Belém entra no mapa global da inteligência artificial
Na antiga usina termoelétrica de Miramar, em Belém, uma nova era começa a tomar forma: a Elea Data Center transformará o terreno que um dia queimou combustíveis fósseis em um centro de inteligência artificial alimentado por energia renovável. Com investimento inicial de R$ 250 milhões e previsão de operação para 2027, o projeto BEL 1 não é apenas infraestrutura — é um sinal de que a Amazônia começa a ocupar um lugar no mapa digital global. A escolha de Belém revela uma lógica silenciosa: onde há energia abundante e conectividade, o futuro encontra solo fértil.
- A corrida global por capacidade de processamento de IA chega à Amazônia com um investimento de R$ 250 milhões que pode redefinir o papel de Belém na economia digital.
- O prazo é concreto: o BEL 1 deve entrar em operação no segundo semestre de 2027, com 7,5 MW iniciais — mas o projeto foi desenhado para crescer até 100 MW, uma escala que poucos estados do Norte já viram.
- A AXIA Energia, antiga Eletrobras, entra como fornecedora de eletricidade renovável, enquanto investe R$ 1,5 bilhão na modernização de Tucuruí e em 80 km de fibra ótica que sustentarão toda a cadeia regional.
- O projeto carrega o peso simbólico da COP 30 — apresentado como legado da conferência climática que Belém sediará, ele une narrativas de sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico num mesmo endereço.
- O desafio real ainda está por vir: garantir que a infraestrutura chegue no prazo e que a região consiga converter esse investimento em empregos qualificados, empresas de tecnologia e benefícios econômicos duradouros.
Belém está prestes a ganhar um novo tipo de usina. No terreno da antiga termoelétrica de Miramar, na avenida Arthur Bernardes, a Elea Data Center construirá o BEL 1 — um centro de dados neutro, aberto a múltiplos clientes, voltado para aplicações de inteligência artificial. O investimento inicial é de R$ 250 milhões, e a operação está prevista para o segundo semestre de 2027.
O projeto começa com capacidade de 7,5 megawatts, mas foi concebido para crescer: o desenho permite expansão até 100 MW, o que transformaria a instalação em um dos maiores polos de processamento de dados do Norte do país. A Elea cuida da construção e operação; a AXIA Energia — antiga Eletrobras — fornecerá a eletricidade renovável que alimentará os servidores.
A escolha de Belém não é casual. A cidade reúne dois ativos que data centers exigem: energia em abundância e conectividade robusta. A AXIA já investe R$ 1,5 bilhão na modernização da Usina de Tucuruí, incluindo 80 quilômetros de fibra ótica — infraestrutura que beneficiará toda a cadeia regional. O projeto também é apresentado como legado da COP 30, a conferência climática que Belém sediará, costurando desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade numa mesma narrativa.
A transição simbólica é evidente: onde havia uma usina a combustível fóssil, nascerá uma estrutura alimentada por fontes renováveis e dedicada ao processamento de dados. Para a Amazônia, o sinal é mais amplo — a região começa a atrair investimentos em infraestrutura digital de ponta, e não apenas em extração de recursos naturais. O desafio agora é garantir que o prazo se cumpra e que os benefícios econômicos dessa aposta se distribuam pela região.
Belém está prestes a receber uma infraestrutura de processamento de dados que a posiciona no mapa global da inteligência artificial. A Elea Data Center vai instalar um centro de dados neutro — aberto a múltiplos clientes — no terreno da antiga usina termoelétrica de Miramar, na avenida Arthur Bernardes, com investimento inicial de R$ 250 milhões.
O projeto, batizado BEL 1, começará com capacidade de 7,5 megawatts e deve entrar em operação no segundo semestre de 2027. O desenho permite expansão futura até 100 megawatts, transformando a instalação em um ativo de escala regional. A Elea ficará responsável pela construção e operação do empreendimento, enquanto a AXIA Energia — a antiga Eletrobras — fornecerá a eletricidade renovável que alimentará as máquinas.
A escolha de Belém não é acidental. A cidade oferece dois ativos críticos para data centers: energia abundante e conectividade robusta. Esses fatores pesaram na decisão da Elea, que enxerga na capital paraense um ponto estratégico para processamento de aplicações de inteligência artificial. O projeto também carrega uma dimensão simbólica — é apresentado como legado da COP 30, a conferência climática que Belém sediará em 2025, reforçando a narrativa de desenvolvimento tecnológico alinhado com sustentabilidade.
O data center representa mais que um edifício com servidores. É um sinal de que a Amazônia começa a atrair investimentos em infraestrutura digital de ponta, não apenas em extração de recursos naturais. A instalação em um terreno que foi usina termoelétrica também marca uma transição simbólica: do passado energético baseado em combustíveis fósseis para um futuro alimentado por fontes renováveis.
Para a região, o impacto potencial é significativo. Data centers geram demanda por energia estável, profissionais especializados e serviços de suporte. Belém já possui vantagens nesse sentido — a AXIA Energia investe R$ 1,5 bilhão na modernização da Usina de Tucuruí até 2029, incluindo 80 quilômetros de fibra ótica, infraestrutura que beneficiará não apenas a usina mas toda a cadeia de conectividade regional.
O projeto BEL 1 é apenas o primeiro movimento. Se a expansão para 100 megawatts se concretizar, Belém terá uma das maiores instalações de processamento de dados da região Norte, atraindo empresas de tecnologia, startups de IA e fornecedores de serviços especializados. O desafio agora é garantir que a infraestrutura chegue no prazo previsto e que a região consiga capturar os benefícios econômicos que um investimento dessa magnitude pode gerar.
Citações Notáveis
Belém tem energia abundante e boa conectividade, fatores que pesaram na escolha do investimento— Contexto do projeto BEL 1
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Belém especificamente? Há outras cidades na Amazônia com energia renovável.
Belém tem duas coisas que data centers precisam desesperadamente: energia firme em volume e conectividade já estabelecida. Não é só ter a energia — é ter a infraestrutura de transmissão pronta. A AXIA está investindo pesado em fibra ótica em Tucuruí. Isso não é coincidência.
E o terreno da usina termoelétrica — isso é simbólico ou prático?
Os dois. Praticamente, é um terreno já preparado, com acesso a energia e logística resolvida. Simbolicamente, marca a transição que o Pará precisa fazer: sair de termoelétricas e entrar em economia digital alimentada por renováveis.
Qual é o risco aqui? Um data center é um investimento de longo prazo.
O risco maior é infraestrutura. Se a fibra ótica não chegar no prazo, se houver instabilidade na rede, o projeto perde valor. Belém também precisa de mão de obra especializada — técnicos, engenheiros de dados. Isso não existe em volume ainda.
E a expansão para 100 megawatts — isso é realista?
Depende da demanda. Se empresas de IA realmente começarem a usar o data center, sim. Mas é um salto grande. Primeiro precisa provar que os 7,5 megawatts iniciais funcionam bem e atraem clientes.
Quem vai usar esse data center?
Mineradoras já usam computação pesada. Empresas de IA que querem processar dados na Amazônia. Startups que precisam de infraestrutura barata. O mercado existe — a questão é se Belém consegue competir com São Paulo e outras cidades maiores.
Isso muda alguma coisa para quem vive em Belém?
Muda se gerar empregos qualificados e se a cidade souber capturar esses benefícios. Caso contrário, é só mais um investimento que passa por aqui sem deixar raízes.