CEO da Microsoft admite que desistir do Windows Phone foi erro estratégico

Poderia ter havido maneiras de fazer isso funcionar
Nadella reflete sobre a decisão de abandonar o Windows Phone, sugerindo caminhos alternativos que não foram explorados.

Há algo de raro e humano na confissão de Satya Nadella: um líder de uma das maiores corporações do mundo admitindo, publicamente, que talvez tenha abandonado cedo demais um caminho que ainda guardava possibilidades. O Windows Phone — sistema que chegou a encantar pela fluidez e originalidade, mas nunca conquistou mais do que uma fatia marginal do mercado — tornou-se símbolo de como decisões estratégicas podem transformar inovação genuína em memória nostálgica. A Microsoft, que hoje prospera como fornecedora de software para os sistemas rivais que derrotaram o seu, carrega essa lição como um espelho sobre os limites do poder mesmo entre os poderosos.

  • Nadella rompeu o silêncio corporativo ao chamar o abandono do Windows Phone de 'uma das decisões mais difíceis' que tomou — e possivelmente errada.
  • O sistema chegou ao seu pico com apenas 2,35% do mercado global em 2014, enquanto Android e iPhone juntos controlavam mais de 77% — uma assimetria que tornava a batalha quase impossível.
  • Decisões internas agravaram a derrota: a incompatibilidade entre Windows Phone 7 e 8 forçou usuários leais a comprar novos aparelhos, corroendo a confiança no ecossistema.
  • A participação de mercado despencou para 0,21% antes do encerramento oficial do suporte em 2019, enquanto sete em cada dez celulares no mundo já rodavam Android.
  • A Microsoft respondeu à derrota tornando-se uma das maiores fornecedoras de aplicativos móveis para Android e iPad — vencendo no território do adversário, mas sem bandeira própria.

Em entrevista publicada no final de outubro, Satya Nadella fez uma admissão incomum para um CEO de sua estatura: abandonar o Windows Phone foi, provavelmente, um erro. Ele descreveu a decisão como uma das mais difíceis de seu mandato e sugeriu que talvez houvesse caminhos alternativos — formas de conectar PCs, tablets e telefones de maneira inovadora que nunca chegaram a ser exploradas.

O Windows Phone não nasceu fadado ao fracasso. Quando o sistema foi apresentado em 2010, suas Live Tiles e desempenho fluido ofereciam uma alternativa visualmente distinta ao Android e ao iOS. A Microsoft chegou a adquirir a divisão de smartphones da Nokia por 7 bilhões de dólares, apostando que a parceria aceleraria a adoção. Mas decisões estratégicas questionáveis foram minando o projeto: ao lançar o Windows Phone 8 em 2012, a empresa não permitiu que usuários da versão anterior fizessem upgrade, exigindo a compra de um novo aparelho. A barreira afastou quem já havia apostado no ecossistema.

O auge veio em 2014, com 2,35% de participação global — número que parecia promissor até ser colocado ao lado dos 53,65% do Android e dos 23,95% do iPhone. O declínio foi constante. Quando o suporte ao Windows 10 Mobile foi encerrado em 2019, a fatia havia caído para 0,21%.

Nadella não está sozinho no arrependimento. Steve Ballmer lamentou a distração causada pelo Windows Vista nos anos 2000, que impediu a empresa de reagir a tempo. Bill Gates foi mais categórico em 2019, chamando a perda para o Android de 'o maior erro de todos os tempos' da Microsoft — lembrando que em mercados de plataformas, o vencedor tende a levar tudo.

Hoje, a Microsoft prospera como fornecedora de software para os sistemas que derrotaram o seu. O Microsoft 365 para Android e iPad é robusto o suficiente para edições avançadas em tablets. A ironia é completa: a empresa tornou-se uma potência do software móvel — apenas sem um sistema operacional próprio para chamar de lar.

Satya Nadella, o atual CEO da Microsoft, fez uma confissão rara em uma entrevista publicada no final de outubro: abandonar o Windows Phone foi provavelmente um erro. Não foi uma admissão casual. Quando questionado sobre decisões estratégicas das quais se arrepende, Nadella foi direto ao ponto, chamando a saída do mercado de telefones celulares de "uma das decisões mais difíceis que tomei quando me tornei CEO". Ele sugeriu que talvez houvesse caminhos alternativos, maneiras de reinventar a categoria de computação móvel que conectasse PCs, tablets e telefones de forma inovadora.

O Windows Phone não era um fracasso desde o início. Em 2010, quando Joe Belfiore, então vice-presidente da Microsoft, apresentou o Windows Phone 7 na Mobile World Congress, o sistema se destacou imediatamente. As Live Tiles — aqueles blocos dinâmicos na tela inicial — ofereciam algo radicalmente diferente do que Android e iOS apresentavam. O desempenho era fluido, sem travamentos, e o design exclusivo atraiu atenção. A Microsoft até comprou a divisão de smartphones da Nokia por 7 bilhões de dólares, apostando que a parceria impulsionaria a adoção.

Mas decisões estratégicas questionáveis começaram a minar o projeto. Quando o Windows Phone 8 foi lançado em 2012, a Microsoft não permitiu que usuários de Windows Phone 7 fizessem upgrade. O novo sistema usava um kernel diferente, similar ao Windows 8, o que significava que para ter acesso era necessário comprar um novo telefone. Essa barreira custosa afastou usuários leais e prejudicou a confiança no ecossistema.

O auge do Windows Phone chegou em 2014, quando alcançou 2,35% de participação de mercado global — um número que parecia promissor até você notar que Android dominava com 53,65% e o iPhone com 23,95%. O sistema nunca decolou além disso. A Microsoft anunciou que o suporte ao Windows 10 Mobile, sucessor do Windows Phone 8, terminaria em 2019. Naquela época, a participação de mercado havia caído para apenas 0,21%, enquanto sete em cada dez celulares do mundo rodavam Android.

Nadella assumiu a liderança da Microsoft em 2014, herdando uma situação já deteriorada. Desde então, a empresa mudou de estratégia, intensificando investimentos em aplicativos móveis para Android e iPad. O Microsoft 365 para essas plataformas é agora tão completo que permite edições avançadas até em tablets. A ironia é que a Microsoft se tornou uma empresa de software móvel — apenas não através de seu próprio sistema operacional.

Nadella não está sozinho em seu arrependimento. Steve Ballmer, seu antecessor, lamentou em 2013 que no início dos anos 2000 a empresa ficou excessivamente focada no Windows Vista, incapaz de realocar talentos para o mercado móvel quando a janela de oportunidade ainda estava aberta. Bill Gates foi ainda mais direto em 2019, chamando a perda para o Android de "o maior erro de todos os tempos" da Microsoft, explicando que em mercados de software e plataformas, o vencedor leva tudo — e a Microsoft não foi esse vencedor.

A confissão de Nadella ressoa porque muitos usuários ainda sentem falta do Windows Phone. Nas redes sociais, pessoas descrevem o sistema como fluido, satisfatório de usar, com câmeras superiores à época e tecnologias inovadoras como o modo desktop. O que poderia ter sido a terceira via viável no mercado de smartphones permanece um exercício de "e se", uma lembrança de como decisões estratégicas e de engenharia podem transformar inovação em obscuridade.

Uma das decisões mais difíceis que tomei quando me tornei CEO. Acho que poderia ter havido maneiras de fazer isso funcionar, talvez reinventando a categoria de computação entre PCs, tablets e telefones.
— Satya Nadella, CEO da Microsoft
O maior erro de todos os tempos foi qualquer má gestão que cometi e que fez com que a Microsoft não fosse o que o Android é.
— Bill Gates, fundador da Microsoft
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Inventor

Por que você acha que o Windows Phone tinha potencial real, além do design?

Model

O sistema era genuinamente fluido. Não havia aquele lag que você sentia no Android da época, e as Live Tiles ofereciam uma forma de interagir com informações que era radicalmente diferente. Não era apenas estética — era funcional de um jeito que iOS e Android não eram.

Inventor

Mas 2,35% de market share em 2014 não é exatamente sucesso.

Model

Não, mas é onde você chega quando toma decisões ruins. Se o Windows Phone 8 tivesse sido compatível com o 7, se a Microsoft não tivesse cobrado um novo telefone para atualizar, talvez aquele número fosse muito diferente.

Inventor

A Microsoft tinha a Nokia. Isso não deveria ter sido suficiente?

Model

Deveria ter sido. Sete bilhões de dólares é muito dinheiro. Mas a Nokia também estava em declínio, e a Microsoft não conseguiu transformar aquela aquisição em momentum de mercado. O timing importa.

Inventor

Nadella diz que poderia ter "reinventado a categoria". O que isso significa na prática?

Model

Significa que talvez houvesse um espaço para um sistema que funcionasse perfeitamente entre um PC, um tablet e um telefone — algo que sincronizasse de forma verdadeira. Hoje a Microsoft faz isso com software em plataformas alheias. Imagine se tivessem feito com o seu próprio sistema.

Inventor

Bill Gates chamou de "o maior erro de todos os tempos". Você concorda?

Model

É difícil discordar. Em mercados de plataforma, quem vence leva tudo. A Microsoft perdeu a chance de ser a plataforma móvel padrão que não era da Apple. Isso moldou toda a década seguinte.

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