Meu sonho era ser a WEG do Oeste de SC
Em Pinhalzinho, no Oeste catarinense, um filho de agricultores que aprendeu o ofício no Senai transformou o desafio de consertar chuveiros defeituosos em uma indústria que hoje emprega 2.700 pessoas e projeta faturar R$ 1 bilhão. Roberto Zagonel percorreu esse caminho não apenas como empreendedor, mas como alguém moldado por adversidades profundas — uma queda que o deixou tetraplégico e a leucemia do filho — que reforçaram sua convicção de que o verdadeiro propósito de uma empresa é a dignidade das pessoas que ela sustenta. Sua história é um lembrete de que grandes indústrias, às vezes, nascem de perguntas simples feitas por colegas de pensão numa noite fria.
- A aquisição das marcas Corona e Thermosystem em outubro de 2024 catapultou a Zagonel à segunda posição no mercado nacional de duchas elétricas, criando uma pressão competitiva que agora obriga o setor a se reposicionar.
- Um investimento de R$ 200 milhões em uma nova fábrica de 100 mil metros quadrados em Pinhalzinho sinaliza uma aposta de alto risco em expansão acelerada, com a meta de dobrar o faturamento em 2026.
- A empresa enfrenta o desafio de escalar operações em duas frentes geográficas distantes — Santa Catarina e Sergipe — mantendo a cultura de inovação e cuidado com os colaboradores que define sua identidade.
- Zagonel navega esse crescimento com uma bússola humana: salários dignos, espaços de descanso inspirados no Google e a consciência de que, em cidades pequenas, cada emprego é a base de uma família inteira.
- A trajetória aponta para a consolidação de um polo tecnológico industrial no interior catarinense, com Zagonel aspirando replicar no Oeste o modelo de impacto regional que a WEG representa no Leste do Estado.
Roberto Zagonel cresceu filho de agricultores em Pinhalzinho, no Oeste catarinense, com sonhos modestos — um carro, uma casa. Depois de um curso técnico no Senai, abriu uma pequena oficina consertando chuveiros e máquinas. O ponto de virada veio quando colegas de pensão em Chapecó o desafiaram a resolver um problema aparentemente trivial: os chuveiros da época esquentavam demais ou de menos. Ele estudou o tema a fundo e, em 1994, lançou a primeira ducha eletrônica fabricada no Brasil.
De um produto nasceu uma indústria. A Zagonel expandiu para torneiras elétricas e iluminação LED, chegando a 2.700 empregos diretos distribuídos entre Pinhalzinho e uma fábrica em Aracaju. Em outubro de 2024, a aquisição das marcas Corona e Thermosystem do grupo Dexco transformou a empresa na segunda maior fabricante de duchas elétricas do país — posição que, segundo Zagonel, faz com que quase todas as lojas brasileiras queiram oferecer suas marcas como segunda opção ao consumidor.
A vida pessoal carrega marcas que a trajetória empresarial não apaga. Uma queda em obra o deixou tetraplégico há cerca de dois anos; com tratamentos persistentes, recuperou os movimentos. Antes disso, seu filho enfrentou uma leucemia grave e venceu a doença sem precisar do transplante de medula que a irmã, totalmente compatível, estava pronta para oferecer. Essas experiências moldaram sua filosofia: pessoas, dignidade e responsabilidade vêm antes dos números.
Essa visão se materializa na nova fábrica em construção — 100 mil metros quadrados com R$ 200 milhões de investimento, incluindo um espaço de descompressão com 500 beliches para que os funcionários descansem durante o turno. Zagonel tem uma referência clara: a WEG, gigante catarinense de Jaraguá do Sul. 'Meu sonho era ser a WEG do Oeste de SC', disse em palestra recente. A projeção para 2026 é dobrar o faturamento. Se a trajetória se mantiver, o bilhão de reais deixará de ser estimativa — mas para Zagonel, o número sempre importou menos do que o caminho.
Roberto Zagonel começou onde muitos começam: com um sonho pequeno. Queria um carro. Queria uma casa. Era filho de agricultores em Pinhalzinho, no Oeste catarinense, e depois de terminar um curso técnico no Senai, abriu um pequeno negócio consertando chuveiros e máquinas. Ninguém poderia ter previsto que trinta e sete anos depois, a empresa que nasceu desses consertos simples faturaria perto de um bilhão de reais.
O ponto de virada veio cedo. Quando Zagonel estudava em Chapecó, colegas da pensão onde morava o desafiaram a resolver um problema que parecia trivial: os chuveiros elétricos da época esquentavam demais ou de menos. Ele aceitou o desafio, estudou profundamente o tema e desenvolveu uma solução. Em 1994, cinco anos depois de fundar a empresa como oficina de consertos, lançou a primeira ducha eletrônica fabricada no país. A inovação não foi acidental. Zagonel havia crescido consertando coisas ao lado do pai, e essa curiosidade mecânica nunca o abandonou.
De um produto nasceu uma indústria. A Zagonel expandiu para torneiras elétricas, depois para iluminação pública e privada com lâmpadas de LED. Hoje emprega 2.700 pessoas diretamente, com cerca de 1.500 em Pinhalzinho e mais de mil em uma fábrica em Aracaju, Sergipe. O crescimento acelerou em outubro de 2024, quando a empresa adquiriu as marcas Corona e Thermosystem do grupo paulista Dexco, transformando-se na segunda maior fabricante de chuveiros e duchas elétricos do país. Essa posição de mercado criou um efeito que Zagonel descreve com clareza: quase todas as lojas brasileiras agora querem oferecer duas opções aos clientes, e isso impulsiona as vendas de suas marcas.
Mas Zagonel não mira apenas em números. Ele tem uma referência clara: a WEG, a gigante catarinense de tecnologia baseada em Jaraguá do Sul, no Leste do Estado. "Eu sempre mirei a WEG", disse ele durante uma palestra no fórum "O desafio da execução" da Câmara Americana de Comércio em Florianópolis. "Meu sonho era ser a WEG do Oeste de SC." Essa aspiração não é vaidade. É um norte que orienta decisões sobre inovação contínua e responsabilidade com as pessoas que trabalham para ele. Zagonel começa o dia às cinco da manhã e o encerra às onze da noite, movido pela consciência de que seus colaboradores dependem do sucesso da empresa.
A vida pessoal de Zagonel carrega o peso que a vida pública raramente revela. Há cerca de dois anos, sofreu uma queda em uma obra que o deixou tetraplégico. Com tratamentos persistentes, recuperou os movimentos. Cinco anos antes disso, seu filho foi diagnosticado com uma leucemia forte. O menino venceu a doença através de tratamentos, sem precisar do transplante de medula que sua irmã, totalmente compatível, estava pronta para oferecer. Essas experiências moldaram sua visão sobre o que importa: pessoas, dignidade, responsabilidade.
Essa filosofia se reflete na fábrica que está construindo. A Zagonel investe 200 milhões de reais em uma unidade de 100 mil metros quadrados em Pinhalzinho. Além de linhas de produção, haverá um espaço de descompressão próximo ao refeitório, inspirado nos ambientes do Google, com 500 beliches para que os funcionários possam descansar vinte minutos durante o turno. Zagonel insiste em pagar bons salários para que as pessoas tenham uma vida digna, incluindo lazer nos fins de semana. Em uma cidade pequena como Pinhalzinho, esses empregos não são apenas oportunidades econômicas. São a base da vida das famílias.
A projeção para 2026 é dobrar o faturamento em relação ao ano anterior. Se a trajetória continuar, o bilhão de reais deixará de ser uma estimativa e se tornará realidade. Mas para Zagonel, o número importa menos do que o caminho. Ele começou consertando chuveiros porque alguém o desafiou a melhorar algo que não funcionava bem. Trinta e sete anos depois, continua fazendo exatamente isso: melhorando, inovando, construindo. E agora, construindo também para as pessoas que o ajudaram a chegar aqui.
Notable Quotes
Eu sempre mirei a WEG. Meu sonho era ser a WEG do Oeste de SC. Conforme a gente vai crescendo, a gente mira em alguém especial.— Roberto Zagonel
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como um conserto de chuveiro vira uma indústria de um bilhão de reais?
Não foi o conserto em si. Foi a curiosidade. Zagonel aceitou um desafio de colegas, estudou profundamente o problema, e desenvolveu uma solução que ninguém tinha feito antes. Depois disso, ele nunca parou de perguntar: como posso melhorar isso?
Mas por que ele escolheu a WEG como referência e não outra empresa?
Porque a WEG é catarinense, como ele. Porque ela prova que é possível sair do interior e construir algo global. E porque ela faz isso através de inovação contínua, que é exatamente o que Zagonel acredita que funciona.
Ele trabalha de cinco da manhã até onze da noite. Isso não é insano?
Para ele, não é insanidade. É responsabilidade. Ele sabe que 1.500 famílias em Pinhalzinho e mais de mil em Aracaju dependem do sucesso da empresa. Quando você vê dessa forma, o horário deixa de ser uma escolha pessoal e vira um compromisso.
A queda que o deixou tetraplégico e a leucemia do filho — como isso muda a forma como ele vê o negócio?
Muda tudo. Quando você passa por algo assim, você entende que as pessoas não são números. Por isso ele insiste em pagar bem, em oferecer lazer, em construir um espaço onde as pessoas possam descansar. Não é filantropia. É reconhecimento de que a vida é frágil.
A fábrica nova com beliches para sonecas de vinte minutos — isso é inovação ou marketing?
É ambos. Mas mais importante: é uma aposta de que pessoas descansadas trabalham melhor e vivem melhor. Em uma cidade pequena, isso muda a qualidade de vida de milhares de pessoas.