Três décadas de domínio político encerradas em uma votação
Em Teresina, no encerramento das eleições municipais de 2020, o eleitorado escolheu romper com uma ordem política que perdurava há mais de três décadas. Dr. Pessoa, do MDB, derrotou Kleber Montezuma, do PSDB, com mais de 62% dos votos válidos, pondo fim à hegemonia tucana que havia moldado a administração da capital piauiense por gerações. A vitória não foi apenas de um candidato, mas de uma coalizão de forças diversas unidas pelo desejo comum de alternância no poder — lembrando que, na democracia, nenhum domínio é eterno.
- Três décadas de controle tucano sobre a prefeitura de Teresina chegaram ao fim com uma margem de quase 25 pontos percentuais.
- A campanha foi marcada por tensões internas na oposição — o PT hesitou em apoiar Dr. Pessoa, e seu candidato chegou a declarar que votaria nulo.
- Apesar das divisões, uma ampla coligação se formou no segundo turno, reunindo MDB, PSB, PL, PSD, PSC e setores petistas em torno de um objetivo comum.
- Kleber Montezuma, apoiado pelo prefeito em exercício e por nove partidos, intensificou mobilizações de rua e tentou desqualificar o adversário, mas não conseguiu reverter a tendência.
- Com 100% das urnas apuradas, a vitória de Dr. Pessoa estava consolidada — um novo grupo político assume a responsabilidade de governar a capital piauiense pela primeira vez em gerações.
No domingo que encerrou o segundo turno de 2020, Teresina votou pela ruptura. Dr. Pessoa, do MDB, conquistou 236 mil votos — 62,31% dos válidos — derrotando Kleber Montezuma, do PSDB, que obteve 37,69%. A diferença de quase 25 pontos percentuais não era apenas uma vitória eleitoral: era o fim de uma hegemonia tucana que durava mais de três décadas na prefeitura da capital piauiense.
Montezuma chegou ao segundo turno com estrutura robusta: o apoio do prefeito Firmino Filho e uma coligação de nove partidos, incluindo PSDB, Progressistas — ligados ao senador Ciro Nogueira —, PSL, PDT e outros. Dr. Pessoa, por sua vez, havia liderado o primeiro turno com 34,53% dos votos, mas enfrentou negociações tensas para ampliar sua base. O PT, que lançara o deputado Fábio Novo, relutou em apoiá-lo — o próprio Fábio Novo chegou a dizer que votaria nulo.
Mesmo assim, a oposição ao domínio tucano se revelou mais coesa do que as divisões sugeriam. No segundo turno, Dr. Pessoa reuniu MDB, PSB, PRTB, setores do PT, PL, PSD e o apoio da pastora Gessy Fonseca, do PSC, que surpreendera ao terminar em terceiro no primeiro turno. Essa convergência de forças distintas, unidas pelo objetivo de encerrar o ciclo do PSDB, mostrou-se decisiva.
A campanha final foi áspera: trocas de acusações chegaram a resultar na retirada do horário eleitoral do ar. Montezuma apostou em mobilizações de rua e tentou retratar o adversário como parte de um "blocão" político. Dr. Pessoa, por sua vez, martelou a mensagem de mudança e evocou sua trajetória pessoal. Com a apuração completa, estava selado não apenas o resultado de uma eleição, mas o início de uma nova era para a administração municipal de Teresina.
No domingo que encerrou a campanha eleitoral de 2020 em Teresina, o eleitorado da capital piauiense votou pela ruptura. Dr. Pessoa, candidato do MDB, venceu a disputa pela prefeitura com 236.339 votos, conquistando 62,31% dos votos válidos. Seu adversário, Kleber Montezuma, do PSDB, recebeu 142.941 votos, equivalente a 37,69%. A margem de vitória — quase 25 pontos percentuais — refletia mais do que uma simples derrota: marcava o fim de uma era política que se estendia por mais de três décadas.
A hegemonia tucana em Teresina não era recente nem frágil. O PSDB havia dominado a prefeitura durante todo esse período, construindo uma máquina política que parecia consolidada. Kleber Montezuma chegou ao segundo turno com o apoio do prefeito em exercício, Firmino Filho, também tucano, e com uma coligação robusta que reunia nove partidos: além do PSDB e dos Progressistas — liderados pelo senador Ciro Nogueira — havia PSL, Avante, PDT, Dem, PMB, PV e Podemos. No primeiro turno, Montezuma havia conquistado 110.395 votos, 26,70% do eleitorado.
Dr. Pessoa começou em posição de força. Já no primeiro turno, havia recebido 142.769 votos, 34,53% dos votos válidos, liderando as pesquisas. Mas a trajetória até o segundo turno foi marcada por negociações tensas e, em alguns momentos, frágeis. O PT, que havia lançado seu próprio candidato — o deputado estadual Fábio Novo — inicialmente relutou em apoiar o emedebista. Fábio Novo chegou a afirmar que votaria nulo no segundo turno. As conversas entre petistas e a campanha de Dr. Pessoa foram descritas como estressantes, com pedidos de apoio não declarado.
Mas a oposição ao domínio tucano se mostrou mais forte que as divisões internas. No segundo turno, Dr. Pessoa conseguiu costurar uma coligação ampla que incluía seu próprio partido, o MDB, além de PRTB e PSB. Mais importante, conquistou apoios cruciais: parte do PT, o PL representado por Fábio Abreu, o PSD com a candidata Simone Pereira e Júlio César, e a pastora Gessy Fonseca, do PSC, que havia surpreendido ao terminar em terceiro lugar no primeiro turno. Essa convergência de forças distintas, unidas pelo objetivo de derrotar o PSDB, provou ser decisiva.
A campanha final foi acirrada e, em vários momentos, áspera. Os dois candidatos trocaram acusações que chegaram a resultar na retirada do ar do horário eleitoral na televisão e no rádio. Kleber Montezuma intensificou suas atividades de rua — caminhadas e mobilizações — enquanto tentava questionar a competência administrativa de Dr. Pessoa e o caracterizava como parte de um "blocão" político, referindo-se à coligação que o apoiava. O emedebista, por sua vez, enfatizava sua história de vida pessoal e martelava a mensagem de que era hora de mudança, de tirar do poder um grupo que havia permanecido na prefeitura por mais de três décadas.
Com a apuração de 100% das urnas, a vitória de Dr. Pessoa estava consolidada. O resultado representava não apenas a derrota de um candidato, mas o encerramento de um ciclo político que havia definido a administração municipal de Teresina por gerações. A transição de poder que se aproximava traria consigo uma nova configuração política para a capital piauiense, com um grupo que havia permanecido na oposição agora assumindo a responsabilidade de governar.
Citas Notables
Era a hora da mudança para tirar do poder um grupo que já dura mais de 30 anos na prefeitura— Campanha de Dr. Pessoa
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que essa vitória é considerada histórica? Não é apenas uma eleição municipal como tantas outras?
Porque quebra uma hegemonia de mais de 30 anos. O PSDB não apenas venceu eleições anteriores — ele dominou a prefeitura de forma praticamente inconteste. Isso não é um ciclo normal de alternância política. É a ruptura de uma estrutura de poder que parecia permanente.
Como Dr. Pessoa conseguiu unir forças tão diferentes — PT, PL, PSD, PSC — quando esses partidos frequentemente são adversários?
A rejeição ao PSDB foi maior que as divisões entre eles. O PT inicialmente hesitou, mas a perspectiva de derrotar uma hegemonia de três décadas se mostrou mais atraente que manter-se isolado. Gessy Fonseca, do PSC, que havia ficado em terceiro lugar, também viu na coligação uma oportunidade.
A margem de vitória — 62% contra 37% — foi surpreendente?
Refletiu a força da coligação unida. Montezuma tinha apoio institucional forte: o prefeito em exercício, o senador Ciro Nogueira, nove partidos. Mas isso não foi suficiente contra uma oposição que finalmente conseguiu se organizar em torno de um objetivo comum.
O que a campanha final revelou sobre as tensões políticas?
Que estavam à flor da pele. As acusações foram tão intensas que chegaram a tirar do ar o horário eleitoral. Montezuma questionava a competência de Dr. Pessoa; Dr. Pessoa enfatizava que era hora de mudança. Ambos sentiam que estava em jogo mais do que uma eleição municipal.
E agora? O que muda em Teresina com essa transição?
Um novo grupo assume a administração municipal. Depois de três décadas, as prioridades, as alianças, a forma de governar — tudo isso pode mudar. É um momento de incerteza e possibilidade ao mesmo tempo.