A empresa local derrotou competidores experientes com uma solução técnica que atendeu aos critérios
Dodmax derrotou concorrentes experientes e venceu provisoriamente a licitação após rejeição de recursos de empresas desclassificadas na fase técnica. A empresa local arrecadará R$ 35,5 milhões anuais, enquanto o Estado receberá R$ 15,9 milhões em repasse da plataforma de apostas.
- Dodmax Tecnologia, de Campo Grande, venceu a licitação para operar a plataforma eletrônica da Lotesul
- Receita anual estimada de R$ 51,4 milhões; Dodmax receberá R$ 35,5 milhões e o Estado R$ 15,9 milhões
- Empresa fundada em 2024 por Mauro Luiz Barbosa Dodero, advogado, empresário e pecuarista
- Resultado ainda aguarda adjudicação e aprovação da autoridade superior antes da assinatura do contrato
Dodmax Tecnologia, de Campo Grande, venceu a licitação para implantar e operar a plataforma eletrônica da Lotesul. A empresa receberá 69% da arrecadação estimada em R$ 51,4 milhões anuais.
A Dodmax Tecnologia, empresa sediada em Campo Grande, conquistou nesta terça-feira a disputa pela concessão de operação da plataforma eletrônica da Lotesul, a loteria estadual de Mato Grosso do Sul. O resultado foi confirmado após a comissão técnica rejeitar os recursos apresentados por duas concorrentes que haviam sido eliminadas na fase prática da licitação. A vitória coloca a empresa local à frente de competidores com experiência consolidada no mercado de apostas.
O contrato representa uma receita anual estimada de R$ 51,4 milhões para a plataforma. A Dodmax ficará com 69% dessa arrecadação, o equivalente a R$ 35,5 milhões por ano, enquanto o Estado de Mato Grosso do Sul receberá os 31% restantes, cerca de R$ 15,9 milhões anuais. Esses números refletem a importância econômica da concessão para ambas as partes.
A licitação havia sido suspensa desde maio, quando duas empresas — a LottoPro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas Ltda e a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação Ltda — apresentaram recursos contestando suas desclassificações. A etapa que determinou essas eliminações foi a POC, Prova de Conceito, uma avaliação prática em que cada empresa precisava demonstrar que seu sistema atendia aos requisitos do edital.
A LottoPro argumentou que não teve condições equivalentes às demais concorrentes para demonstrar a funcionalidade do "cofre eletrônico", um requisito específico do edital, e solicitou a anulação de sua desclassificação e uma nova avaliação. A Prohards, por sua vez, sustentou que sua solução tecnológica foi avaliada de forma inadequada, sem exploração suficiente das funcionalidades oferecidas, e apontou problemas no ambiente de testes fornecido pela comissão de licitação.
A Dodmax contestou ambos os recursos, argumentando que as concorrentes não questionaram a metodologia quando ela foi aplicada aos demais participantes e que cada licitante tinha a responsabilidade de demonstrar claramente o cumprimento dos requisitos. A comissão técnica concordou com esse posicionamento, mantendo que as desclassificações seguiram critérios objetivos previstos no edital e no termo de referência. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado em 19 de junho e confirmada na sessão desta terça-feira.
A plataforma contratada será responsável por concentrar e validar todas as operações de venda, identificação, pagamento de prêmios, recolhimento da outorga variável e tributos da loteria estadual. O contrato também inclui manutenção, customização, atualizações do sistema e a entrega do código-fonte e do banco de dados ao Estado ao término da concessão.
A Dodmax foi fundada em 2024 pelo advogado, empresário e pecuarista Mauro Luiz Barbosa Dodero. Conforme registros do CNPJ, a empresa é especializada em desenvolvimento de sistemas para computador e funciona em endereço comercial na Avenida Hiroshima, no bairro Carandá Bosque, em Campo Grande. Dodero também integra a diretoria da Acrissul, Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul, e possui outras empresas no estado.
Apesar da vitória no pregão, o processo ainda não resulta em contrato assinado. O resultado segue para adjudicação e encaminhamento à autoridade superior, etapas necessárias antes da formalização definitiva do acordo. Essa aprovação final representa o último obstáculo antes que a Dodmax possa iniciar as operações da plataforma.
Citas Notables
As concorrentes não questionaram a metodologia quando ela foi aplicada às demais participantes e cabia a cada licitante demonstrar, de forma clara, o cumprimento dos requisitos exigidos— Dodmax, em defesa da manutenção das desclassificações
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Por que uma empresa tão jovem conseguiu vencer contra concorrentes mais experientes?
A Dodmax apresentou uma solução técnica que atendeu aos critérios objetivos do edital. Não se trata de experiência no mercado, mas de capacidade de demonstrar, na prova prática, que o sistema funcionava conforme exigido. As outras empresas tiveram oportunidade igual e não conseguiram comprovar isso.
As empresas que perderam tinham razão em reclamar das condições desiguais?
A comissão técnica não viu assim. Argumentou que a metodologia foi aplicada igualmente a todos e que cada empresa tinha responsabilidade de demonstrar claramente o cumprimento dos requisitos. Se houve problemas no ambiente de testes, isso afetou a todos.
Quanto dinheiro a Dodmax vai ganhar com isso?
R$ 35,5 milhões por ano, considerando a estimativa de arrecadação de R$ 51,4 milhões. Mas isso é receita bruta. Os custos operacionais, manutenção do sistema e outras despesas ainda precisam ser descontados.
Quem é Mauro Dodero, o dono?
Um advogado, empresário e pecuarista que fundou a empresa em 2024. Tem ligações com o setor agropecuário — integra a diretoria da associação de criadores do estado — e já possui outras empresas em Mato Grosso do Sul.
Isso é um conflito de interesse?
Não necessariamente. Ele participou de uma licitação pública com critérios técnicos objetivos. O fato de ter outras atividades empresariais não o desqualifica, desde que tenha cumprido as exigências legais.
Quando a Dodmax começa a operar?
Ainda não. O resultado precisa passar por adjudicação e aprovação da autoridade superior antes do contrato ser assinado. São etapas administrativas que ainda faltam.