OMS define prioridades para desenvolvimento de terapias pediátricas contra dengue

Crianças menores de 15 anos representam a maioria dos casos de dengue e enfrentam maior risco de evolução para formas graves e complicações.
As crianças não podem esperar que medicamentos sejam aprovados para adultos
A OMS recomenda que estudos pediátricos comecem assim que houver dados suficientes de adultos, evitando o atraso histórico.

A maioria das vítimas de dengue no mundo tem menos de 15 anos, mas nenhum tratamento licenciado existe para elas — apenas suporte clínico e esperança. Em junho de 2026, a OMS realizou seu primeiro exercício PADO voltado à dengue, reunindo especialistas para definir, desde o início da pesquisa, quais formulações e candidatos terapêuticos merecem prioridade para crianças. É um reconhecimento tardio, mas deliberado, de que a infância não pode continuar sendo o último estágio da ciência médica.

  • Crianças menores de 15 anos representam a maioria dos casos de dengue e as menores de dois anos enfrentam risco desproporcional de complicações graves — sem nenhum medicamento licenciado disponível para elas.
  • O exercício PADO da OMS rompe com o padrão histórico de testar remédios em adultos primeiro e adaptar para crianças anos depois, exigindo que os estudos pediátricos comecem assim que houver dados suficientes de adultos.
  • Comprimidos orodispersíveis foram eleitos a formulação ideal para dengue não grave — dissolvem na boca, dispensam água e funcionam tanto em clínicas quanto em domicílios em clima tropical.
  • Cinco candidatos terapêuticos avançados foram identificados para investigação pediátrica, com o SII Dengue mAb na lista prioritária dos próximos três a cinco anos, enquanto os demais entram em monitoramento.
  • Lacunas críticas persistem: a absorção de medicamentos orais em crianças com dengue grave ainda é desconhecida, e populações como crianças com obesidade, desnutrição e doenças imunomediadas seguem excluídas dos estudos.

A dengue mata e hospitaliza crianças em números que deveriam alarmar qualquer sistema de saúde. A maioria dos doentes tem menos de 15 anos, as menores correm risco desproporcional de desenvolver a forma grave — e até hoje não existe nenhum tratamento licenciado para elas. O manejo segue sendo apenas suporte: soro, monitoramento, esperança.

Em junho de 2026, a OMS realizou seu primeiro exercício PADO (Paediatric Drug Optimization) voltado especificamente para dengue. O processo reuniu especialistas, pesquisadores, reguladores e representantes de organizações internacionais com um objetivo claro: definir prioridades para o desenvolvimento de terapias que funcionem em crianças desde o início da pesquisa — não como correção de última hora.

Para dengue não grave, o consenso apontou o comprimido orodispersível palatável como formulação ideal: dissolve na boca, dispensa água e funciona em consultório ou em casa. Formulações líquidas oferecem flexibilidade de dose, mas enfrentam problemas de estabilidade em clima quente. Para dengue grave, a via intravenosa é a principal opção — mas os especialistas reconheceram que algumas crianças ainda toleram medicamentos orais mesmo nesse estágio, e que há uma lacuna importante: ninguém sabe bem como esses medicamentos são absorvidos quando a criança está gravemente doente.

Cinco candidatos terapêuticos em estágios avançados foram avaliados — SII Dengue mAb, AV-1, EYU 688, Fenretinide e Mosnodenvir. As evidências não permitiram priorizar um sobre os outros, e a recomendação foi que todos avancem para pesquisa pediátrica. O SII Dengue mAb, por estar mais adiantado no desenvolvimento clínico, entrou na lista prioritária para os próximos três a cinco anos.

O grupo também destacou a necessidade urgente de incluir crianças menores de dois anos nos estudos — justamente as de maior risco — além de populações negligenciadas como crianças com obesidade, desnutrição e doenças imunomediadas. A mensagem da OMS é direta: quando novos antivirais chegarem, os estudos em crianças não podem esperar. Dessa vez, precisam começar agora.

A dengue segue matando e hospitalizando crianças em números que deveriam alarmar qualquer sistema de saúde. A maior parte dos doentes tem menos de 15 anos. As crianças pequenas correm risco desproporcional de desenvolver a forma grave da doença e suas complicações. E até agora, não existia um tratamento licenciado para nenhuma delas. O manejo seguia sendo apenas suporte — soro, monitoramento, esperança.

Em junho de 2026, a Organização Mundial da Saúde realizou seu primeiro exercício de otimização pediátrica de medicamentos voltado especificamente para dengue. Chamado PADO (Paediatric Drug Optimization), o processo reuniu especialistas, pesquisadores, reguladores e representantes de organizações internacionais com um objetivo claro: definir prioridades para o desenvolvimento de terapias que funcionem em crianças, e fazê-lo desde o início da pesquisa, não como uma correção de última hora.

O PADO não é uma diretriz clínica. Não diz aos médicos o que prescrever. Ele identifica quais produtos e formulações merecem atenção prioritária — qual forma de medicamento funciona melhor quando você precisa dar um remédio a uma criança com dengue. Os especialistas discutiram características que importam na prática: flexibilidade de dose, se a criança consegue engolir, se o gosto é aceitável, se o medicamento sobrevive ao calor tropical, como o estômago tolera. Para crianças sem vômitos persistentes, o consenso foi claro: um comprimido orodispersível palatável. Dissolve na boca, não precisa de água, funciona em consultório ou em casa. As formulações líquidas oferecem flexibilidade de dose, mas enfrentam problemas de estabilidade química em clima quente. Outras formas — bucal, sublingual, retal — foram descartadas como inadequadas.

Para dengue não grave, o grupo definiu como aceitável uma formulação oral sólida que possa ser tomada inteira ou dispersa, com a possibilidade também de injetáveis em dose única. O ideal permanece a formulação oral, preferencialmente aquele comprimido orodispersível. Para dengue grave, a via intravenosa é a principal opção — faz sentido, a criança está muito doente. Mas os especialistas notaram algo importante: algumas crianças com dengue grave ainda conseguem tolerar medicamentos por via oral. Então uma formulação sólida dispersível também seria desejável. E há uma lacuna de conhecimento que precisa ser preenchida: ninguém sabe bem como medicamentos orais são absorvidos quando uma criança está com dengue grave. Isso precisa ser investigado.

O grupo avaliou cinco candidatos terapêuticos em estágios avançados de desenvolvimento: SII Dengue mAb (VIS513), AV-1, EYU 688, Fenretinide (ISLA-001) e Mosnodenvir (JNJ-1802). As evidências disponíveis não permitiram priorizar um sobre os outros. A recomendação foi que todos avancem para pesquisa pediátrica. O SII Dengue mAb, por estar mais adiantado no desenvolvimento clínico, entrou na lista prioritária do PADO para os próximos três a cinco anos. Os demais entraram em monitoramento.

Mas há um vazio ainda maior. A pesquisa clínica em dengue precisa incluir crianças menores de dois anos — justamente as que correm maior risco. O grupo também destacou a necessidade de melhorar como se recrutam crianças para estudos, como se desenham os testes, como se definem os resultados que importam. E há populações negligenciadas: crianças com obesidade, desnutrição, doenças imunomediadas. Elas precisam estar nos estudos também.

A mensagem prática é simples e urgente: quando novos antivirais para dengue chegarem, os estudos em crianças não podem esperar. Precisam começar assim que houver dados suficientes de adultos. Historicamente, as crianças sempre ficam para trás — medicamentos são testados em adultos primeiro, e leva anos até que alguém se lembre de testar em crianças. Dessa vez, a OMS está dizendo: não. Comecem agora. As crianças estão adoecendo agora.

O exercício PADO estabelece prioridades para que futuras terapêuticas sejam desenvolvidas considerando as necessidades específicas da população pediátrica
— Organização Mundial da Saúde
A principal mensagem é a necessidade de iniciar investigações pediátricas assim que dados suficientes de adultos estiverem disponíveis
— Conclusão do exercício PADO
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a OMS decidiu fazer isso agora? Dengue existe há décadas.

Model

Porque finalmente temos candidatos terapêuticos reais em desenvolvimento avançado. Não faz sentido esperar que um medicamento seja aprovado para adultos e depois tentar adaptá-lo para crianças. É mais eficiente — e mais justo — pensar nas crianças desde o começo.

Inventor

E por que um comprimido que dissolve na boca é tão importante?

Model

Porque funciona na realidade. Uma criança pequena pode não conseguir engolir um comprimido inteiro. Água nem sempre está disponível. Um comprimido orodispersível dissolve na língua, é rápido, e você não precisa de nada além da criança estar ali.

Inventor

Mas e se a criança tem dengue grave? Ela consegue tomar um comprimido?

Model

Boa pergunta. Alguns conseguem, alguns não. Por isso a via intravenosa é o padrão para dengue grave. Mas os especialistas reconhecem que nem toda criança com dengue grave está tão mal assim. Então ter uma opção oral também faz sentido — se a criança conseguir tolerar.

Inventor

Qual é o maior problema agora?

Model

Crianças menores de dois anos quase não aparecem nos estudos. São justamente as que correm mais risco. E há um vazio de conhecimento: ninguém sabe direito como medicamentos orais são absorvidos quando uma criança está com dengue grave. Isso precisa ser investigado.

Inventor

Então nada disso é novo ainda. Tudo está em desenvolvimento.

Model

Exatamente. O PADO não aprova nada. Ele diz: eis o que as crianças precisam, eis como os medicamentos devem ser feitos para funcionar nelas. Agora os pesquisadores têm um mapa.

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