Vim de uma cidade pequena. Quanto mais alto melhor.
De uma cidade pequena do interior do Paraná onde se dizia que a educação não levaria ninguém longe, um jovem de 18 anos percorreu o caminho inverso: transformou dificuldade em excelência, olimpíadas em passaporte e uma medalha de ouro em bolsa integral no Impa Tech, no Rio de Janeiro. A trajetória de Lourenzo Francisco Balonekr não é apenas uma história de mérito individual — é o retrato de como estruturas bem desenhadas podem abrir portais onde antes havia muros.
- Um estudante que tinha dificuldade com matemática acumulou, ao longo de anos de competição, três medalhas de ouro e uma de prata na maior olimpíada científica do Brasil.
- A bolsa conquistada vai além da matrícula: cobre moradia e alimentação no Rio de Janeiro, tornando real a mudança de vida para quem não teria recursos para bancar a transição.
- Lourenzo parte de um ambiente onde a expectativa coletiva era de que a educação não levaria longe — e é exatamente essa narrativa que sua trajetória desafia.
- Nesta segunda-feira, ele estará entre 684 medalhistas de ouro homenageados na cerimônia nacional da OBMEP, mas já estuda no Impa Tech, onde a matemática é tratada como horizonte, não como limite.
Lourenzo Francisco Balonekr tem 18 anos e vem de Terra Roxa, cidade pequena do interior do Paraná. Nesta segunda-feira, 22 de junho, ele recebe uma medalha de ouro na cerimônia nacional da OBMEP, no Rio de Janeiro — símbolo visível de uma transformação que começou muito antes e vai muito além de um pódio.
A história não nasceu de um talento imediato. Quando Lourenzo começou a participar da olimpíada, ainda no 6º ano do ensino fundamental, ele tinha dificuldade com matemática. O contato contínuo com os desafios da competição foi moldando sua relação com a disciplina, problema a problema, ano a ano. Ao longo desse percurso, acumulou três medalhas de ouro e uma de prata.
O prêmio mais concreto veio com a última conquista: uma bolsa integral no Impa Tech, o programa de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, que cobre não só a matrícula, mas também moradia e alimentação no Rio de Janeiro. Para um jovem de uma cidade pequena, isso significou a possibilidade real de sair de casa e estudar em um dos centros mais respeitados do país na área.
"Vim de uma cidade pequena e ouvimos muito por lá que a educação não nos levará longe", disse ele. "Não sei ainda aonde quero chegar. Quanto mais alto melhor." A frase carrega tanto o peso do contexto de onde veio quanto a determinação de quem já decidiu não ser limitado por ele.
A trajetória de Lourenzo ilustra o que uma olimpíada bem estruturada pode fazer: não apenas identificar talentos, mas criar as condições para que eles se desenvolvam e acessem educação de qualidade — transformando mobilidade social em algo concreto, não apenas aspiracional.
Lourenzo Francisco Balonekr tem 18 anos e vem de Terra Roxa, uma cidade pequena no interior do Paraná. Nesta segunda-feira, 22 de junho, ele estará no Rio de Janeiro para receber uma medalha de ouro na cerimônia nacional da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas — a OBMEP. Ele será um entre 684 medalhistas de ouro homenageados naquele dia. Mas a medalha é apenas o símbolo visível de algo muito maior que aconteceu em sua vida: uma transformação que o levou de uma cidade onde dizem que educação não leva longe até uma das instituições mais respeitadas do país na área de matemática.
Lourenzo agora estuda no Impa Tech, o programa de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada. Ele conseguiu uma bolsa que não apenas cobre a matrícula — ela financia sua moradia e alimentação no Rio de Janeiro. Isso significa que um adolescente de uma pequena cidade do Paraná conseguiu sair de casa e estudar em um lugar que exige recursos que sua família talvez não tivesse. A bolsa foi o prêmio concreto por seu desempenho na olimpíada.
Mas essa história não começou com uma medalha de ouro. Lourenzo participa da OBMEP desde o 6º ano do ensino fundamental. Ao longo desses anos, ele acumulou três medalhas de ouro e uma de prata. A medalha que receberá agora reconhece seu desempenho no ano passado, quando ainda estava no terceiro ano do ensino médio. O que é notável é que, antes de começar a participar da olimpíada, ele tinha dificuldade com matemática. Não era um gênio inato. Era um estudante que lutava com a disciplina.
O contato contínuo com os desafios da OBMEP mudou sua relação com a matemática. Cada problema proposto, cada competição, cada tentativa de resolver questões cada vez mais complexas — tudo isso o impulsionou para frente. A dificuldade inicial se transformou em excelência. Ele mesmo reconhece isso: "Vim de uma cidade pequena e ouvimos muito por lá que a educação não nos levará longe. Não sei ainda aonde quero chegar. Quanto mais alto melhor. Devo seguir a área de exatas, da matemática."
Essa frase diz muito sobre o que ele viveu. Há uma consciência clara de que vinha de um lugar onde as expectativas eram baixas. Há também uma determinação de ir além. E há uma escolha — ele quer seguir em matemática, quer continuar nessa área que o desafiou e o transformou. A OBMEP, que é considerada a maior olimpíada científica do país, funcionou como um portal. Não apenas identificou seu talento, mas criou as condições para que ele pudesse desenvolvê-lo e depois acessar uma educação de qualidade superior.
O que torna essa trajetória significativa é que ela não é excepcional apenas por ser uma história de sucesso individual. Ela exemplifica como um programa bem estruturado — uma olimpíada que alcança escolas públicas em todo o país, que oferece desafios progressivos, que reconhece e premia o desempenho — consegue criar mobilidade social real. Lourenzo não apenas ganhou uma bolsa. Ele ganhou a possibilidade de se reinventar, de sair de um contexto onde a educação era vista como limitada e entrar em um espaço onde ela é vista como infinita.
Citações Notáveis
Vim de uma cidade pequena e ouvimos muito por lá que a educação não nos levará longe. Não sei ainda aonde quero chegar. Quanto mais alto melhor. Devo seguir a área de exatas, da matemática.— Lourenzo Francisco Balonekr
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como é que um estudante que tinha dificuldade com matemática acaba conquistando três medalhas de ouro na mesma olimpíada?
Acho que a resposta está em como a OBMEP funciona. Não é uma competição única. Ele participou desde o 6º ano. Cada ano, novos problemas, novos desafios. Você não ganha uma medalha e pronto — você volta no ano seguinte e precisa ser melhor. Isso cria uma progressão. E quando você volta repetidas vezes, a disciplina deixa de ser algo que você não entende e vira algo que você domina.
Mas por que a bolsa é tão importante nessa história? Ele poderia ter estudado matemática em qualquer lugar.
Não, não poderia. Ele é de Terra Roxa. O Impa fica no Rio de Janeiro. Sem a bolsa que cobre moradia e alimentação, ele teria que escolher entre ficar em casa ou encontrar uma forma de se sustentar enquanto estuda. A bolsa remove esse obstáculo. Permite que ele se concentre apenas em aprender.
Ele disse que na cidade dele ouvem que educação não leva longe. Você acha que isso é verdade?
Não é verdade, mas é uma crença real. Em cidades pequenas, especialmente longe dos grandes centros, há menos exemplos visíveis de pessoas que saíram pela educação. Menos oportunidades de acesso a educação de qualidade. Então a crença se perpetua. Lourenzo quebrou isso. Ele é agora um exemplo vivo de que educação leva sim para longe.
E agora? Ele vai ficar em matemática?
Ele disse que quer seguir em exatas, em matemática. Mas ele também disse que não sabe ainda aonde quer chegar. Há uma abertura aí. Ele conquistou acesso a um espaço onde pode explorar, onde pode aprender com os melhores. O que ele fizer com isso agora é a próxima parte da história.