prosa acessível é o exercício que ela se impõe.
Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander Brasil, começará a escrever para a Folha a partir deste fim de semana. Seus textos aparecerão uma vez por mês, sempre aos domingos, tanto na edição impressa quanto no site, dentro do caderno de Política. É um retorno à esfera pública de análise para uma profissional que passou a maior parte de sua carreira transitando entre os dois mundos — governo e mercado.
Vescovi traz consigo um currículo que reflete essa trajetória dupla. Trabalhou 25 anos como servidora pública federal, ocupando postos de peso na máquina estatal: foi secretária-executiva do Ministério da Fazenda e secretária do Tesouro Nacional, além de ter presidido os conselhos de administração da Caixa Econômica Federal e do Instituto de Resseguros do Brasil. Também atuou como secretária da Fazenda do estado do Espírito Santo. Sua formação acadêmica inclui mestrados em administração pública e em economia do setor público.
O timing da estreia não é casual. Vescovi reconhece que 2022 é um ano de eleições presidenciais, momento em que o país discute programas, ideias e projetos para seu futuro. Para ela, trata-se de uma oportunidade de contribuir com análise em um período de importância particular. A colunista vê a Folha como um veículo que alcança leitores com perfis muito variados, o que ela descreve como um desafio de comunicação — a necessidade de abordar temas complexos de forma clara e acessível a públicos diversos.
Em suas colunas, Vescovi pretende aproveitar essa experiência profissional heterogênea para oferecer um olhar analítico sobre os principais assuntos que interessam à sociedade. Sua passagem por diferentes esferas de governo — especialmente nos níveis estadual e federal, além do Legislativo — e sua atuação posterior no setor privado lhe dão uma perspectiva que ela mesma descreve como específica. Não é a visão de um economista de gabinete, mas de alguém que trabalhou com política econômica, gestão fiscal e financeira, e políticas públicas de verdade.
O desafio que ela coloca para si mesma é traduzir essa experiência em prosa que funcione para leitores que não necessariamente têm formação em economia ou acompanhamento diário de política. A intenção é didática, sem ser simplista — manter a profundidade analítica enquanto se comunica com clareza. É um exercício que muitos colunistas tentam e poucos dominam bem, especialmente quando o tema é economia, um campo que resiste naturalmente à vulgarização.
Citas Notables
É um ano de eleições no qual esperamos ter uma discussão profícua de programas, ideias e projetos para o futuro do país— Ana Paula Vescovi
A Folha abarca um conjunto muito amplo de leitores com diferentes perfis, o que é um desafio de comunicação para abordar fatos de forma didática— Ana Paula Vescovi
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que agora? Você poderia ter escrito em qualquer momento da carreira.
O ano eleitoral muda as coisas. Há uma conversa acontecendo no país sobre o que vem depois, e isso cria espaço para análise que não é só reativa. É o momento certo para trazer experiência.
Você mencionou o desafio de falar para públicos diferentes. Qual é o risco real aí?
O risco é cair em um dos dois extremos — ou ser tão técnico que ninguém lê, ou ser tão simplista que perde a substância. A Folha tem leitores que entendem economia e leitores que querem entender. Preciso servir aos dois.
Seus 25 anos no setor público — o que você aprendeu lá que não aprenderia no Santander?
Como as coisas realmente funcionam quando há restrições orçamentárias de verdade, quando você não pode simplesmente contratar mais gente ou mudar de estratégia. E como política e economia não são separadas — elas se tocam o tempo todo.
E no Santander, o que mudou na sua perspectiva?
Você vê o outro lado. Vê como as decisões do governo afetam empresas, mercados, pessoas que trabalham no setor privado. Não é melhor nem pior — é diferente. Ambas as experiências são necessárias para pensar bem sobre o Brasil.
Uma coluna por mês é pouco. Você não quer escrever mais?
Uma coluna bem feita é melhor que muitas escritas com pressa. E eu tenho meu trabalho no Santander. Isso é um espaço para contribuir com análise, não para virar colunista em tempo integral.