De guru de dieta a produtora: brasileira cria reality sobre casas contêiner nos EUA

Silu superou câncer de mama e dificuldades financeiras severas durante sua trajetória profissional.
Liberdade tem tanto valor quanto dinheiro
Silu reflete sobre o que aprendeu ao construir sua vida nos EUA, do zero até a produção de seu próprio reality.

Há histórias que começam com vinte dólares e terminam com uma câmera apontada para o futuro. Silu Scheffer, catarinense de 45 anos, percorreu um caminho que passou por faxina em Miami, receitas fitness em redes hispânicas americanas e a superação de um câncer de mama, até chegar à produção de um reality imobiliário sobre casas de contêiner em Palm Island. Sua trajetória é um retrato contemporâneo de reinvenção — a de quem aprendeu que liberdade e dinheiro, quando conquistados juntos, podem ser a mesma coisa.

  • Silu chegou aos Estados Unidos sem recursos e sem plano fixo, trabalhando como faxineira antes de ser descoberta quase por acidente para a televisão hispânica.
  • A carreira de guru fitness em redes como Telemundo e Univision foi construída ao vivo, sem testes formais, com pão de queijo e determinação como ferramentas principais.
  • Um câncer de mama e uma reinvenção conjugal — casamento com um homem 17 anos mais jovem — redefiniram suas prioridades e abriram caminho para o mercado imobiliário via Airbnb.
  • Agora grávida do primeiro filho, ela estreia como produtora com o reality 'Angra Beach House', unindo experiência televisiva e conhecimento imobiliário em um único projeto.
  • Sua filosofia de vida — 'no fundo do poço tem uma mola' — resume uma trajetória em que cada queda funcionou como ponto de partida para uma ascensão mais sólida.

Silu Scheffer saiu de Santa Catarina aos dezenove anos, passou pelo Rio de Janeiro, lançou um livro sobre perda de peso que lhe rendeu dinheiro rápido — e depois perdeu tudo. Separada e sem perspectiva, chegou a Miami em 2015 com vinte dólares no bolso e aceitou trabalhar como faxineira na casa de uma atriz cubana, pensando que ficaria apenas dois meses.

Foi a própria atriz quem mudou o rumo da história. Ensinou-lhe espanhol, apresentou-a a contatos na televisão, e Silu foi parar diante das câmeras de um programa matinal — ao vivo, sem testes, preparando receitas fitness para o público hispânico. O pão de queijo fitness funcionou. O contrato veio. Ela passou por Telemundo, Univision e MegaTV, construindo uma carreira sólida como referência em dieta e bem-estar.

Aos 45 anos, o cenário é outro. Ela sobreviveu a um câncer de mama, casou-se com um homem dezessete anos mais jovem que a incentivou a entrar no mercado imobiliário, e o casal passou a investir em imóveis alugados pelo Airbnb — uma renda consistente que ela nunca havia imaginado possível. Em palestras, ela repete que não importa ser rico, mas ser livre.

Agora grávida do primeiro filho, Silu estreia como produtora com o reality 'Angra Beach House', sobre a construção de casas de contêiner em Palm Island. É a síntese natural de tudo que viveu: a câmera, a audiência, o mercado imobiliário — e a convicção de que no fundo do poço sempre há uma mola.

Silu Scheffer chegou a Miami com vinte dólares no bolso e a determinação de não voltar para o Brasil. Era 2015, e ela havia saído de Santa Catarina aos dezenove anos em busca de oportunidade, passado pelo Rio de Janeiro, lançado um livro sobre perda de peso que lhe rendeu dinheiro rápido — e depois perdido tudo. Separada, quebrada, sem perspectiva, ela aceitou trabalhar como faxineira na casa de uma atriz cubana, pensando que ficaria apenas dois meses na Flórida.

Mas a atriz cubana viu algo nela. Ensinou-lhe espanhol. Apresentou-a à esposa, que trabalhava em televisão. E assim começou a segunda vida de Silu, desta vez em frente às câmeras. Não foi um teste formal — foi ao vivo, sem garantias. Um quadro matinal em um programa da American TV, onde ela preparava receitas fitness e a apresentadora provava na hora. Silu trouxe a culinária brasileira para a tela: pão de queijo fitness, técnicas que funcionavam. O público respondeu. O contrato veio. Ela permaneceu, passando por Telemundo, Univision e MegaTV, construindo uma carreira como guru de dieta e bem-estar em redes hispânicas americanas.

Aos quarenta e cinco anos, Silu está em um lugar completamente diferente. Grávida do primeiro filho, casada com um homem dezessete anos mais jovem que se tornou seu maior incentivador, ela sobreviveu ao câncer de mama e agora olha para trás vendo não apenas uma carreira televisiva, mas um império imobiliário. Começou quase por acaso, quando seu marido a introduziu ao mercado de propriedades. Ela não havia pensado nisso como negócio — no Brasil, aquele mundo lhe parecia distante. Mas nos Estados Unidos, o mercado era profissional, competitivo, acessível. O casal começou a investir em imóveis e alugá-los pela plataforma Airbnb. O dinheiro começou a entrar na conta bancária de forma consistente.

Agora ela dá o primeiro passo como produtora. O projeto chama-se Angra Beach House, um reality sobre a construção de casas feitas a partir de contêineres, gravado em uma ilha paradisíaca em Palm Island. É a fusão natural de tudo que ela aprendeu: a experiência de estar diante das câmeras, de contar histórias, de cativar audiência — combinada com o conhecimento prático do mercado imobiliário que a enriqueceu.

Quando fala sobre sua trajetória, Silu usa uma metáfora simples: "No fundo do poço tem uma mola". Ela não minimiza o que viveu. Fala sobre a separação, sobre estar "quebrada", sobre ter "entrado com a bunda" enquanto seu ex-marido saía pela porta. Mas também fala sobre a liberdade que conquistou — não apenas a liberdade financeira, mas a liberdade de escolher. Em palestras sobre Airbnb, ela repete uma frase que parece ser o norte de sua vida agora: não importa se você é rico, importa o quanto você é livre. Para ela, liberdade tem o mesmo valor que dinheiro. Aos quarenta e cinco anos, grávida, produzindo televisão, investindo em imóveis, ela parece ter encontrado ambas.

No fundo do poço tem uma mola
— Silu Scheffer, sobre sua trajetória
Não importa se você é rico, e sim o quanto você é livre
— Silu Scheffer, em palestras sobre Airbnb
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como você explica essa transição de apresentadora de TV para produtora de reality imobiliário? Parece um salto grande.

Model

Não foi um salto, foi uma evolução natural. Eu estava na TV falando sobre saúde, sobre transformação. Depois comecei a investir em imóveis e vi que era a mesma coisa — você transforma um espaço, cria valor, muda a vida de alguém. A câmera já era minha ferramenta. Agora eu só a usei de forma diferente.

Inventor

Você menciona muito a palavra liberdade. O que significa liberdade para você, especificamente?

Model

Significa não depender de um emprego. Significa acordar e decidir o que fazer com seu dia. Quando cheguei a Miami com vinte dólares, eu não tinha liberdade — eu tinha medo. Agora tenho propriedades gerando renda, tenho um programa sendo gravado, tenho um filho a caminho. Liberdade é saber que você pode respirar.

Inventor

Você passou por câncer de mama. Como isso mudou sua perspectiva sobre o trabalho?

Model

Muda tudo. Você fica mais focada no que realmente importa. Não é sobre acumular. É sobre criar algo que dure, que deixe um legado. Por isso o reality não é só sobre casas bonitas — é sobre mostrar que é possível construir uma vida diferente.

Inventor

E seu marido, que é dezessete anos mais jovem — ele foi fundamental nessa jornada?

Model

Completamente. Ele acreditou em mim quando eu não acreditava em mim mesma. Ele me apresentou ao mercado imobiliário, me incentivou a arriscar. Mas eu também trouxe a experiência de TV, a capacidade de contar histórias. Juntos fizemos sentido.

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