Alteravam códigos de ignição para desbloquear carros com chaves de outro veículo
No Porto, duas décadas de inquéritos convergiram na detenção de dois homens que transformaram o furto de automóveis de luxo numa ciência — armados não de gazuas, mas de computadores e cabos capazes de reescrever a identidade eletrónica de um BMW ou de um Mercedes em segundos. A investigação, iniciada em 2020, recorda-nos que a criminalidade evolui ao ritmo da tecnologia que a sociedade abraça, e que a segurança dos nossos bens é tão forte quanto o código que os protege.
- Dois homens de 36 anos foram detidos pela PSP do Porto por usarem equipamento eletrónico sofisticado para furtar carros de luxo avaliados entre 30 e 60 mil euros cada.
- A rede operava em múltiplas regiões — Porto, Lisboa, Ovar, Famalicão, Penafiel e Santa Maria da Feira —, tornando a investigação complexa e geograficamente dispersa.
- O método era tecnicamente avançado: um programa informático e cabos especiais permitiam alterar os códigos de ignição e arrancar os veículos com a chave de outro carro da mesma marca.
- A operação apreendeu peças desmanteladas, equipamento informático e aparelhos de desbloqueio, expondo ligações a stands de automóveis no Grande Porto.
- Um terceiro membro da rede já foi condenado a dez anos de prisão; os dois recém-detidos aguardam decisão sobre medidas de coação no Tribunal de Instrução Criminal do Porto.
A PSP do Porto desmantelou uma rede especializada no furto de automóveis de luxo, detendo dois homens de 36 anos que usavam tecnologia avançada para contornar os sistemas eletrónicos de viaturas BMW, Volvo e Mercedes. A investigação, aberta em 2020, reúne duas dezenas de inquéritos e cobre várias regiões do país, com cada veículo roubado a valer entre 30 e 60 mil euros.
O método dos suspeitos era tecnicamente elaborado: percorriam diferentes zonas do país em busca de carros de gama alta e, com um computador equipado com software específico e cabos especializados, ligavam-se ao sistema eletrónico do veículo, alteravam os códigos de ignição e conseguiam arrancá-lo com a chave de outro automóvel da mesma marca e modelo. Os carros eram depois revendidos no mercado paralelo.
Os dois detidos eram conhecidos das autoridades e tinham ligações a stands de automóveis, tendo pelo menos um estabelecimento do Grande Porto sido alvo de buscas. A rede era mais ampla: um terceiro suspeito, detido em 2020, foi condenado a dez anos de prisão por crimes semelhantes.
Durante a operação, a PSP apreendeu peças desmanteladas de automóveis, equipamento informático e de telecomunicações, aparelhos de desbloqueio eletrónico e diversas ferramentas. Os dois homens aguardam agora no Tribunal de Instrução Criminal do Porto a decisão sobre as medidas de coação a aplicar.
A Polícia de Segurança Pública do Porto deteve dois homens de 36 anos acusados de orquestrar uma operação sofisticada de furtos de automóveis de luxo. Os suspeitos, considerados especialistas no roubo de viaturas, utilizavam equipamento eletrónico avançado para contornar os sistemas de segurança de carros BMW, Volvo e Mercedes, que eram posteriormente revendidos no mercado paralelo. A investigação, que começou em 2020, abrange duas dezenas de inquéritos por furtos, com cada veículo roubado avaliado entre 30 e 60 mil euros.
O método era direto mas tecnicamente sofisticado. Os dois homens circulavam por várias regiões — Ovar, Santa Maria da Feira, Famalicão, Lisboa, Penafiel e Porto — à procura de viaturas de gama alta. Munidos de um computador equipado com um programa específico e cabos especializados, conseguiam estabelecer uma ligação ao sistema eletrónico do carro e alterar os códigos de ignição. Com essa alteração feita, podiam colocar a viatura a funcionar utilizando a chave de outro automóvel da mesma marca e modelo. A PSP descreveu o procedimento com precisão: os suspeitos possuíam conhecimentos técnicos que lhes permitiram, através de material eletrónico de desbloqueamento, furtar veículos automóveis equipados com sistemas de segurança eletrónicos, nomeadamente viaturas com chave eletrónica.
Os dois detidos já eram conhecidos das autoridades e mantinham ligações a stands de automóveis. Segundo informações obtidas, pelo menos um stand da zona do Grande Porto foi alvo de buscas no âmbito da operação, embora nenhum carro tenha sido apreendido nessa altura. A investigação revelou que a rede não era composta apenas pelos dois homens agora detidos. Em 2020, um terceiro suspeito foi também detido e colocado em prisão preventiva, tendo sido posteriormente condenado a dez anos de prisão por furtos semelhantes.
A operação de detenção permitiu à PSP apreender diversos materiais relacionados com a atividade criminosa. Entre os itens confiscados encontravam-se peças desmanteladas de automóveis, equipamento informático e de telecomunicações, aparelhos eletrónicos utilizados para desbloquear os sistemas de segurança das viaturas, e várias ferramentas e equipamentos empregues no furto de carros. Os dois homens foram levados ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, onde aguardam a decisão sobre as medidas de coação que lhes serão aplicadas. Essa decisão ainda não foi tornada pública.
Notable Quotes
Os suspeitos tinham conhecimentos técnicos que lhes permitiram, através da utilização de material eletrónico de desbloqueamento, o furto de veículos automóveis dotados de sistemas de segurança eletrónicos— PSP
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como é que dois homens conseguem contornar sistemas de segurança que as fabricantes investem milhões em desenvolver?
Não é magia — é conhecimento técnico combinado com equipamento específico. Eles tinham acesso a computadores e cabos que conseguem comunicar com o sistema eletrónico do carro. Uma vez lá dentro, conseguem reescrever os códigos que controlam a ignição.
E depois conseguem usar qualquer chave de outro carro da mesma marca?
Exatamente. Se alterarem o código para reconhecer uma chave de um BMW diferente, conseguem abrir e ligar qualquer BMW com essa chave. É como mudar a fechadura de uma porta para aceitar uma chave diferente.
Porque é que demoraram desde 2020 até agora para os apanhar?
Porque operavam em várias regiões — Porto, Lisboa, Ovar — e cada furto era um inquérito separado. Levou tempo juntar as peças e perceber que era a mesma rede. E tinham ligações a stands, o que tornava mais difícil rastreá-los.
Stands de automóveis? Quer dizer que os carros roubados iam direto para venda?
Provavelmente. Roubam um Mercedes de 50 mil euros, vendem-no por metade do preço no mercado paralelo, e ninguém faz perguntas. Os stands podem ter sido usados como cobertura ou como ponto de venda.
E o terceiro homem que foi condenado a dez anos — era parte da mesma operação?
Sim, mas foi apanhado mais cedo, em 2020. A investigação continuou e levou aos outros dois. Sugere que isto não era um crime isolado — era uma operação contínua com múltiplas pessoas envolvidas.