"Doomscrolling": o ambiente perfeito para a desinformação prosperar

Afeta particularmente a saúde mental de adolescentes, causando exaustão e potencial desengajamento da participação ativa na sociedade.
Se não estás a pagar pelo produto, tu és o produto
A máxima que resume como as redes sociais monetizam a nossa atenção e emoções.

Na quietude da noite, milhões de pessoas entregam a sua atenção a ecrãs que nunca dormem, alimentando um ciclo onde o medo e a ansiedade se tornam moeda de troca. O chamado doomscrolling — esse consumo compulsivo de conteúdos negativos — não é mera fraqueza humana, mas um instinto de sobrevivência explorado por algoritmos que privilegiam o envolvimento emocional acima da verdade. Neste ambiente de excesso informativo e pensamento crítico reduzido, a desinformação encontra terreno fértil, afetando especialmente os mais jovens. A resposta não está no afastamento do mundo digital, mas na construção de uma literacia que nos permita habitá-lo com consciência.

  • Os algoritmos das redes sociais foram desenhados para nos manter presos ao ecrã, indiferentes à veracidade do que consomem — a nossa atenção é o produto que vendem.
  • O doomscrolling reduz ativamente o pensamento crítico, criando o ambiente ideal para que a desinformação se espalhe com velocidade e impunidade.
  • Os adolescentes são os mais vulneráveis: o consumo excessivo de conteúdos negativos provoca exaustão mental e pode conduzir ao desengajamento da vida cívica e social.
  • A desinformação não se espalha apesar das emoções — espalha-se por causa delas, aproveitando o choque, a raiva e o medo que os algoritmos deliberadamente amplificam.
  • A literacia mediática surge como a resposta mais urgente: aprender a identificar manipulação emocional, verificar fontes e compreender o modelo de negócio das plataformas digitais.

Deitamo-nos cansados, pegamos no telemóvel, e de repente estamos presos num scroll infinito de vídeos, notícias e comentários. Os algoritmos trabalham nos bastidores, servindo-nos conteúdos que exploram a curiosidade, a ansiedade e o medo. Quando finalmente desligamos o ecrã, a cabeça continua a dar voltas — e o sono não vem.

Este padrão tem nome: doomscrolling. Não é falta de força de vontade, mas uma dependência digital que se alimenta de conteúdos curtos e negativos consumidos durante horas. O resultado é cansaço, redução do pensamento crítico e um impacto real na saúde mental — particularmente grave nos adolescentes. Paradoxalmente, trata-se de um instinto de sobrevivência: estamos em alerta constante ao perigo.

O problema central é que, no espaço digital, informação verdadeira e falsa surgem misturadas, sem separação clara. Quando as emoções entram em jogo — o choque, a raiva, o medo — os algoritmos favorecem precisamente esses conteúdos. A desinformação aproveita-se disto e espalha-se mais depressa. O doomscrolling cria assim o ambiente perfeito para a sua disseminação: excesso de informação, emoção intensa e ausência de pensamento crítico.

Porque tudo é um negócio, as redes sociais otimizam os seus algoritmos sem se importarem com a veracidade das publicações. O que importa é manter-nos colados ao ecrã. Como resume a máxima popular: se não estás a pagar pelo produto, tu és o produto.

A solução não passa por abandonar o mundo digital, mas por investir genuinamente em literacia mediática. É preciso ensinar a identificar manipulação emocional, a verificar fontes antes de partilhar e a compreender como funciona o negócio das plataformas. Só assim conseguiremos navegar este espaço sem sermos completamente consumidos por ele.

Deitamo-nos cansados, pegamos no telemóvel pensando que o sono vai chegar, e de repente estamos ali, presos ao ecrã, a descer infinitamente por uma página. Vídeos, publicações, notícias, comentários — tudo misturado, tudo a chamar a atenção. Os algoritmos trabalham nos bastidores, avaliando o que nos interessa, servindo-nos mais do mesmo, cada vez mais. A curiosidade, a ansiedade, o medo — tudo isto nos prende a conteúdos que nos deixam perturbados. Procuramos mais informação. Partilhamos. E quando finalmente desligamos o ecrã, a cabeça continua a dar voltas, o cansaço é real, mas o sono não vem.

Este padrão tem um nome: "doomscrolling" ou "doomsurfing". Cientificamente, é definido como o ato de passar muito tempo a consumir grandes quantidades de conteúdos negativos online. Não é simplesmente uma falta de força de vontade — é uma dependência da Internet que se alimenta de vídeos de curta duração, horas a fio, até perdermos a noção do tempo. O resultado é cansaço, redução do pensamento crítico, e um impacto significativo na saúde mental, particularmente grave nos adolescentes. Paradoxalmente, isto não é fraqueza. É um instinto de sobrevivência: estamos em constante alerta ao perigo.

Mas aqui reside o problema central. No ambiente digital, as informações verdadeiras e as falsas surgem lado a lado, misturadas, sem separação clara. Muitas vezes não temos tempo ou capacidade para as discernir. E quando entram em jogo as emoções — o choque, o medo, a raiva — os algoritmos favorecem precisamente este tipo de conteúdo. A desinformação aproveita-se disto. Espalha-se mais rápido quando toca nas nossas emoções. O "doomscrolling" cria, portanto, o ambiente perfeito para a disseminação da desinformação: excesso de informação, emoção intensa, pouca verificação, ausência de pensamento crítico.

E porque tudo é um negócio, as redes sociais otimizam os conteúdos através dos algoritmos sem se importarem se as publicações são verdadeiras ou falsas. O que importa é manter-nos colados ao ecrã. A nossa atenção é o produto. A nossa interação é o que se vende. Como resume a máxima usada para criticar estas plataformas: "se não estás a pagar pelo produto, tu és o produto". De facto, na maior parte das vezes, o que as redes sociais vendem é a nossa interação, a nossa atenção e as nossas emoções.

A consequência é potencialmente grave. De tanto "doomscrolling", podemos sentir-nos exaustos e desistir de ter uma participação ativa na sociedade. Mas a solução não passa por abandonar o mundo digital. O que urge é uma verdadeira aposta em literacia mediática — ensinar aos jovens, mas também aos adultos, como estar na Internet de forma consciente. Precisamos de saber identificar a manipulação emocional: reconhecer quando um título apelativo ou uma imagem exagerada que provoca revolta, raiva ou pânico não tem a intenção de informar, mas apenas de conseguir um clique. Também é essencial substituir o hábito de fazer scroll infinito por práticas mais deliberadas: abrir os conteúdos num novo separador para verificar a fonte, validar a informação, pensar antes de partilhar. E, acima de tudo, compreender como funciona o negócio no mundo digital, especialmente nas redes sociais. Só assim conseguiremos navegar este espaço sem sermos completamente consumidos por ele.

O doomscrolling cria o ambiente perfeito para a disseminação da desinformação, uma vez que junta excesso de informação, emoção intensa, pouca verificação e ausência de pensamento crítico.
— Análise do fenómeno digital
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Porque é que o "doomscrolling" é tão difícil de resistir? Parece simples desligar o telemóvel.

Model

Porque não é uma questão de vontade. É um instinto de sobrevivência — estamos em alerta constante ao perigo. Os algoritmos exploram isto, servindo-nos conteúdos que nos tocam emocionalmente. Quanto mais nos envolvemos, mais tempo passamos ali.

Inventor

E a desinformação aproveita-se disto?

Model

Exatamente. Quando estamos neste estado — cansados, emocionalmente ativados, sem tempo para verificar — somos muito mais vulneráveis. A informação falsa espalha-se mais rápido porque toca nas nossas emoções, não porque seja verdadeira.

Inventor

As redes sociais sabem disto?

Model

Sabem. E não lhes importa. Os algoritmos otimizam para engagement, não para veracidade. A nossa atenção é o que vendem. Somos o produto.

Inventor

Então como é que as pessoas se protegem?

Model

Literacia mediática. Aprender a identificar manipulação emocional, a verificar fontes, a compreender o modelo de negócio. Não é sobre deixar de estar online — é sobre estar online de forma consciente.

Inventor

E os adolescentes? Eles têm ferramentas para isto?

Model

Raramente. É por isso que o impacto na saúde mental deles é tão grave. Precisamos de ensinar estas competências desde cedo, antes de ficarem presos neste ciclo.

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