Denúncia liga IPMC a investimento em fundo associado ao caso Banco Master

A relação entre o fundo e o Banco Master surgiu apenas anos após o investimento
O IPMC argumenta que não havia vínculo quando aplicou os recursos no fundo imobiliário funerário.

Em Cascavel, uma denúncia lançada nas redes sociais por um influenciador e pré-candidato a deputado federal colocou o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos Municipais — o IPMC — diante de questionamentos sobre a destinação de recursos previdenciários aplicados em um fundo imobiliário funerário que, anos depois, viria a ser associado ao escândalo do Banco Master. A acusação toca em algo que transcende o caso local: a fragilidade da confiança pública quando o dinheiro de aposentados percorre caminhos que, mesmo legais, se revelam turvos à luz de eventos posteriores. O instituto nega irregularidades e apresenta dados que sugerem saúde patrimonial, mas as divergências sobre valores e vínculos mantêm a questão em aberto — e com ela, a pergunta sobre quem, afinal, guarda os guardiões da previdência.

  • Um vídeo viral acusa o IPMC de Cascavel de ter aplicado quase R$ 10 milhões da previdência municipal em um fundo funerário ligado ao grupo Master, cujo banco foi liquidado em 2025.
  • A denúncia, feita por um influenciador com ambições eleitorais, mistura escândalo financeiro nacional com gestão local, amplificando o impacto político e a desconfiança pública.
  • O IPMC reage com dados e argumentos técnicos: o aporte foi de R$ 6 milhões, o fundo era regulado pela CVM, e a ligação com o Banco Master só surgiu em 2025 — sete anos após o investimento inicial.
  • Permanecem sem consenso o valor exato investido, a extensão dos prejuízos alegados e a real natureza da relação entre o fundo e as operações do grupo Master.
  • O caso aponta para a necessidade de investigação independente sobre a gestão de recursos previdenciários municipais, enquanto o patrimônio líquido do IPMC cresceu de R$ 253 milhões para R$ 897 milhões na última década.

Gabriel Bertolucci, influenciador e pré-candidato a deputado federal, publicou um vídeo acusando o IPMC de Cascavel de ter investido recursos da previdência municipal no fundo Brazilian Graveyard and Death Care Services — um fundo imobiliário voltado ao setor funerário que, anos depois, seria associado ao escândalo do Banco Master, liquidado em novembro de 2025. Segundo Bertolucci, quase R$ 10 milhões foram aplicados em 2018, durante a gestão do então prefeito Leonaldo Paranhos, e a operação teria gerado um prejuízo próximo de R$ 900 mil, além de envolver sanções da CVM em 2022 e 2025.

O IPMC rejeitou as acusações com firmeza. O presidente da autarquia, Alcineu Gruber, afirmou que o instituto nunca investiu diretamente em produtos do Banco Master, que o fundo era regulado pela CVM e negociado em bolsa, e que a Master Corretora só passou a administrá-lo em julho de 2025 — por decisão dos próprios cotistas —, sendo substituída meses depois. O instituto também contestou o valor citado: segundo seus registros, o aporte foi de R$ 6 milhões, não R$ 10 milhões, diferença que pode refletir variações no valor das cotas ao longo do tempo.

Sobre as multas mencionadas por Bertolucci, o IPMC esclareceu que uma delas se refere a sanções impostas pela CVM a terceiros por operações com cotas do fundo, sem relação direta com o investimento municipal. Quanto ao patrimônio, a autarquia afirma que mais de 88% dos recursos estão em renda fixa, com carteira distribuída em 28 fundos e 11 instituições, e que o patrimônio líquido saltou de R$ 253 milhões em 2016 para cerca de R$ 897 milhões em 2026.

A controvérsia permanece sem resolução definitiva. As divergências sobre valores, prejuízos e vínculos com o grupo Master indicam que apenas uma investigação independente e aprofundada poderá esclarecer o que de fato ocorreu com o dinheiro dos servidores públicos de Cascavel.

Gabriel Bertolucci, influenciador e pré-candidato a deputado federal, publicou um vídeo nas redes sociais acusando o IPMC de Cascavel de ter investido recursos da previdência municipal em um fundo imobiliário posteriormente associado ao escândalo do Banco Master, liquidado em novembro de 2025. A denúncia repercutiu rapidamente e colocou o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Cascavel no centro de uma controvérsia que envolve a gestão de recursos públicos e possíveis ligações com investigações da Comissão de Valores Mobiliários.

Segundo Bertolucci, quase R$ 10 milhões da previdência municipal foram aplicados em 2018 no fundo Brazilian Graveyard and Death Care Services, voltado ao setor de cemitérios e serviços funerários. O influenciador sustenta que esses recursos contribuíram para operações posteriormente associadas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e que a operação teria ocorrido durante a gestão do então prefeito Leonaldo Paranhos. Ele também menciona um prejuízo próximo de R$ 900 mil e cita sanções aplicadas pela CVM em 2022 e 2025.

O IPMC, por sua vez, rejeita categoricamente as acusações. Em nota e entrevista, o presidente da autarquia, Alcineu Gruber, afirmou que o instituto nunca investiu diretamente em produtos financeiros emitidos pelo Banco Master e que todas as aplicações seguiram rigorosamente a legislação previdenciária. Segundo Gruber, o fundo imobiliário era regulado pela CVM, negociado em bolsa e reunia milhares de investidores em todo o país, incluindo diversos regimes próprios de previdência social. O instituto destaca ainda que o fundo não foi criado pelo Banco Master e que a relação entre ambos surgiu apenas anos após o IPMC ingressar no investimento.

Um dos pontos centrais da disputa é o valor investido. Enquanto Bertolucci afirma que o investimento alcançava quase R$ 10 milhões em 2018, o IPMC sustenta que o aporte realizado naquele ano foi de R$ 6 milhões, diferença que pode estar relacionada à valorização ou desvalorização das cotas ao longo do tempo. Outro aspecto contestado é a alegação de que o fundo teria sido utilizado para sustentar operações do grupo Master. O IPMC argumenta que quando os recursos foram aplicados não havia qualquer vínculo entre o fundo e o Banco Master. A Master Corretora passou a atuar como administradora fiduciária do fundo apenas em julho de 2025, por decisão dos cotistas, e foi substituída meses depois pela Mérito Distribuidora.

Quanto às multas citadas por Bertolucci, o IPMC esclarece que quando a Master Corretora assumiu a administração fiduciária, a instituição estava regularmente habilitada para operar com regimes próprios de previdência. A segunda punição mencionada refere-se a sanções impostas pela CVM aos irmãos Roberto e Márcio Schumann por operações envolvendo cotas do fundo CARE11, não diretamente relacionadas ao investimento do IPMC.

Sobre a questão do prejuízo, o IPMC afirma que durante o período em que a Master Corretora administrou o fundo não houve alteração relevante nos ativos nem impacto negativo ao patrimônio dos cotistas. A autarquia diz acompanhar o processo de encerramento do investimento e buscar a venda das cotas por valor considerado adequado. Segundo dados do instituto, mais de 88% dos recursos estão atualmente aplicados em renda fixa, com cerca de 42% da carteira na Caixa Econômica Federal e investimentos distribuídos em 28 fundos administrados por 11 instituições financeiras. O patrimônio líquido da autarquia cresceu de aproximadamente R$ 253 milhões em 2016 para cerca de R$ 897 milhões em 2026.

A controvérsia permanece em aberto, com divergências significativas sobre valores investidos, prejuízos alegados e a natureza da relação entre o fundo e as operações do Banco Master. As acusações de Bertolucci e as respostas do IPMC sugerem que investigações mais profundas sobre a gestão de recursos previdenciários municipais podem ser necessárias para esclarecer completamente o caso.

O instituto nunca investiu diretamente em produtos financeiros emitidos pelo Banco Master, e todas as aplicações seguiram a legislação previdenciária
— Alcineu Gruber, presidente do IPMC
O fundo não foi criado pelo Banco Master e a relação entre ambos surgiu anos após o ingresso do IPMC no investimento
— IPMC, em resposta às acusações
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que um influenciador decidiu investigar os investimentos de um instituto de previdência municipal?

Model

Bertolucci é pré-candidato a deputado federal. Investigações sobre gestão pública e possíveis irregularidades ganham visibilidade nas redes sociais, especialmente quando envolvem dinheiro de servidores públicos.

Inventor

O IPMC realmente investiu em um fundo ligado ao Banco Master, ou isso é uma interpretação?

Model

O fundo existia e o IPMC investiu nele. Mas o instituto nega que o fundo fosse criado pelo Banco Master ou que tivesse sido usado para operações do grupo. A ligação surgiu depois, quando a Master Corretora assumiu como administradora.

Inventor

Qual é a diferença entre R$ 6 milhões e R$ 10 milhões? Alguém está mentindo?

Model

Pode ser valorização das cotas ao longo do tempo. Se você investe R$ 6 milhões e as cotas sobem, seu patrimônio cresce. Bertolucci pode estar citando o valor total em 2018, enquanto o IPMC cita apenas o aporte inicial.

Inventor

E o prejuízo de R$ 900 mil que Bertolucci menciona?

Model

O IPMC nega que houve prejuízo durante a administração da Master Corretora. Diz que está vendendo as cotas por valor adequado. Sem auditoria independente, é difícil saber quem está certo.

Inventor

Por que isso importa agora, se o Banco Master foi liquidado em 2025?

Model

Porque questiona como recursos de servidores públicos foram gerenciados e se havia supervisão adequada. Se o IPMC investiu em um fundo que depois se mostrou problemático, há responsabilidades a esclarecer.

Inventor

O IPMC está realmente seguro em sua posição?

Model

Tecnicamente, sim. O fundo era regulado, negociado em bolsa, tinha milhares de investidores. Mas a proximidade com agentes investigados pela CVM deixa questões em aberto.

Quieres la nota completa? Lee el original en O Parana ↗
Contáctanos FAQ