DBS: avanço tecnológico revoluciona tratamento de doenças neurológicas em Campos

Pacientes com Parkinson e distúrbios neurológicos em Campos ganham acesso a tratamento menos invasivo que melhora qualidade de vida e reduz dependência medicamentosa.
É como um marcapasso implantado no cérebro, programável de forma personalizada
Neurocirurgião explica a função básica do DBS e como se diferencia de procedimentos cirúrgicos tradicionais.

Em Campos, uma tecnologia que funciona como um marcapasso cerebral programável começa a reconfigurar o horizonte de possibilidades para quem vive com Parkinson e outros distúrbios neurológicos. A estimulação cerebral profunda — DBS — não promete cura, mas oferece algo que a medicina raramente concede: a capacidade de ajustar, reverter e personalizar uma intervenção cirúrgica conforme a vida do paciente evolui. É um raro momento em que a tecnologia se curva diante da complexidade humana, em vez de ignorá-la.

  • Pacientes com Parkinson em Campos enfrentavam até agora um dilema cruel: conviver com sintomas debilitantes ou submeter-se a cirurgias que criam lesões cerebrais permanentes e irreversíveis.
  • O DBS rompe esse impasse ao implantar eletrodos ultrafinos que estimulam regiões cerebrais específicas com impulsos elétricos totalmente ajustáveis — e que podem ser simplesmente desligados se necessário.
  • A aprovação regulatória no Brasil cobre Parkinson, tremor essencial e distonias, mas a epilepsia exige critérios rigorosos e testes específicos antes de qualquer indicação cirúrgica.
  • Muitos pacientes conseguem reduzir doses de medicamentos e recuperar autonomia nas atividades diárias, embora a doença subjacente permaneça presente e ativa.
  • O sucesso do tratamento depende de acompanhamento permanente por equipe multidisciplinar — neurologista, neurocirurgião, psicólogo, psiquiatra e fisioterapeuta — reconhecendo que a doença afeta a pessoa inteira.

Em Campos, pacientes com Parkinson e distúrbios neurológicos passam a contar com um procedimento que o neurocirurgião Fabrício Zacarias, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, descreve como um marcapasso implantado diretamente no cérebro. A estimulação cerebral profunda — DBS — funciona por meio de três componentes: eletrodos finíssimos posicionados no tecido cerebral, um gerador de impulsos elétricos e um cabo extensor que os conecta. Ao contrário de um marcapasso cardíaco convencional, o sistema é totalmente programável: intensidade e frequência dos estímulos podem ser ajustados conforme os sintomas evoluem.

No Brasil, o DBS tem aprovação regulatória para Doença de Parkinson, tremor essencial e distonias. Para epilepsia, as exigências são muito mais restritivas — o paciente precisa ter passado por outro procedimento anteriormente e continuar apresentando sintomas mesmo com medicação otimizada, além de realizar testes específicos de elegibilidade.

Antes do DBS, a cirurgia para distúrbios do movimento envolvia a criação deliberada de lesões em áreas cerebrais responsáveis pelos sintomas — procedimento ainda realizado em casos selecionados, mas permanente e sem possibilidade de ajuste. A grande vantagem do DBS é exatamente o oposto: se algo não funciona como esperado, o dispositivo pode ser desligado e o paciente retorna ao estado anterior. Essa reversibilidade representa uma segurança inédita.

Zacarias é enfático ao estabelecer expectativas realistas: o DBS não cura nenhuma das condições para as quais é indicado. O que ele faz é atenuar significativamente os sintomas — menos tremores, mais controle motor, maior independência. Muitos pacientes conseguem reduzir doses ou quantidade de medicamentos. A doença permanece; seus efeitos, porém, recuam.

O tratamento exige acompanhamento permanente de uma equipe multidisciplinar: neurologista, neurocirurgião, psicólogo, psiquiatra e fisioterapeuta. Para os pacientes de Campos, a disponibilidade dessa tecnologia representa uma porta que antes estava fechada — não uma cura, mas uma ferramenta capaz de transformar o cotidiano enquanto a medicina continua buscando respostas mais definitivas.

Em Campos, pacientes com Parkinson e outros distúrbios neurológicos agora têm acesso a um procedimento que funciona como um marcapasso implantado diretamente no cérebro. A estimulação cerebral profunda, conhecida pela sigla DBS, representa uma mudança significativa na forma como a medicina aborda essas condições crônicas do sistema nervoso central. O neurocirurgião Fabrício Zacarias, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e especialista local no tema, explica que o procedimento envolve a implantação de eletrodos muito finos dentro do cérebro para estimular regiões específicas afetadas pela doença.

O equipamento é relativamente simples em sua concepção: três componentes trabalham juntos. Os eletrodos, fios extremamente finos, são posicionados no tecido cerebral. Um dispositivo gerador produz os impulsos elétricos. Um cabo extensor conecta essas duas partes. Diferentemente de um marcapasso cardíaco, porém, este sistema é totalmente programável e ajustável. A intensidade e frequência dos estímulos podem ser modificados conforme os sintomas do paciente mudam, permitindo uma terapia personalizada que evolui com as necessidades de cada pessoa.

No Brasil, a aprovação regulatória do DBS abrange três indicações principais: a Doença de Parkinson, o tremor essencial e as distonias. Para a epilepsia, as restrições são muito maiores. Zacarias detalha que pacientes com epilepsia precisam ter passado por outro procedimento antes e continuar apresentando sintomas mesmo com medicação otimizada. Além disso, testes específicos são necessários para determinar se a pessoa é candidata ao implante. Essa abordagem cautelosa reflete a complexidade de usar a tecnologia em diferentes contextos neurológicos.

Antes do DBS ganhar aprovação e se tornar disponível, a cirurgia para distúrbios do movimento era muito mais drástica. Os neurocirurgiões criavam lesões propositais em áreas específicas do cérebro responsáveis pelos sintomas. Esse procedimento ainda é realizado em situações selecionadas, particularmente em pacientes com tremor em apenas um lado do corpo ou naqueles que não podem receber um implante de DBS. A diferença fundamental é irreversibilidade: uma lesão cirúrgica é permanente, sem possibilidade de ajuste ou retorno.

A vantagem do DBS reside exatamente nessa flexibilidade. Se algo não funciona como esperado, se o aparelho apresenta problemas ou se os sintomas mudam, o dispositivo pode ser simplesmente desligado, retornando o paciente ao seu estado anterior. Essa reversibilidade oferece uma segurança que procedimentos destrutivos nunca poderiam proporcionar. Zacarias enfatiza que essa capacidade de ajuste contínuo otimiza o tratamento de acordo com a evolução individual de cada paciente.

É importante, porém, estabelecer expectativas realistas. O DBS não cura nenhuma das doenças neurológicas para as quais é indicado. O que ele faz é reduzir significativamente os sintomas. Muitos pacientes conseguem diminuir as doses de medicamentos ou até reduzir a quantidade de fármacos que precisam tomar diariamente. A qualidade de vida melhora de forma mensurável: menos tremores, mais controle motor, maior independência nas atividades cotidianas. Mas a doença continua presente; apenas seus efeitos são atenuados.

O sucesso do tratamento, segundo Zacarias, depende de muito mais do que apenas o procedimento cirúrgico. O acompanhamento após a implantação é absolutamente essencial e deve ser permanente. Uma equipe multidisciplinar precisa estar envolvida: neurologista para monitorar a progressão da doença, neurocirurgião para gerenciar o dispositivo, psicólogo e psiquiatra para lidar com aspectos emocionais e comportamentais, e fisioterapeuta para otimizar a reabilitação motora. Essa abordagem integrada reconhece que doenças neurológicas afetam a pessoa inteira, não apenas uma região do cérebro.

Para os pacientes de Campos diagnosticados com Parkinson ou distúrbios do movimento, a disponibilidade dessa tecnologia representa uma porta que antes estava fechada. Não é uma cura, mas é uma ferramenta poderosa que pode transformar a vida cotidiana, permitindo que pessoas continuem fazendo as coisas que importam enquanto a medicina trabalha para entender melhor essas condições complexas.

Com a estimulação cerebral profunda, podemos controlar a intensidade e frequência dos impulsos elétricos na área onde o eletrodo está implantado, otimizando a terapia de acordo com os sintomas do paciente
— Dr. Fabrício Zacarias, neurocirurgião
Nenhum dos procedimentos cura qualquer dessas doenças, mas reduz significativamente os seus sintomas, ajuda a diminuir doses e quantidade das medicações e melhora a qualidade de vida dos pacientes
— Dr. Fabrício Zacarias
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o DBS é considerado um avanço tão significativo em relação às cirurgias anteriores?

Model

Porque permite controlar e ajustar o tratamento. As cirurgias antigas destruíam tecido cerebral de forma permanente. Com DBS, você implanta eletrodos, programa a estimulação e pode mudar tudo se necessário. Se algo der errado, desliga-se o aparelho e volta ao estado anterior.

Inventor

Então o paciente não é curado, apenas os sintomas melhoram?

Model

Exatamente. Nenhum desses procedimentos cura a doença. Mas reduz significativamente os sintomas, permite que o paciente tome menos medicamentos e recupera qualidade de vida. Para alguém com Parkinson avançado, isso é transformador.

Inventor

Quem pode receber o implante? Existem restrições?

Model

No Brasil, está aprovado para Parkinson, tremor essencial e distonias. Para epilepsia, as restrições são muito maiores. O paciente precisa ter tentado outros tratamentos antes e ainda estar tendo crises mesmo com medicação. Além disso, testes específicos são necessários.

Inventor

Qual é o papel da equipe multidisciplinar após a cirurgia?

Model

Fundamental. O neurologista acompanha a progressão da doença, o neurocirurgião gerencia o dispositivo, psicólogo e psiquiatra lidam com aspectos emocionais, e o fisioterapeuta trabalha a reabilitação motora. Esse acompanhamento é permanente, não termina após a cirurgia.

Inventor

Como o paciente sente a estimulação? É desconfortável?

Model

A fonte não detalha essa experiência. Mas o fato de ser programável e ajustável sugere que a intensidade pode ser calibrada para o conforto de cada pessoa. O objetivo é melhorar os sintomas sem causar novos problemas.

Inventor

Quantos pacientes em Campos já receberam esse tratamento?

Model

A reportagem não fornece números específicos. Apenas destaca que agora existe a possibilidade disponível na cidade, através da expertise do Dr. Zacarias.

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