Há séculos, os seres humanos buscam nos gestos do corpo sinais do que habita a mente. A capacidade de dobrar a língua em formato de U — um movimento de coordenação muscular, não de destino genético — tornou-se, com o tempo, palco de interpretações que associam essa habilidade motora a criatividade, perseverança e pensamento analítico. Essas leituras, embora sedutoras na sua lógica superficial, carecem de qualquer sustentação científica robusta, lembrando-nos que a complexidade do ser humano resiste, sempre, às simplificações que tanto nos confortam.