Disney explorou fusão com Apple e tentou adquirir James Bond e Twitter

A Apple não demonstrou assim tanto interesse
Iger explica porque é que a fusão transformadora entre Disney e Apple nunca saiu do papel.

Bob Iger, o arquiteto de uma das mais ambiciosas eras de expansão da Disney, revelou ao Financial Times as negociações que nunca chegaram a bom porto — com a Apple, com os detentores de James Bond e com o Twitter de Jack Dorsey. O retrato que emerge é o de uma empresa que soube sonhar em grande, conquistou Marvel e Star Wars, mas descobriu que o timing, o interesse alheio e a velocidade da concorrência são forças que nem o maior estúdio do mundo consegue sempre domar. Na história do capitalismo criativo, até os impérios mais poderosos deixam fichas na mesa.

  • Iger confirmou conversações reais com a Apple sobre uma fusão transformadora — mas a gigante de Cupertino simplesmente não demonstrou interesse suficiente para avançar.
  • James Bond, o ativo mais esquivo da lista estratégica da Disney, acabou nas mãos da Amazon após a aquisição da MGM, fechando definitivamente uma porta que Iger tentou abrir.
  • A Disney esteve à beira de comprar o Twitter a Jack Dorsey com o objetivo de o transformar num canal global de distribuição de conteúdos — Elon Musk chegou primeiro.
  • Das três grandes aquisições prioritárias — Marvel, Star Wars e James Bond — a Disney conquistou duas, um registo notável que não apaga a sombra das que escaparam.

Bob Iger abriu o cofre das negociações fracassadas da Disney numa entrevista ao Financial Times, revelando uma empresa que, no auge da sua ambição, perseguiu alguns dos ativos mais cobiçados do entretenimento global.

A fusão com a Apple era uma ideia com lógica aparente: a Apple tinha dinheiro, a Disney tinha conteúdo. Iger confirmou que as conversas aconteceram, mas foram curtas. "A Apple não demonstrou assim tanto interesse", disse. A relação entre as duas empresas tinha ganho peso em 2006 com a compra da Pixar por 7,4 mil milhões de dólares, que tornara Steve Jobs no maior acionista individual da Disney — mas a integração plena nunca se materializou.

A lista de aquisições estratégicas da Disney tinha três nomes no topo: Marvel, Star Wars e James Bond. Os dois primeiros foram conquistados e transformaram o portfólio da empresa. O terceiro escapou, acabando nas mãos da Amazon após a aquisição da MGM. O Twitter era outra peça que Iger queria no tabuleiro — o plano era transformá-lo num canal global de distribuição de conteúdos Disney, mas Elon Musk chegou antes.

O que estas confissões revelam é um padrão claro: a Disney tinha visão, dinheiro e ambição, mas nem sempre tinha o timing certo ou conseguia mover-se mais depressa do que a concorrência. É um registo notável — e um lembrete de que mesmo os maiores impérios do mundo não conseguem tudo o que querem.

Bob Iger, que durante anos dirigiu a Disney, abriu o cofre das negociações fracassadas da empresa numa entrevista ao Financial Times. As revelações pintam um retrato de uma companhia que, no auge da sua ambição, perseguiu alguns dos ativos mais cobiçados do entretenimento global — e falhou em quase todos os fronts que importavam.

Comecemos pela fusão com a Apple. Durante anos, analistas e jornalistas especularam se as duas gigantes tecnológicas e de media poderiam um dia unir-se. A ideia tinha lógica: a Apple tinha dinheiro, a Disney tinha conteúdo. Iger confirmou agora que as conversas realmente aconteceram. "Tivemos algumas conversações com a Apple, mas nunca chegaram a lado nenhum", disse. "A Apple não demonstrou assim tanto interesse." Estas palavras encerram uma porta que muitos acreditavam estar aberta. A relação entre as empresas tinha ganho peso em 2006, quando a Disney comprou a Pixar por 7,4 mil milhões de dólares — uma operação que transformou Steve Jobs no maior acionista individual da Disney. Iger já tinha sugerido antes que uma integração poderia ter sido viável se Jobs tivesse permanecido vivo. Mas não foi.

Mais revelador ainda foi o que Iger disse sobre a lista de aquisições estratégicas que a Disney elaborou durante esse período de expansão. Três nomes estavam no topo: Marvel, Star Wars e James Bond. A Disney conseguiu dois deles. A compra da Marvel e da Lucasfilm (proprietária de Star Wars) transformaram o portfólio de propriedade intelectual da empresa. Mas James Bond escapou. Os direitos do agente secreto britânico permaneceram fora do alcance da Disney e, eventualmente, acabaram nas mãos da Amazon após a aquisição da MGM.

O Twitter era outra peça que Iger queria no tabuleiro. A Disney esteve próxima de adquirir a rede social a Jack Dorsey, antes de Elon Musk entrar em cena. O plano era transformar a plataforma num canal global de distribuição de conteúdos Disney — uma estratégia que fazia sentido numa altura em que as empresas de media lutavam para reforçar a sua presença digital. Mas isso também não aconteceu.

O que emerge destas confissões é um padrão: a Disney tinha visão, tinha dinheiro, tinha ambição. Mas nem sempre tinha o timing certo, nem sempre conseguia convencer os vendedores, nem sempre conseguia mover-se mais rápido do que a concorrência. A Apple não estava interessada o suficiente. James Bond tinha outros donos. O Twitter foi para Musk. Duas das três aquisições que Iger perseguiu com mais afinco funcionaram. Uma não. É um registo notável, mas também um lembrete de que mesmo as maiores empresas do mundo não conseguem tudo o que querem.

Tivemos algumas conversações com a Apple, mas nunca chegaram a lado nenhum. A Apple não demonstrou assim tanto interesse.
— Bob Iger, antigo diretor-executivo da Disney
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Porque é que estas negociações fracassadas importam agora? Já passaram anos.

Model

Porque revelam como as grandes empresas pensam. Mostram que a Disney não era apenas uma máquina de fazer filmes — era uma máquina de pensar em fusões e aquisições estratégicas. E mostram onde ela falhou.

Inventor

A Apple recusou? Ou foi a Disney que não insistiu?

Model

Iger diz que foi a Apple que não demonstrou interesse. Mas há sempre duas histórias numa negociação fracassada. A verdade é que não se concretizou.

Inventor

E James Bond? Porque é que a Disney não conseguiu?

Model

Porque alguém mais rápido ou mais convincente chegou primeiro. Os direitos estavam noutras mãos. A Disney tinha uma lista, mas a lista não era garantia de nada.

Inventor

O Twitter parecia uma ideia sensata para a Disney.

Model

Era. Transformar uma rede social numa plataforma de distribuição de conteúdo fazia sentido estratégico. Mas Musk moveu-se mais depressa. E a história mudou.

Inventor

Então a Disney ganhou duas de três?

Model

Ganhou Marvel e Star Wars. Perdeu Bond e Twitter. Não é um registo perfeito, mas é o registo de uma empresa que tentou pensar grande.

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