Eu não posso ser a favor disso
Manzoni critica gestão Ibaneis e denuncia dívida do BRB que será transferida ao DF, questionando a viabilidade fiscal. PL forma 'chapa pura' ao Senado com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, frustrando expectativas de Ibaneis de apoio bolsonarista.
- Deputado Thiago Manzoni (PL) deixa base de Ibaneis Rocha (MDB)
- Michelle Bolsonaro e Bia Kicis disputarão Senado pelo PL em 2026
- Escândalo do Banco de Brasília: tentativa de compra do Banco Master deixaria dívida para o DF
- Quatro pedidos de impeachment contra Ibaneis foram protocolados e arquivados
- PL apoiará Celina Leão (MDB) para governo do DF em 2026
Deputado Thiago Manzoni anuncia saída da base do governo Ibaneis, citando irregularidades no BRB e afirmando ter sido ofendido pelo governador. Simultaneamente, PL lança Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para o Senado em 2026.
Na terça-feira à noite, o deputado Thiago Manzoni subiu ao plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal e anunciou sua saída da base de apoio ao governador Ibaneis Rocha. A decisão marca um ponto de ruptura em um governo que já enfrenta pressões crescentes — quatro pedidos de impeachment foram protocolados nas últimas semanas, todos arquivados pela Mesa Diretora, mas sinais claros de desgaste político.
Manzoni, filiado ao Partido Liberal, não poupou críticas. Afirmou que ligou para o governador e foi ofendido por ele, mas deixou claro que não teme retaliação. O que o levou ao rompimento, porém, foi uma questão de princípio fiscal e moral. O deputado cobrou explicações sobre as irregularidades reveladas desde a tentativa fracassada de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília — uma operação que deixaria o BRB com uma dívida monumental que seria transferida para os cofres públicos do Distrito Federal. "O DF que está com dificuldade de pagar salários, vai agora aportar recursos de maneira ilimitada para salvar o BRB. Eu não posso ser a favor disso", disse Manzoni. Sua posição é simples: fazer oposição ao que considera errado, ainda que isso signifique fazer oposição ao governo.
No mesmo dia, o Partido Liberal anunciou um movimento que frustra as esperanças políticas de Ibaneis. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis disputarão as duas vagas em aberto no Senado em 2026, formando uma "chapa pura" — sem apoio a candidatos de outras legendas. A decisão, confirmada por Bia Kicis ao G1, conta com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no Complexo Penitenciário da Papuda. Ibaneis, que é aliado da família Bolsonaro e esperava uma "benção" para sua própria candidatura ao Senado, viu seus planos desmoronarem. Em mensagem ao G1, o governador afirmou apenas que mantém sua pré-candidatura, mas reconheceu que a decisão do PL é "de outro partido".
A tensão nos bastidores é palpável. Ibaneis enfrenta uma crise de imagem desde o escândalo do Banco de Brasília e agora vê o apoio bolsonarista ser redirecionado. Bia Kicis, presidente do PL no Distrito Federal, explicou que a legenda decidiu "valorizar seu quadro próprio". Ela também revelou que o partido não lançará candidato ao governo do DF em 2026, apoiando em seu lugar a atual vice-governadora Celina Leão, do MDB. Essa articulação, segundo Kicis, foi conduzida pela própria Michelle Bolsonaro junto à direção nacional do partido.
O que se desenha é um cenário político fragmentado. O governador que esperava consolidar sua transição para o Senado com respaldo bolsonarista agora enfrenta um deputado que o acusa publicamente de irregularidades, um partido que o abandona para lançar seus próprios nomes, e uma vice-governadora que receberá o apoio que poderia ter sido seu. Manzoni, por sua vez, deixa claro que sua lealdade é aos princípios, não às alianças. "Eu vou ser fiel e leal aos princípios, valores, ética e moral que me trouxeram até aqui", afirmou no plenário. O Distrito Federal segue para 2026 com suas eleições já marcadas por fraturas profundas.
Citações Notáveis
Se fazer oposição ao que é escuso, o que não é certo, o que é errado, o que penaliza a população, se fazer oposição a tudo isso é fazer oposição ao governo Ibaneis então eu farei— Deputado Thiago Manzoni
Eu e a Michelle somamos forças, trajetórias e públicos diferentes, mas com o mesmo eixo de valores e de pautas, como liberdade, família, respeito ao cidadão e defesa do Distrito Federal— Deputada Bia Kicis
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Manzoni decidiu romper agora, especificamente? Havia sinais antes?
O escândalo do Banco de Brasília foi o catalisador. Quando você vê um governo tentando transferir uma dívida bilionária para um estado que já não consegue pagar salários, a lealdade política tem limite.
E o xingamento que ele menciona? Por que o governador teria reagido assim?
Ibaneis estava sob pressão. Quatro pedidos de impeachment, a imagem abalada, e um deputado da sua própria base questionando publicamente suas decisões. Às vezes a reação é visceral.
Michelle Bolsonaro e Bia Kicis juntas no Senado — isso era esperado?
Não para Ibaneis. Ele apostava que a família Bolsonaro o apoiaria. Mas o PL decidiu que era mais importante consolidar seu próprio poder no DF do que ajudar um governador do MDB.
Celina Leão sai ganhando disso tudo?
Muito. Ela fica com o apoio do PL para o governo, enquanto Ibaneis sai do cargo em março sem ter conseguido sua vaga no Senado. É uma reconfiguração completa do tabuleiro.
E Manzoni? Ele fica isolado agora?
Não necessariamente. Ele se posiciona como o deputado que não aceita irregularidades. Isso pode ressoar com eleitores cansados de escândalos. A oposição ganha um nome com credibilidade.