Tecnologia sem estratégia pedagógica dificilmente produz aprendizagem
No cruzamento entre dois continentes e múltiplas realidades educativas, especialistas de Portugal e Brasil reuniram-se para confrontar uma verdade incómoda: a inteligência artificial nas escolas não é, antes de tudo, uma questão de máquinas. É uma questão de pessoas. O webinar promovido pela DTIM na Madeira, a 17 de Junho, colocou no centro do debate aquilo que tantos sistemas educativos aprendem tarde demais — que a tecnologia sem formação docente e sem mudança pedagógica não transforma nada, apenas ocupa espaço.
- Escolas em todo o mundo acumulam equipamentos tecnológicos que ficam subutilizados porque os professores não foram preparados para os integrar pedagogicamente.
- O secretário de Educação de Palhoça alertou, com base em experiências concretas, que investir em computadores sem estratégia é desperdiçar recursos e oportunidades de aprendizagem.
- Palhoça responde ao desafio com laboratórios itinerantes, implementação curricular em Computação e programas de capacitação contínuos — não soluções pontuais, mas um processo estruturado.
- O debate reuniu participantes de Portugal continental, Madeira, Açores, Brasil e Argentina, revelando que esta tensão entre tecnologia e pedagogia é um problema sem fronteiras.
- O que está em jogo é a reconfiguração do papel do professor numa sala de aula onde a inteligência artificial está presente — e essa reconfiguração exige tempo, investimento e intenção.
A 17 de Junho, a Associação Regional para o Desenvolvimento das Tecnologias de Informação da Madeira promoveu um webinar que juntou investigadores e gestores educativos de Portugal e do Brasil em torno de uma pergunta cada vez mais urgente: como integrar inteligência artificial nas escolas sem que a tecnologia se torne um fim em si mesma?
Entre os convidados estavam Andréia de Bem Machado, investigadora da Universidade Federal de Santa Catarina e directora de Ensino em Palhoça, e Gean Medeiros, secretário de Educação do mesmo município. As cerca de 58 pessoas inscritas — vindas de Portugal, Brasil e Argentina — foram o reflexo de uma preocupação partilhada por educadores em múltiplos contextos.
Medeiros foi directo: equipamentos tecnológicos, por si só, não mudam nada. A sua argumentação assentou em experiências reais de sistemas educativos que investiram em computadores e tablets sem preparar os professores para os usar, colhendo resultados decepcionantes. A verdadeira transformação, defendeu, exige mudança pedagógica profunda e formação docente contínua — não acções isoladas, mas um compromisso estrutural.
Em Palhoça, essa convicção traduziu-se em medidas concretas: implementação da Base Nacional Comum Curricular em Computação, criação de laboratórios itinerantes e programas de capacitação integrados na vida profissional dos professores. Um caminho lento, mas deliberado.
O que ficou desta conversa transatlântica é uma ideia simples e exigente: a inteligência artificial na educação é, antes de tudo, um problema humano. Sem professores preparados para usar estas ferramentas com intenção pedagógica, a máquina fica sozinha no canto da sala.
No dia 17 de Junho, a Associação Regional para o Desenvolvimento das Tecnologias de Informação da Madeira reuniu especialistas de Portugal e Brasil para discutir um tema que preocupa educadores em todo o mundo: como integrar inteligência artificial nas escolas sem que a tecnologia se torne um fim em si mesma.
O webinar, intitulado 'Pedagogia Digital na Era da Inteligência Artificial', contou com a presença de Andréia de Bem Machado, investigadora da Universidade Federal de Santa Catarina e directora de Ensino da Secretaria Municipal de Educação de Palhoça, e de Gean Medeiros, secretário de Educação do mesmo município brasileiro. Cerca de 58 pessoas inscreveram-se para acompanhar a sessão, vindas de Portugal continental, Madeira, Açores, Brasil e Argentina — um sinal de que a questão transcende fronteiras.
Medeiros apresentou a estratégia que Palhoça tem vindo a desenvolver para modernizar o seu sistema educativo, um município que enfrenta desafios semelhantes aos de muitos outros territórios que tentam acompanhar a transformação digital. O que distingue a sua abordagem é uma convicção clara: equipamentos tecnológicos sozinhos não mudam nada. Durante a sua intervenção, o secretário foi directo neste ponto. A verdadeira transformação depende de duas coisas — uma mudança profunda nas práticas pedagógicas e um investimento sério na formação dos professores.
Esta posição não é teórica. Medeiros apoiou-se em experiências anteriores para demonstrar que quando a tecnologia chega às escolas sem uma estratégia pedagógica adequada, sem que os professores estejam preparados para a usar, os resultados na aprendizagem dos alunos são decepcionantes. É uma lição que muitos sistemas educativos aprenderam da forma mais cara possível — gastando dinheiro em computadores e tablets que acabam por ser subutilizados.
Em Palhoça, a resposta tem sido estruturada. O município implementou a Base Nacional Comum Curricular na área da Computação, criou ambientes tecnológicos flexíveis — incluindo laboratórios itinerantes que levam recursos às escolas — e desenvolveu programas de capacitação para professores que não são pontuais, mas contínuos e integrados na vida profissional dos docentes. Não é uma solução rápida. É um caminho.
O que emergiu desta conversa entre especialistas portugueses e brasileiros é que a inteligência artificial na educação não é um problema de tecnologia. É um problema de pessoas — de como preparar quem ensina para usar estas ferramentas de forma inteligente, de como redesenhar o que acontece dentro de uma sala de aula quando a tecnologia está presente. Sem isso, a máquina fica sozinha no canto da sala.
Citas Notables
A transformação digital não passa apenas pela disponibilização de equipamentos tecnológicos; o verdadeiro impacto depende de uma mudança nas práticas pedagógicas e de um forte investimento na formação dos docentes— Gean Medeiros, secretário de Educação de Palhoça
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que Gean Medeiros insistiu tanto que a tecnologia sozinha não funciona? Não é óbvio?
Porque muitos governos e escolas ainda acreditam que é. Compram equipamento, instalam, e depois ficam surpreendidos quando os resultados não aparecem. Ele estava a falar a partir de experiência real.
E o que torna a abordagem de Palhoça diferente?
Eles entenderam que o professor é o centro. Não é o computador. Por isso investem em formação contínua, em laboratórios que vão até às escolas, em currículo pensado. É mais lento, mas funciona.
Os laboratórios itinerantes — isso é uma solução criativa ou uma admissão de que não têm recursos suficientes?
Pode ser ambas as coisas. Mas é também reconhecer que nem todas as escolas têm as mesmas condições. Levar o recurso até lá é mais equitativo do que esperar que todas tenham a mesma infraestrutura.
Qual é o risco de fazer isto errado?
Gastar milhões em tecnologia e depois ter gerações de alunos que não aprendem melhor porque os professores não sabem como usar as ferramentas. É dinheiro desperdiçado e oportunidades perdidas.
E se os professores resistirem à mudança?
Por isso é que a formação tem de ser respeitosa, contínua, e tem de mostrar resultados reais. Não é impor. É construir confiança.