A Rússia não está vencendo e está perdendo muitas pessoas
À margem do G7 em Evian, Volodymyr Zelensky tece uma teia diplomática que atravessa continentes: busca o apoio de Lula para ampliar o cerco ao Kremlin, tenta reposicionar Washington como aliado explícito de Kiev e observa a Europa endurecer sanções energéticas contra Moscou. É o retrato de uma guerra que já não se decide apenas nos campos de batalha, mas nas salas onde líderes pesam interesses, lealdades e o peso moral de suas escolhas. O desfecho permanece aberto — como costuma ser quando a história ainda está sendo escrita.
- Zelensky chega a Evian com urgência: a guerra entra em fase crítica e cada conversa diplomática pode definir se haverá negociação ou escalada.
- O pedido de reunião bilateral com Lula revela a estratégia ucraniana de romper o silêncio do Sul Global e pressionar Putin por múltiplas frentes ao mesmo tempo.
- Trump ouviu Zelensky após quatro meses de espera, mas Macron descreveu a conversa como 'difícil' — sinal de que Washington ainda não assumiu o papel de mediador pró-Ucrânia que Kiev deseja.
- O G7 avança em terreno mais firme: um novo pacote de sanções europeias mirará navios-tanque de GNL russos, apertando o cerco econômico ao Kremlin.
- A pergunta que paira sobre Evian é a mesma que paira sobre a guerra: pressão diplomática se converterá em ação concreta, ou ficará suspensa entre promessas e hesitações?
Volodymyr Zelensky chegou a Evian com um objetivo preciso: transformar a cúpula do G7 em plataforma de pressão contra Vladimir Putin. Entre os movimentos mais simbólicos, solicitou um encontro bilateral com Lula da Silva, previsto para quarta-feira. A reunião representaria uma tentativa de ampliar o cerco diplomático ao Kremlin, convencendo não apenas aliados europeus, mas também membros do Brics, a exigir que Putin negocie nos termos defendidos por Kiev.
O governo brasileiro sinalizou abertura. O chanceler Mauro Vieira já havia se reunido com o chefe da diplomacia ucraniana na véspera — movimento interpretado como preparação para conversas de maior envergadura. A diplomacia brasileira, historicamente equilibrada entre potências, enfrenta agora pressão crescente para se posicionar com mais clareza diante do conflito.
Mas o alvo central de Zelensky permanece sendo Washington. Ele desembarcou em Evian esperando convencer Trump a manter o financiamento da defesa ucraniana e, mais ambiciosamente, a sediar negociações em solo americano. O encontro com Trump ocorreu após quatro meses de tentativas — e Macron, captado por microfone aberto, descreveu a conversa como 'difícil'. Trump reconheceu publicamente que Moscou está enfraquecida e defendeu concessões russas, mas nada indica pressão real da Casa Branca no sentido que Kiev deseja.
Zelensky argumentou que a Rússia não vence no campo de batalha e sofre perdas militares significativas, tentando reposicionar os EUA não como mensageiro neutro, mas como mediador explicitamente favorável à Ucrânia. Enquanto isso, o G7 avançou em terreno mais concreto: a União Europeia prepara seu 21º pacote de sanções, com restrições à venda de navios-tanque de GNL para a Rússia.
O que emerge de Evian é uma diplomacia em movimento, mas de resultados incertos. Zelensky colocou a Ucrânia no centro das conversas globais e obteve compromissos de sanções mais duras. A questão fundamental — se Trump manterá o financiamento e se Putin será efetivamente pressionado — ainda aguarda resposta.
Volodymyr Zelensky chegou a Evian com um objetivo claro: transformar a cúpula do G7 em uma plataforma de pressão contra Vladimir Putin. O presidente ucraniano solicitou um encontro bilateral com Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para a quarta-feira, nas margens do encontro. A reunião, se confirmada, representa uma tentativa de ampliar o cerco diplomático ao Kremlin, buscando convencer tanto aliados europeus quanto membros do Brics a exigir que Putin negocie nos termos que Kiev defende.
O governo brasileiro sinalizou abertura para o encontro, especialmente num momento em que a guerra entra em uma fase particularmente crítica. O chanceler Mauro Vieira já havia se reunido com o chefe da diplomacia ucraniana na terça-feira, um movimento que pode indicar preparação para conversas de maior envergadura entre os dois presidentes. A diplomacia brasileira, historicamente equilibrada entre potências globais, agora enfrenta pressão para se posicionar de forma mais clara diante do conflito.
Mas o verdadeiro alvo de Zelensky permanece sendo Washington. Ele desembarcou em Evian com o apoio da Europa, mas com a esperança de convencer Donald Trump a manter o financiamento da defesa ucraniana e, mais ambiciosamente, de sediar negociações que reunissem russos e ucranianos em solo americano. O encontro entre Trump e os ucranianos ocorreu nesta semana, após quatro meses de tentativas de Zelensky. Emmanuel Macron, captado por um microfone aberto durante a cúpula, descreveu a conversa como "difícil" — uma avaliação que sugere tensões não resolvidas.
Em suas declarações públicas, Trump defendeu que Putin faça concessões para chegar a um acordo e reconheceu que Moscou se encontra em uma posição enfraquecida. Zelensky, por sua vez, argumentou que a Rússia não está vencendo no campo de batalha e que sofre perdas significativas de pessoal militar. Ele tentou reposicionar o papel americano: não como mensageiro neutro entre os dois lados, mas como mediador que apoie explicitamente os interesses ucranianos. "A Rússia não está vencendo e está perdendo muitas pessoas; portanto, precisa chegar a um acordo o mais rápido possível. Eles não têm a iniciativa em suas mãos", afirmou o presidente ucraniano.
O que Trump fará com essas informações permanece em aberto. Suas palavras sugerem simpatia pela posição ucraniana, mas nada indica, neste momento, que a Casa Branca exercerá pressão real sobre Moscou no sentido que Zelensky deseja. Os líderes do G7, porém, chegaram a um consenso mais concreto: intensificar as sanções contra o setor energético russo. A União Europeia já prepara seu 21º pacote de sanções, que incluirá restrições à venda de navios-tanque de gás natural liquefeito para a Rússia — uma medida que visa apertar ainda mais o cerco econômico ao Kremlin.
O que emerge desses encontros é um quadro de diplomacia em movimento, mas com resultados incertos. Zelensky conseguiu colocar a Ucrânia no centro das conversas globais e obteve compromissos de sanções mais duras. Mas a questão fundamental — se Trump manterá o financiamento americano e se Putin será efetivamente pressionado a negociar — permanece sem resposta. Os próximos dias dirão se a reunião com Lula e as conversas em Evian conseguem transformar pressão diplomática em ação concreta.
Citas Notables
A Rússia não está vencendo e está perdendo muitas pessoas; portanto, precisa chegar a um acordo o mais rápido possível. Eles não têm a iniciativa em suas mãos.— Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia
A reunião entre Trump e os ucranianos foi difícil.— Emmanuel Macron, presidente da França (captado por microfone aberto)
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Zelensky está buscando especificamente Lula neste momento, e não apenas os europeus que já o apoiam?
Porque o Brasil é membro do Brics e tem influência em mercados emergentes que a Rússia tenta cultivar. Se Lula se posicionar contra Putin, envia um sinal para toda uma região que ainda não se comprometeu claramente.
Trump disse que Putin está enfraquecido, mas isso significa que ele vai pressionar o Kremlin?
Não necessariamente. Reconhecer fraqueza é diferente de agir sobre ela. Trump pode estar apenas validando o que Zelensky diz sem estar disposto a gastar capital político americano para forçar negociações.
O que muda com as novas sanções ao setor energético?
Aperta o cerco econômico, mas a Rússia já se adaptou a sanções anteriores. O real impacto depende de quanto tempo leva para fazer diferença e se outros países, como a Índia, continuam comprando petróleo russo.
Macron chamou a reunião de "difícil". O que isso significa?
Provavelmente que Trump não fez promessas claras sobre financiamento contínuo, ou que pediu concessões ucranianas que Zelensky não quer fazer. Diplomatas usam "difícil" quando há desacordo real.
Se Lula disser sim ao encontro, qual é o resultado esperado?
Um comunicado conjunto apoiando negociações nos termos ucranianos e talvez um compromisso brasileiro de não bloquear sanções internacionais. Mas Lula provavelmente não fará mais do que isso — o Brasil quer manter espaço para negociar com ambos os lados.