A transição energética deixou de ser apenas ambiental
Em um momento em que as prioridades climáticas recuam em algumas das maiores economias do mundo, o mercado global de soluções ambientais alcançou um valor histórico de US$ 10 trilhões — sinalizando que as forças econômicas profundas muitas vezes transcendem as oscilações políticas de curto prazo. A receita gerada por atividades verdes chegou a US$ 5,5 trilhões em 2025, no ritmo de expansão mais acelerado desde 2022, distribuído por 99 das 133 categorias ambientais rastreadas globalmente. O capital, ao que parece, encontrou no verde não apenas uma causa, mas uma convicção.
- O índice de energia limpa S&P Global Clean Energy Transition disparou mais de 80% desde o final de 2024 — mais que o dobro do retorno do S&P 500 no mesmo período.
- Veículos elétricos e baterias avançadas sozinhos adicionaram US$ 62 bilhões em receita, evidenciando que a transição tecnológica já é uma realidade financeira mensurável.
- Fusões e aquisições verdes somaram US$ 4,1 trilhões na última década, com a proposta da NextEra Energy de adquirir a Dominion Energy por US$ 67 bilhões como maior aposta do ano.
- Empresas com mais de 20% de receita em atividades verdes superam consistentemente o mercado geral, pressionando investidores céticos a reavaliar sua exposição ao setor.
- Os Estados Unidos, apesar de políticas voltadas ao petróleo e gás, ainda representam 57% da capitalização de mercado verde global — uma contradição que revela a autonomia das forças econômicas.
O mercado global de soluções climáticas atingiu um marco sem precedentes: empresas listadas em bolsas ao redor do mundo que geram receita com produtos e serviços ambientais somam agora um valor de mercado de US$ 10 trilhões. A receita proveniente especificamente de atividades verdes — energia renovável, reciclagem, água potável, eficiência energética — chegou a US$ 5,5 trilhões em 2025, no ritmo mais acelerado de expansão desde 2022, segundo análise da LSEG, a bolsa de valores de Londres.
O crescimento não se concentrou em nichos isolados. Das 133 categorias de produtos e serviços ambientais rastreadas em mais de 21 mil empresas globais, 99 registraram ganhos. Veículos elétricos e baterias avançadas se destacaram, adicionando US$ 62 bilhões em receita ao longo do período. Os investidores responderam: empresas com mais de um quinto da receita em atividades verdes superaram consistentemente o mercado acionário em geral, e o índice S&P Global Clean Energy Transition subiu mais de 80% desde o final de 2024 — desempenho notável diante de um cenário geopolítico turbulento e do recuo climático em economias como a dos Estados Unidos.
A resiliência do setor tem raízes estruturais. A LSEG aponta que a transição energética entra em nova fase, movida não apenas por imperativos ambientais, mas por segurança econômica e competitividade. Fusões e aquisições verdes totalizaram US$ 4,1 trilhões na última década — quase 13% de todas as transações globais. O maior acordo do ano é a proposta da NextEra Energy de adquirir a Dominion Energy por cerca de US$ 67 bilhões, criando um dos maiores gigantes de energia verde da América do Norte, com mais de US$ 15,9 bilhões em receitas verdes combinadas.
Um paradoxo ilumina o momento: apesar de políticas domésticas voltadas ao petróleo e gás, os Estados Unidos ainda representam 57% da capitalização de mercado verde global. O dado sugere que, independentemente das prioridades políticas imediatas, as forças econômicas subjacentes continuam direcionando o capital para soluções climáticas — com ou sem o endosso dos governos.
O mercado global de soluções climáticas atingiu um marco histórico. Empresas listadas em bolsas de valores ao redor do mundo que geram receita com produtos e serviços ambientais agora somam um valor de mercado de US$ 10 trilhões. Esse número representa não apenas o tamanho crescente do setor, mas também uma mudança fundamental em como os investidores avaliam o futuro econômico.
O motor desse crescimento é concreto: a receita gerada especificamente por atividades verdes — desde energia renovável até reciclagem, passando por água potável e eficiência energética — alcançou US$ 5,5 trilhões em 2025. Esse avanço marca o ritmo mais acelerado de expansão desde 2022, segundo análise divulgada pela LSEG, a bolsa de valores de Londres. O crescimento não foi concentrado em poucos setores. Das 133 categorias de produtos e serviços ambientais rastreadas pela LSEG em mais de 21 mil empresas globais, 99 registraram ganhos. Veículos elétricos e baterias avançadas foram particularmente robustos, adicionando US$ 62 bilhões em receita ao longo do período.
Os investidores responderam com entusiasmo. Empresas que obtêm mais de um quinto de sua receita de atividades verdes têm superado consistentemente o desempenho do mercado de ações em geral. O índice S&P Global Clean Energy Transition subiu mais de 80% desde o final de 2024 — mais que o dobro do retorno do S&P 500 no mesmo período. Esse desempenho é particularmente notável considerando o contexto geopolítico turbulento e o recuo das prioridades climáticas em algumas das maiores economias do mundo, especialmente nos Estados Unidos.
A resiliência do setor verde não é acidental. Segundo a LSEG, a transição energética está entrando em uma nova fase, impulsionada não apenas por imperativos ambientais, mas também por segurança econômica e competitividade. Jaakko Kooroshy, chefe global de pesquisa de investimentos sustentáveis da LSEG, sugeriu que investidores que perderam interesse em ações verdes enfrentam agora uma necessidade urgente de reavaliar sua exposição ao setor.
As fusões e aquisições estão se tornando um mecanismo crucial para acelerar essa transição. Na última década, operações relacionadas a energias verdes totalizaram US$ 4,1 trilhões — quase 13% do valor total de todas as transações globais. Este ano, o maior acordo foi a proposta da NextEra Energy de pagar aproximadamente US$ 67 bilhões em ações pela Dominion Energy. A transação criaria um dos maiores gigantes de energia verde da América do Norte. Juntas, as duas empresas gerariam mais de US$ 15,9 bilhões em receitas verdes, provenientes de fontes eólicas, solares, nucleares e armazenamento em baterias — representando cerca de 36% da receita combinada.
Um detalhe que captura a complexidade do momento: apesar de uma política que mudou o foco para a produção doméstica de petróleo e gás, os Estados Unidos continuam sendo a maior economia verde em capitalização de mercado, representando 57% do total global. Isso sugere que, independentemente das prioridades políticas de curto prazo, as forças econômicas subjacentes continuam empurrando o capital para soluções climáticas.
Notable Quotes
Investidores que perderam interesse em ações verdes enfrentam agora uma urgência em reavaliar sua exposição ao setor— Jaakko Kooroshy, chefe global de pesquisa de investimentos sustentáveis da LSEG
A transação proposta criaria um dos maiores gigantes da energia verde na América do Norte— Jaakko Kooroshy, sobre o acordo NextEra-Dominion
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que as empresas verdes estão superando o mercado geral agora, especialmente com a política americana mudando de direção?
Porque a transição energética deixou de ser apenas uma questão ambiental. Agora é sobre segurança econômica, independência energética e competitividade. Os investidores veem isso claramente.
Mas US$ 10 trilhões é um número real ou uma bolha de avaliação?
É real no sentido de que representa receita concreta — US$ 5,5 trilhões em 2025 — não apenas esperança futura. Empresas estão vendendo painéis solares, baterias, carros elétricos. O dinheiro está circulando.
E as fusões e aquisições? Por que as empresas estão se consolidando agora?
Porque a escala importa. Um acordo como NextEra-Dominion cria uma empresa que pode investir bilhões em infraestrutura verde. Sozinhas, essas empresas são menores. Juntas, são um gigante.
Os EUA representam 57% do mercado verde global. Como isso é possível se a política está contra?
Porque o mercado de capitais não segue a política. Os investidores americanos têm dinheiro, as empresas americanas têm tecnologia. A política pode atrasar, mas não consegue parar o fluxo de capital.
Qual é o risco aqui? O que poderia desacelerar isso?
Uma recessão econômica global. Ou uma mudança nas políticas de subsídio que tornaram muitos projetos verdes viáveis. Mas por enquanto, o setor está resiliente porque está gerando lucro real.