Cristovão Tezza vence prêmio Machado de Assis da ABL

Um escritor que, aos 73 anos, continua experimentando novas formas
Tezza recebe o prêmio Machado de Assis após mais de quatro décadas de carreira literária marcada pela inovação.

Aos 73 anos e após mais de quatro décadas de uma obra que sonda as profundezas da vida familiar e da condição humana, o escritor catarinense Cristovão Tezza recebe o prêmio Machado de Assis 2026, a mais alta honraria da Academia Brasileira de Letras. O reconhecimento não chega como surpresa, mas como a confirmação natural de uma trajetória que já havia tocado o cânone contemporâneo com romances como 'O Filho Eterno' e que segue em movimento criativo com seu mais recente 'Visita ao Pai'. Ao ingressar na galeria que abriga Guimarães Rosa e Rachel de Queiroz, Tezza ocupa o lugar reservado àqueles cuja escrita transcende o tempo de sua publicação.

  • O prêmio mais importante da ABL recai sobre um escritor que, durante décadas, construiu sua reputação à margem dos holofotes imediatos, tornando a distinção ainda mais significativa.
  • 'O Filho Eterno', romance sobre a paternidade diante da síndrome de Down, atravessou prêmios, listas canônicas e as telas do cinema — e segue sendo o ponto de entrada de muitos leitores à obra de Tezza.
  • Seu livro mais recente, 'Visita ao Pai', aprofunda a arqueologia familiar ao entrelaçar cadernos do pai com memórias do próprio autor, sinalizando que a voz de Tezza ainda está em plena transformação.
  • A cerimônia de entrega dos cem mil reais está marcada para 23 de julho, mas o verdadeiro peso do prêmio é simbólico: inscrever Tezza entre os nomes que definiram o melhor da prosa brasileira.

Cristovão Tezza, aos 73 anos, é o vencedor do prêmio Machado de Assis 2026, a mais alta honraria da Academia Brasileira de Letras. O reconhecimento celebra mais de quatro décadas de uma ficção marcada pela profundidade psicológica e pela exploração das complexidades da vida familiar e existencial.

O grande ponto de inflexão de sua carreira foi 'O Filho Eterno', lançado em 2007, romance que examina como o nascimento de uma criança com síndrome de Down transforma a vida dos pais. A obra acumulou os prêmios Jabuti, São Paulo, Oceanos e APCA, entrou no ranking da Folha dos melhores livros brasileiros do século e, em 2016, ganhou adaptação cinematográfica dirigida por Paulo Machline. Mas a trajetória de Tezza é mais ampla: romances como 'A Tensão Superficial do Tempo' e 'A Tirania do Amor' revelam um escritor atento às nuances da experiência humana, e já em 2005 a ABL havia premiado seu 'O Fotógrafo', tornando a distinção de 2026 a confirmação de uma consistência de longa data.

Seu livro mais recente, 'Visita ao Pai', lançado pela Companhia das Letras, é simultaneamente biografia, romance e autoficção. Construído a partir de cadernos deixados pelo pai, João Batista Tezza, o volume entrelaça a juventude paterna nos anos 1930 com a própria juventude do autor nos anos 1960 — uma arqueologia familiar que mostra um escritor ainda em diálogo vivo com suas origens.

O prêmio coloca Tezza ao lado de nomes como Érico Verissimo, Guimarães Rosa e Rachel de Queiroz — escritores que definiram a prosa brasileira do século XX. A cerimônia de entrega, no valor de cem mil reais, ocorre em 23 de julho, consolidando uma posição na história literária que sua obra já havia, silenciosamente, conquistado.

Cristovão Tezza, aos 73 anos, recebeu em 2026 o prêmio Machado de Assis, a mais alta honraria concedida pela Academia Brasileira de Letras. O reconhecimento celebra o conjunto de uma carreira que se estende por mais de quatro décadas, durante as quais o escritor catarinense construiu uma obra de ficção marcada pela profundidade psicológica e pela exploração de temas familiares e existenciais.

O nome de Tezza ganhou projeção nacional especialmente com "O Filho Eterno", lançado em 2007 pela editora Record. O romance, que examina como o nascimento de uma criança com síndrome de Down remodela a vida de seus pais, conquistou uma série de prêmios importantes: Jabuti, São Paulo, Oceanos e APCA. A obra também foi incluída no ranking da Folha dos melhores livros de literatura brasileira do século, consolidando seu lugar no cânone contemporâneo. Em 2016, o livro ganhou uma adaptação para o cinema dirigida por Paulo Machline, expandindo seu alcance para além do público leitor.

Mas "O Filho Eterno" não é a única marca de Tezza na literatura brasileira. Seus outros romances, como "A Tensão Superficial do Tempo" e "A Tirania do Amor", publicados pela Todavia, revelam um escritor preocupado com as nuances da experiência humana. Já em 2005, a Academia havia reconhecido seu trabalho ao premiá-lo com o prêmio de ficção por "O Fotógrafo", sinalizando que a distinção de 2026 não era uma surpresa, mas a confirmação de uma trajetória consistente.

Seu livro mais recente, "Visita ao Pai", lançado pela Companhia das Letras, representa uma nova inflexão em sua obra. O volume é simultaneamente biografia, romance e autoficção, construído a partir de cadernos deixados por seu pai, João Batista Tezza. Nele, Tezza intercala narrativas de duas épocas distintas: a juventude de seu pai nos anos 1930 e sua própria juventude na década de 1960. Esse trabalho de arqueologia familiar e literária mostra um escritor ainda em diálogo criativo com suas próprias origens.

O prêmio Machado de Assis situa Tezza em uma linhagem de grandes nomes da literatura brasileira. Nos últimos anos, a Academia premiou autores como Ruy Castro, Roberto da Matta, Silviano Santiago, Adélia Prado e Rubens Ricupero. Mas a galeria de vencedores inclui também figuras históricas como Érico Verissimo, Guimarães Rosa e Rachel de Queiroz, nomes que definiram a prosa brasileira do século XX. Estar entre eles é estar entre os poucos escritores cuja obra foi julgada como representativa do melhor que a literatura brasileira produziu.

A premiação, no valor de cem mil reais, será entregue em cerimônia no dia 23 de julho. Para Tezza, o reconhecimento chega em um momento em que sua obra continua gerando interesse e debate, com novos lançamentos e releituras de seus romances anteriores. A distinção consolida não apenas sua posição na história literária brasileira, mas também reafirma a relevância de uma escrita que, ao longo de décadas, manteve-se fiel à exploração das complexidades da vida familiar e das transformações que marcam a existência humana.

A obra de Tezza explora as complexidades da vida familiar e as transformações que marcam a existência humana
— Reconhecimento da Academia Brasileira de Letras
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que "O Filho Eterno" se tornou tão importante na obra de Tezza? Parece ter sido um ponto de virada.

Model

Sim, porque o livro conseguiu fazer algo raro: transformar uma experiência pessoal e potencialmente privada em algo de ressonância universal. Não é apenas sobre síndrome de Down; é sobre como a paternidade nos desafia, como nos força a repensar quem somos.

Inventor

E os outros livros dele? Parecem menos conhecidos.

Model

Menos conhecidos publicamente, talvez. Mas "O Fotógrafo" já havia conquistado a Academia em 2005. Há uma consistência na obra dele que não depende de um único sucesso. É um escritor que trabalha temas similares — família, tempo, identidade — com variações.

Inventor

"Visita ao Pai" parece diferente. Mistura gêneros.

Model

Exatamente. É como se Tezza estivesse explorando novas formas de contar histórias. Usar os cadernos do pai como material é um gesto de intimidade e de risco. Não é ficção pura, não é memória pura. É algo mais instável, mais honesto talvez.

Inventor

Isso importa para um prêmio como o Machado de Assis?

Model

Importa porque mostra que ele não é um escritor que se repetiu. Aos 73 anos, continua experimentando, continua buscando novas formas. A Academia reconhece não apenas o que ele fez, mas o que ele continua fazendo.

Inventor

E estar ao lado de Guimarães Rosa e Rachel de Queiroz?

Model

É estar em uma conversa que atravessa gerações. Significa que sua obra será lida como parte da história da literatura brasileira, não como um sucesso de época.

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