Servidor de carreira há 25 anos, Aquino conhece cada departamento
Em toda transição de poder, há um momento em que as intenções de um governo se tornam estrutura — e é precisamente isso que ocorreu em Brasília na primeira semana de julho de 2023, quando o presidente Lula formalizou suas primeiras nomeações à diretoria do Banco Central. Ao escolher Gabriel Galípolo para a Política Monetária e Ailton de Aquino Santos para a Fiscalização, o governo sinalizou uma aposta dupla: a renovação com raízes na gestão pública e a continuidade encarnada em décadas de serviço institucional. É o momento em que uma agenda econômica deixa de ser promessa e começa a ganhar rosto.
- As primeiras nomeações de Lula ao Banco Central chegam carregadas de simbolismo: são os primeiros indicados do governo a ocupar a diretoria da instituição mais sensível da política econômica brasileira.
- A tensão entre renovação e estabilidade permeia as escolhas — Galípolo representa o novo, com passagem pelo Ministério da Fazenda, enquanto Aquino é um servidor de carreira há 25 anos dentro da própria casa.
- O Senado aprovou ambos com margens confortáveis — 39 a 12 para Galípolo e 42 a 10 para Aquino —, sinalizando que a resistência política foi limitada, mas não inexistente.
- Com as nomeações publicadas no Diário Oficial em 7 de julho, o governo Lula dá um passo concreto para moldar a condução da política monetária e da supervisão bancária nos próximos anos.
Na manhã de 7 de julho de 2023, o Diário Oficial da União trouxe a formalização de uma mudança aguardada: o presidente Lula nomeou Gabriel Galípolo e Ailton de Aquino Santos como novos diretores do Banco Central, quatro dias após a aprovação de ambos pelo Senado Federal.
Galípolo, de 41 anos e economista formado pela PUC-SP, assume a Diretoria de Política Monetária. Sua trajetória passa por secretarias estaduais de São Paulo, pela presidência do Banco Fator e, mais recentemente, pela Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda — um perfil que combina experiência pública e privada. Ele substitui Diogo Guillem, que acumulava o cargo interinamente.
Já Ailton de Aquino Santos representa um caminho diferente: 25 anos como servidor de carreira do próprio Banco Central, com passagens por auditorias e departamentos financeiros estratégicos. Advogado e contador de formação, ele assume a Diretoria de Fiscalização no lugar de Paulo Sérgio Neves de Souza, também interino.
As aprovações no Senado foram tranquilas, mas não unânimes — Galípolo com 39 votos a favor e 12 contra; Aquino com 42 favoráveis e 10 contrários. A composição das escolhas revela uma estratégia deliberada: inovar na política monetária com alguém de fora, e preservar a memória institucional na fiscalização com alguém de dentro. São os primeiros indicados de Lula à diretoria do BC, e marcam o início de uma reconfiguração que moldará a política econômica brasileira pelos próximos anos.
Na sexta-feira, 7 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou a nomeação de dois novos diretores do Banco Central através de portaria publicada no Diário Oficial da União. Gabriel Galípolo e Ailton de Aquino Santos assumem posições estratégicas na instituição após terem seus nomes aprovados pelo Senado Federal quatro dias antes.
Galípolo, de 41 anos, assume a Diretoria de Política Monetária, cargo que até então era acumulado por Diogo Guillem. Formado em ciências econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com mestrado em economia política pela mesma instituição, Galípolo traz uma trajetória marcada por passagens em órgãos públicos estaduais e federais. Trabalhou como chefe da Assessoria Econômica na Secretaria dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, dirigiu a Unidade de Estruturação de Projetos da Secretaria de Economia e Planejamento do estado, e mais recentemente atuou como secretário executivo do Ministério da Fazenda. Também presidiu o Banco Fator, uma instituição financeira privada.
Ailton de Aquino Santos, por sua vez, assume a Diretoria de Fiscalização, substituindo Paulo Sérgio Neves de Souza, que ocupava o cargo interinamente. Diferentemente de Galípolo, Aquino é uma figura de longa permanência na instituição: servidor de carreira do Banco Central há 25 anos, ele construiu sua experiência dentro da própria casa, atuando como auditor-chefe e ocupando posições de chefia em departamentos críticos como Orçamento, Execução Financeira e Contabilidade. Advogado de formação, graduado pelo Centro Universitário UDF, Aquino também possui graduação e pós-graduação em ciências contábeis pela Universidade do Estado da Bahia, além de especializações em engenharia econômica de negócios, direito público e contabilidade internacional.
A aprovação no Senado Federal ocorreu com margens confortáveis. Galípolo recebeu 39 votos a favor e 12 contra, enquanto Aquino conquistou 42 votos favoráveis e 10 contrários. Essas nomeações marcam os primeiros indicados à diretoria do Banco Central no governo Lula, sinalizando o início do processo de composição da instituição de acordo com as prioridades da administração federal. A escolha de um economista com experiência em gestão pública para a área de política monetária, combinada com a permanência de um servidor experiente na fiscalização, sugere uma estratégia de equilíbrio entre renovação e continuidade institucional.
Notable Quotes
Galípolo e Aquino são os primeiros indicados à diretoria do Banco Central no atual governo— Publicação oficial
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que essas nomeações importam agora, neste momento específico do governo Lula?
Porque são os primeiros diretores que Lula nomeia para o Banco Central. Até agora, a instituição funcionava com gestores herdados do governo anterior. Isso muda a dinâmica de como a política monetária e a fiscalização bancária serão conduzidas.
Galípolo vem do Ministério da Fazenda. Isso significa que haverá maior alinhamento entre o BC e o governo?
Não necessariamente alinhamento automático. Galípolo tem formação econômica sólida e experiência em estruturação de projetos. Mas o Banco Central tem autonomia operacional. O que muda é que agora há um diretor que conhece as prioridades do governo de dentro.
E Aquino? Ele é praticamente um insider do BC.
Exatamente. Vinte e cinco anos dentro da instituição. Ele conhece cada departamento, cada processo. Para a fiscalização, isso é valioso — não há curva de aprendizado. Mas também significa continuidade com as práticas já estabelecidas.
Qual é o risco dessa combinação?
Que a política monetária fique muito próxima das prioridades do governo, enquanto a fiscalização mantenha os padrões antigos. O ideal seria renovação em ambas as áreas, mas a política raramente funciona assim.
Eles foram aprovados com votações diferentes. Por quê?
Aquino teve mais votos porque é conhecido, é de carreira. Galípolo é mais novo no cenário nacional e mais associado ao governo, então enfrentou mais resistência. Mas ambos passaram com folga.