É hora de estatizar o Banco Central e recuperar sua função pública

Vulneráveis foram explorados através de empréstimos predatórios utilizando beneficiários de programas sociais, incluindo crianças com deficiência, como colateral.
Ou o BC retoma sua função pública ou o Brasil vira a maior lavanderia do planeta
O argumento central do artigo sobre a necessidade de estatizar o Banco Central após a Operação Colossus.

Operação Colossus identificou 68 empresas de fachada com R$ 6,7 bilhões movimentados e envolvimento de mais de 40 instituições financeiras em lavagem de dinheiro. Banco Central atuou como estimulador de mercado em vez de regulador, permitindo desregulação que facilitou crime organizado e exploração de vulneráveis.

  • Operação Colossus identificou 68 empresas de fachada com R$ 6,7 bilhões movimentados entre 2022-2023
  • Mais de 40 instituições financeiras participaram do esquema de lavagem de dinheiro
  • Beneficiários de Bolsa Família e crianças com deficiência tiveram benefícios usados como colateral para empréstimos
  • Banco Central atuou como estimulador de mercado em vez de regulador nas últimas décadas

Artigo argumenta que Banco Central deve retomar função de instituição pública após Operação Colossus revelar esquema massivo de lavagem de dinheiro envolvendo exchanges de criptomoedas e instituições financeiras.

A Operação Colossus deixou à vista uma realidade que não pode mais ser ignorada: o mercado de capitais brasileiro transformou-se numa máquina de lavar dinheiro, alimentada por instituições que deveriam regulá-lo. O que começou em 22 de setembro de 2022 com duas prisões preventivas e 37 mandados de busca revelou um esquema de proporções assustadoras. Sessenta e oito empresas de fachada foram identificadas, movimentando mais de 6,7 bilhões de reais apenas em nove delas entre 2022 e 2023. Mais de quarenta instituições financeiras participaram do circuito. Seis exchanges de criptomoedas estavam envolvidas. Ativos foram bloqueados em 28 plataformas espalhadas pelo Brasil e exterior. O retrato é de um sistema que perdeu completamente o rumo.

O que torna essa operação um divisor de águas não é apenas a escala da fraude, mas o que ela expõe sobre como o Banco Central deixou de funcionar como instituição pública. Durante décadas, o BC foi gradualmente transformado num agente estimulador do mercado financeiro em vez de seu regulador. Medidas foram tomadas para descomplicar o crédito, reduzir a fiscalização, flexibilizar controles. Tudo sob o argumento de democratizar o acesso. Mas na prática, o que se fez foi abrir portas para que o sistema financeiro extraísse renda sem limites. O crédito, que deveria ser um meio para financiar investimentos e ampliar bem-estar, virou um fim em si mesmo — um negócio puro para os bancos. A economia real ficou de fora.

A exploração atingiu os mais vulneráveis. Beneficiários de programas sociais como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada foram usados como colateral para empréstimos predatórios. Crianças com deficiência tiveram seus benefícios penhorados. Tudo isso enquanto os spreads bancários — as margens de lucro dos bancos — nunca foram tocados. O sistema criou garantias para o setor financeiro enquanto deixava desprotegidos aqueles que menos podiam se defender.

A Operação Colossus também mostrou que existe um caminho institucional para combater esse tipo de crime. A operação recompôs o antigo Sistema Brasileiro de Inteligência, reunindo Polícia Federal, Receita Federal, COAF, Banco Central, Ministério Público Federal e Justiça Federal numa ação coordenada. Esse modelo funcionou porque centralizava o controle em Brasília enquanto permitia que órgãos de investigação atuassem de forma cooperada. Mas a experiência naufragou quando lideranças fracas transferiram poder a procuradores e juízes sem escrúpulos. Recuperar essa estrutura exige pensar em desenhos que não fiquem à mercê de comandos fracos.

O ponto central, porém, é o Banco Central. A discussão sobre transformá-lo em fundação escondia uma questão muito mais profunda: deve ser uma instituição de estado, com missão de regular e fiscalizar, ou um parceiro ativo para o desenvolvimento do mercado? A Operação Colossus respondeu. Ou o BC retoma sua função de instituição pública e seus funcionários recuperam a condição de servidores públicos, ou o Brasil se tornará a maior lavanderia do planeta. Não é questão de ideologia, de mais ou menos liberalismo. É questão de decidir se o país quer fortalecer suas instituições ou se aceita que elas se tornem alvos de denúncias do Tribunal de Contas, do COAF, do Ministério Público.

O mercado desregulado é o combustível do crime organizado. As criptomoedas, a redução de controles, a exploração de vulneráveis — tudo isso prospera num vazio regulatório. O país está em luta contra o crime organizado. Essa luta não será vencida enquanto o Banco Central continuar atuando como estimulador de mercado. É hora de recuperar a vocação histórica da instituição.

Em qualquer país que tenha projeto, o crédito é meio. Aqui, o crédito virou moeda de troca, lastro, mecanismo de arbitragem, instrumento de política fiscal disfarçada e, sobretudo, fonte de renda para o sistema financeiro
— Autor do artigo
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a Operação Colossus é tão importante? Parece ser só mais uma operação contra lavagem de dinheiro.

Model

Porque é o primeiro retrato completo do que o mercado de capitais brasileiro se tornou. Não é um caso isolado — é um sistema inteiro funcionando como máquina de lavar dinheiro, com participação de mais de quarenta instituições financeiras.

Inventor

E o Banco Central? Por que ele é o vilão da história?

Model

Não é vilão no sentido de conspiração. É que deixou de ser regulador para virar estimulador de mercado. Descomplicou crédito, reduziu fiscalização, criou garantias para bancos. Tudo em nome de democratizar acesso.

Inventor

Mas democratizar acesso ao crédito é ruim?

Model

Não em si. O problema é que fizeram isso sem atacar os spreads bancários, sem proteger os vulneráveis. Crianças com deficiência tiveram benefícios usados como colateral para empréstimos predatórios.

Inventor

Como assim? Benefícios de crianças como colateral?

Model

Sim. Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada — tudo virou lastro para empréstimo. O sistema criou garantias para o setor financeiro enquanto deixava desprotegidos aqueles que menos podiam se defender.

Inventor

E a solução é estatizar o Banco Central?

Model

É recuperar sua função de instituição pública. Seus funcionários precisam ser servidores públicos com missão de regular e fiscalizar, não parceiros do mercado. Sem isso, o país continua alimentando o crime organizado.

Inventor

Existe precedente de isso funcionar?

Model

Existe. O Sistema Brasileiro de Inteligência funcionou quando reuniu órgãos de investigação de forma coordenada. A Operação Colossus provou que quando há estrutura e controle centralizado, consegue-se desmantelar esquemas massivos.

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