Consolidando controle sobre quase um quinto de uma empresa que é essencialmente dívida
No encerramento de uma semana de junho, o fundo americano Davidson Kempner reorganizou silenciosamente o seu controlo sobre a Pharol — a empresa que sobreviveu ao naufrágio da PT SGPS — transferindo uma participação de quase 20% entre duas das suas próprias subsidiárias por 10,4 milhões de euros. A operação não movimenta dinheiro para fora do grupo, mas consolida uma aposta construída ao longo de anos em torno de ativos que carregam o peso do colapso do BES. É o gesto de quem não pretende sair, mas sim afirmar que ainda acredita no que resta.
- O Davidson Kempner transferiu internamente 19,55% da Pharol da Burlington Loan Management para a Tavrion PT04, sem qualquer saída de capital para o mercado.
- A participação foi avaliada a apenas 0,05906 euros por ação — um preço que espelha a fragilidade de uma empresa cujo principal ativo são dívidas da Rio Forte com valor nominal de 897 milhões, mas avaliadas em apenas 51,9 milhões.
- A posição foi construída em duas compras distintas: 6,5 milhões ao Novo Banco em 2023 e 3,9 milhões à Oi em 2025, antiga maior acionista da Pharol.
- Ao reorganizar a estrutura em vez de vender, o fundo sinaliza intenção de manter o controlo indireto sobre a empresa, apostando numa eventual recuperação dos ativos herdados da crise do BES/GES.
O Davidson Kempner fechou uma reorganização interna que consolida o seu controlo sobre a Pharol, a empresa que emergiu das cinzas da PT SGPS. A Burlington Loan Management, veículo do fundo americano, transferiu a sua participação de 19,55% para a Tavrion PT04, outra subsidiária do mesmo grupo, numa transação de 10,4 milhões de euros comunicada à CMVM numa sexta-feira de junho. O preço por ação — 0,05906 euros — reflete a avaliação modesta de uma empresa que carrega um legado pesado.
A participação foi construída em dois momentos distintos: em 2023, o fundo adquiriu uma posição ao Novo Banco por 6,5 milhões; em 2025, comprou outra fatia à Oi, a operadora brasileira que chegou a ser a maior acionista da Pharol, por 3,9 milhões. A circulação deste capital entre diferentes investidores ao longo dos anos ilustra a trajetória acidentada da empresa.
O principal ativo da Pharol são instrumentos de dívida da Rio Forte — herança direta do colapso do BES e da holding GES. Com valor nominal de 897 milhões de euros, esses instrumentos estão hoje avaliados em apenas 51,9 milhões, uma diferença que traduz anos de deterioração e incerteza sobre a recuperação do crédito.
Ao mover a participação entre as suas próprias entidades em vez de a liquidar no mercado, o Davidson Kempner envia um sinal claro: não está a sair, está a organizar-se para ficar. Para uma empresa que é essencialmente um repositório de ativos problemáticos, ter um acionista estável com quase um quinto do capital é, por si só, uma forma de apostar que ainda há valor a extrair do que sobrou.
O fundo Davidson Kempner consolidou seu controle sobre a Pharol numa operação interna que movimentou quase dez milhões de euros entre suas próprias entidades. A Burlington Loan Management, um veículo controlado pelo fundo americano, transferiu sua participação de 19,55% na antiga PT SGPS para a Tavrion PT04, outra subsidiária do mesmo grupo, numa transação avaliada em 10,4 milhões de euros.
A movimentação foi comunicada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários numa sexta-feira de junho, consolidando uma estratégia que o Davidson Kempner vinha construindo há alguns anos. A Tavrion, que é integralmente detida pela Burlington, passou a ser o veículo através do qual o fundo exerce seu controle indireto sobre quase um quinto da empresa. O preço pago foi de 0,05906 euros por ação, refletindo uma avaliação modesta para uma participação de tal dimensão.
Esta participação não surgiu do nada. Ela é o resultado de duas aquisições anteriores realizadas em momentos distintos. Em 2023, o Davidson Kempner comprou uma posição ao Novo Banco por 6,5 milhões de euros. Dois anos depois, em 2025, adquiriu outra fatia à Oi, a empresa de telecomunicações brasileira, desta vez por 3,9 milhões. A Oi, aliás, havia sido em tempos a maior acionista da Pharol, o que ilustra como o controle acionista da empresa tem circulado entre investidores ao longo dos anos.
A Pharol é o que restou da PT SGPS depois de uma série de transformações corporativas e crises financeiras. Hoje, seu principal ativo são instrumentos de dívida da Rio Forte, um legado direto do colapso do BES e da sua holding GES. Esses instrumentos têm um valor nominal de 897 milhões de euros, mas a realidade do mercado é bem mais modesta: estão avaliados em apenas 51,9 milhões. A diferença entre o nominal e a avaliação atual reflete a deterioração do crédito e a incerteza sobre a recuperação desses ativos.
O que torna esta operação relevante é que ela marca um ponto de estabilidade no controle acionista da Pharol. Ao transferir a participação entre suas próprias entidades, o Davidson Kempner não está vendendo nem comprando no mercado aberto, mas reorganizando sua estrutura de controle. Isto sugere uma intenção de manter e consolidar a posição, em vez de a liquidar. Para uma empresa que é essencialmente um veículo de ativos problemáticos herdados de uma crise bancária, ter um acionista estável com quase 20% é um sinal de que alguém acredita que ainda há valor a extrair daquilo que resta.
Notable Quotes
A Tavrion é detida a 100% pela Burlington, uma sociedade afiliada e aconselhada pelo fundo Davidson Kempner European Partners— Comunicado da Pharol à CMVM
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que um fundo como o Davidson Kempner se interessaria por uma participação numa empresa que é basicamente um contentor de dívida problemática?
Porque há valor em esperar. Esses instrumentos de dívida da Rio Forte estão avaliados em 51,9 milhões, mas o valor nominal é de 897 milhões. Se conseguirem recuperar uma fração significativa desse valor nominal, o retorno é enorme.
Mas isso não é especulação pura? Apostar que a Rio Forte vai conseguir pagar?
É especulação informada. O Davidson Kempner é um fundo sofisticado que comprou posições ao Novo Banco e à Oi. Não são investimentos aleatórios. Eles acreditam que conseguem extrair valor daquilo que outros deixaram para trás.
A transferência entre subsidiárias — por que fazer isso agora, em vez de deixar tudo como estava?
Provavelmente por razões de estrutura corporativa e eficiência fiscal. Consolidar a participação numa única entidade torna mais fácil gerir o investimento e tomar decisões sobre o futuro.
E se a Rio Forte nunca conseguir pagar? Qual é o plano B?
Ninguém sabe. Mas o facto de o Davidson Kempner estar a consolidar a posição em vez de a vender sugere que ainda veem caminho. Caso contrário, teriam liquidado quando tiveram a oportunidade.