Déficit de mão de obra qualificada compromete produtividade do Brasil

Sem mão de obra qualificada, não há inovação. Sem inovação, não há crescimento.
A falta de 75 mil engenheiros no Brasil bloqueia a participação do país em transformações econômicas em curso.

O Brasil recua ao 65º lugar entre 70 economias no ranking mundial de competitividade, revelando não apenas uma estatística, mas uma ferida estrutural antiga: a distância entre o que o país produz em talentos e o que a economia do século XXI exige. A escassez de 75 mil engenheiros e um investimento em educação que representa metade do considerado ideal apontam para um ciclo em que a falta de qualificação inibe a inovação, e a ausência de inovação desincentiva o investimento. Nações como Taiwan, Suíça e Singapura demonstram que o topo do ranking não é obra do acaso, mas de décadas de escolhas deliberadas sobre o que uma sociedade decide priorizar.

  • O Brasil atingiu sua pior posição em anos no ranking de competitividade global, caindo sete lugares para o 65º entre 70 economias avaliadas.
  • Uma escassez de 75 mil engenheiros bloqueia a participação do país na revolução da inteligência artificial e na economia de alta complexidade.
  • Com apenas 5% do PIB investido em educação — metade do que especialistas consideram necessário —, o país tenta cobrir um oceano com um copo d'água.
  • O agronegócio concentra talentos e investimentos, enquanto a indústria encolhe no PIB há 25 anos, presa em um ciclo de desindustrialização silenciosa.
  • A saída apontada é clara, mas lenta: ampliar investimentos em educação e fortalecer o ensino de matemática como base para a inovação tecnológica.

O Brasil ocupa agora o 65º lugar entre 70 economias no ranking mundial de competitividade — sua pior posição em anos recentes. A queda de sete posições reacendeu um debate sobre os obstáculos estruturais que limitam a produtividade do país.

Segundo o colunista Gilvan Bueno, competitividade envolve três dimensões: ambiente institucional, ambiente econômico e qualidade da infraestrutura. O Brasil perde em todas elas quando o critério é a capacidade de executar projetos, atrair investimentos e encontrar profissionais preparados. O problema mais concreto é a escassez de mão de obra qualificada: dados da CNI apontam um déficit de 75 mil engenheiros, o que impede o país de acompanhar transformações econômicas ligadas à inteligência artificial.

A raiz do problema está na educação. O Brasil investe 5% do PIB na área — cerca de 540 bilhões de reais —, mas essa proporção, adequada para países pequenos, é insuficiente para uma nação com cinco mil municípios. Especialistas indicam que o ideal seria 10% do PIB, e a tendência recente tem sido de redução, não de ampliação.

Há ainda uma distorção de prioridades: o agronegócio, setor dominante na economia brasileira, concentra talentos e salários mais altos, enquanto a indústria perde espaço no PIB há 25 anos. Sem profissionais qualificados, não há inovação; sem inovação, não há incentivo para investir — um círculo vicioso difícil de romper.

A solução defendida é de médio e longo prazo: aumentar os investimentos em educação e fortalecer o ensino de matemática. Os três primeiros colocados no ranking — Taiwan, Suíça e Singapura — construíram essa base ao longo de décadas. O Brasil conhece o caminho. O que ainda está em aberto é a disposição de percorrê-lo.

O Brasil caiu sete posições no ranking mundial de competitividade e agora ocupa o 65º lugar entre 70 economias avaliadas — sua pior colocação em anos recentes. A queda reabriu uma conversa incômoda sobre os obstáculos estruturais que travam o crescimento da produtividade do país.

Gilvan Bueno, colunista do CNN Money, oferece uma leitura clara do que está acontecendo. Quando se avalia competitividade, explica, estão em jogo três dimensões: como funciona o ambiente institucional, como está o ambiente econômico, e qual é a qualidade da infraestrutura estrutural. A pesquisa examinou a capacidade de cada país de executar projetos, atrair investimentos, encontrar profissionais preparados para fazer o trabalho, e manter um sistema regulatório que seja transparente e previsível. O Brasil, nessa conta, está ficando para trás.

O problema mais visível é a falta de gente qualificada. Dados da CNI mostram que o Brasil enfrenta uma escassez de 75 mil engenheiros. Essa lacuna não é um detalhe administrativo — ela impede o país de participar das transformações econômicas que estão acontecendo agora, especialmente tudo que gira em torno de inteligência artificial. Sem engenheiros, sem inovação. Sem inovação, sem crescimento.

Mas por que faltam engenheiros? Bueno aponta para a educação. O Brasil gasta 5% do PIB em educação — algo em torno de 540 bilhões de reais. Parece muito até você comparar com outros países que também gastam 5% do PIB. Eles são pequenos, com alguns milhares de habitantes. O Brasil tem cinco mil municípios. A proporção não funciona. Pesquisas sugerem que o investimento adequado deveria ser de 10% do PIB. Na prática, o país tem reduzido sua participação nesse patamar, não aumentado.

Há também uma questão de prioridades econômicas. O agronegócio concentra os investimentos — afinal, o Brasil é um gigante produtor de commodities. Isso cria uma distorção: profissões ligadas à agricultura ganham mais, atraem mais talento, enquanto a indústria fica para trás. Nos últimos 25 anos, a indústria perdeu espaço no PIB justamente porque as empresas não conseguem atrair e reter os profissionais que precisam. É um círculo vicioso. Sem mão de obra qualificada, não há inovação. Sem inovação, não há razão para investir.

Para sair dessa armadilha, Bueno defende uma estratégia de médio e longo prazo: aumentar investimentos em educação e, especificamente, fortalecer a formação em matemática. Não é uma solução rápida. Mas é a que funciona. Taiwan, Suíça e Singapura — os três primeiros lugares no ranking — não chegaram lá por acaso. Eles construíram sistemas educacionais robustos e conseguem atrair projetos de alta complexidade porque têm gente preparada para executá-los. O Brasil sabe o que precisa fazer. A questão agora é se vai fazer.

A indústria, nos últimos 25 anos, tem caído e perdido participação no PIB porque a gente tem dificuldade de atrair e reter talentos e investimentos quando falta mão de obra qualificada
— Gilvan Bueno, colunista do CNN Money
Aumentar os investimentos em educação e na formação de profissionais com conhecimento em matemática são os caminhos que farão diferença para melhorar a produtividade e a competitividade do Brasil
— Gilvan Bueno, colunista do CNN Money
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que exatamente a falta de engenheiros compromete tanto a produtividade?

Model

Porque engenheiros são quem transforma ideias em produtos e serviços. Sem eles, você não consegue executar projetos complexos, especialmente os ligados a tecnologia e inovação. É como ter um plano de expansão mas não ter quem construa.

Inventor

E por que o Brasil não consegue formar esses profissionais?

Model

Porque investe pouco em educação em relação ao tamanho do país. Gasta 5% do PIB, mas tem cinco mil municípios para cobrir. Outros países com o mesmo percentual são minúsculos. O ideal seria 10%, mas o Brasil tem reduzido, não aumentado.

Inventor

Qual é o papel do agronegócio nisso tudo?

Model

O agronegócio concentra investimentos e oferece salários melhores, então atrai talento. A indústria fica com o que sobra. Resultado: nos últimos 25 anos, a indústria perdeu participação no PIB porque não consegue competir por profissionais qualificados.

Inventor

Então é um problema de prioridades?

Model

É mais que isso. É uma estrutura que se reforça. Sem mão de obra qualificada, não há inovação. Sem inovação, não há razão para investir em indústria. Enquanto isso, o agronegócio continua concentrando recursos.

Inventor

Como outros países resolveram isso?

Model

Taiwan, Suíça e Singapura investiram pesadamente em educação e conseguiram atrair projetos de alta complexidade. Eles têm gente preparada, então empresas querem estar lá. É um círculo virtuoso, o oposto do que o Brasil enfrenta.

Inventor

E qual é o caminho para o Brasil?

Model

Aumentar investimentos em educação e fortalecer a formação em matemática. Não é rápido, mas é o que funciona. Precisa ser uma estratégia de médio e longo prazo, não uma solução de curto prazo.

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