DF descarta caso suspeito de variante indiana da Covid-19

Permanecerá em quarentena sob vigilância até 4 de junho
Protocolo de monitoramento para paciente com resultado negativo que estava em voo com caso confirmado.

Em meio à vigilância crescente sobre variantes do coronavírus, o Distrito Federal descartou na segunda-feira um caso suspeito da cepa indiana após resultado negativo em teste RT-PCR, embora o paciente — um brasileiro vindo da Índia, assintomático e sem contatos locais — permaneça em quarentena monitorada até 4 de junho. O episódio revela tanto a fragilidade dos sistemas de rastreamento quanto a seriedade com que autoridades tentam conter uma variante já classificada pela OMS como preocupação global. Enquanto o Maranhão confirma seis casos a bordo de um navio estrangeiro e o Ceará investiga outro suspeito, o Brasil se aproxima das 450 mil mortes e aguarda sequenciamentos genéticos que dirão o quanto essa nova ameaça já penetrou em seu território.

  • Um brasileiro vindo da Índia testou negativo para Covid-19 no DF, mas a simples suspeita mobilizou secretarias de saúde, visitas domiciliares e coletivas de imprensa em poucas horas.
  • O paciente estava no mesmo voo que um caso confirmado da variante indiana, criando uma corrida contra o tempo para rastrear contatos e coletar amostras antes de qualquer disseminação.
  • Apesar do resultado negativo, protocolos rígidos mantêm o homem isolado até 4 de junho, com novos testes previstos — sinal de que a incerteza científica ainda governa as decisões.
  • No Maranhão, seis tripulantes de um navio já confirmaram a variante B.1.617.2, com um marinheiro internado em UTI, enquanto 100 pessoas são rastreadas e o estado recebe reforço emergencial de vacinas e testes.
  • O país segue sem diretrizes claras sobre bloqueios sanitários em aeroportos e rodovias, e aguarda sequenciamentos genéticos para saber a real dimensão da presença da cepa em solo brasileiro.

Na noite de segunda-feira, o Distrito Federal descartou um caso suspeito da variante indiana do coronavírus. Um brasileiro residente na Índia chegou a Brasília assintomático, sem contato com outras pessoas desde o desembarque, e obteve resultado negativo no teste RT-PCR poucas horas após a Secretaria de Saúde anunciar que monitorava seu caso. Ainda assim, permanecerá em quarentena domiciliar até 4 de junho, com novos testes previstos para 28 de maio e para o encerramento do isolamento.

O motivo da atenção: o paciente estava no mesmo voo que uma pessoa já confirmada com Covid-19 e suspeita de infecção pela variante. Ambos desembarcaram em Guarulhos, de onde o homem seguiu para a capital federal. A secretaria foi até sua residência, coletou material e realizou consulta clínica completa. O secretário Osnei Okumoto confirmou a ausência de sintomas e o compromisso com o protocolo de vigilância. A notificação ao DF, porém, só chegou na manhã de segunda-feira — dois dias após o voo pousar no Brasil.

O cenário é mais grave em outras regiões. O Maranhão confirmou os primeiros seis casos da variante B.1.617.2 no país, todos tripulantes do navio Mv Shandong Da Zhi. Um marinheiro indiano de 54 anos está internado em UTI desde 14 de maio. O Ministério da Saúde enviou 600 mil testes rápidos e 300 mil doses de vacinas ao estado, que rastreia 100 pessoas — 40 já com resultado negativo.

No Ceará, um homem de 35 anos chegou de voo da Índia em 9 de maio e testou positivo em dois RT-PCR consecutivos, apesar de assintomático. Permanece isolado em hotel desde então, mesmo após resultado negativo em 18 de maio. A Fiocruz realiza vigilância genômica do caso, com resultado esperado para o fim do mês.

A OMS classificou a variante como preocupação global em 10 de maio, citando alta transmissibilidade, e afirma que vacinas como Pfizer e Moderna são eficazes contra ela. O Brasil, que se aproxima das 450 mil mortes por Covid-19, aguarda sequenciamentos genéticos para dimensionar a presença real da cepa em seu território — e ainda não tem diretrizes públicas sobre bloqueios sanitários em aeroportos ou rodovias.

Na noite de segunda-feira, o Distrito Federal descartou um caso suspeito de infecção pela variante indiana do coronavírus. Um homem brasileiro residente na Índia recebeu resultado negativo no teste RT-PCR poucas horas após a Secretaria de Saúde anunciar que monitorava seu caso. Ele havia chegado à capital assintomático e sem contato com outras pessoas desde o desembarque, mas mesmo com o resultado negativo, permanecerá em quarentena sob vigilância até 4 de junho, conforme protocolo estabelecido.

O paciente estava no mesmo voo que saiu da Índia com uma pessoa já confirmada com Covid-19 e suspeita de infecção pela variante. Ambos desembarcaram no Aeroporto de Guarulhos, de onde o homem em questão seguiu para Brasília. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal foi até sua residência, coletou material para análise e realizou consulta clínica completa. O secretário de Saúde, Osnei Okumoto, informou em coletiva que o paciente não apresentava sinais ou sintomas de Covid-19 e permaneceria isolado em casa. Novos testes RT-PCR serão feitos em 28 de maio e 4 de junho, quando o período de quarentena se encerra.

O voo chegou ao Brasil no sábado anterior, mas a Secretaria de Saúde do Distrito Federal só foi notificada na manhã de segunda-feira pelo Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde. Até o momento, não há casos confirmados da variante no Distrito Federal. Questionadas pelo GLOBO, a secretaria estadual e o Ministério da Saúde não informaram se existem diretrizes para bloqueios sanitários no Aeroporto Internacional de Brasília ou em rodovias para conter a disseminação da cepa. O Ministério aguarda a conclusão de sequenciamentos genéticos para identificar se trata-se efetivamente da variante indiana.

O cenário é mais grave em outras regiões do país. O Maranhão confirmou os primeiros seis casos da variante B.1.617.2 em território nacional na quinta-feira anterior. Os infectados eram tripulantes do navio Mv Shandong Da Zhi, ancorado no estado, que viajou da África do Sul a São Luís. Um marinheiro indiano de 54 anos apresentou piora no estado de saúde e foi internado em unidade de terapia intensiva de um hospital privado na capital desde 14 de maio. O Ministério da Saúde enviou 600 mil testes rápidos e 300 mil doses de vacinas para o estado, que rastreia 100 pessoas para evitar disseminação da cepa. Desse total, 40 já apresentaram resultado negativo.

O Ceará também investe em investigação de um possível caso da variante. Um homem de 35 anos chegou a Fortaleza em voo vindo da Índia no dia 9 de maio e testou positivo em dois testes RT-PCR realizados nos dias 10 e 11 de maio, apesar de assintomático. Desde então, permanece isolado em hotel com protocolos de biossegurança, mesmo após testar negativo em 18 de maio. Um colega que fez o translado também foi testado assim que o voo aterrisou e obteve resultado negativo, mas segue isolado e sob investigação. A Secretaria de Saúde do Ceará acompanha análises laboratoriais para rastreio da variante por meio de vigilância genômica realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, com resultado previsto para o fim do mês.

A Organização Mundial da Saúde classificou a variante como uma preocupação global em 10 de maio, em razão da alta transmissibilidade. Segundo a OMS, todas as vacinas que obtiveram registro de uso emergencial são eficazes contra a nova cepa, como Pfizer e Moderna. A CoronaVac, desenvolvida pela Sinovac Biotech com o Instituto Butantan, e a Sputnik V, do Instituto Gamaleya, ainda não foram aprovadas pela organização. Enquanto isso, a Índia enfrenta um colapso sanitário, com aumento do número de casos e mortes, além de escassez de leitos, insumos e medicamentos. O Brasil, que se aproxima das 450 mil mortes por Covid-19, segue monitorando a entrada da variante em seu território.

É um paciente que está muito bem, está sendo monitorado pela nossa equipe e não estará saindo da sua residência
— Osnei Okumoto, secretário de Saúde do Distrito Federal
O Ministério da Saúde aguarda a conclusão de sequenciamentos genéticos para identificar se é a variante da Índia
— Ministério da Saúde
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um resultado negativo não encerra o monitoramento desse paciente?

Model

Porque o vírus pode estar em período de incubação. O teste pode sair negativo no início da infecção e depois virar positivo. Por isso o protocolo exige novos testes — é a forma mais segura de descartar a variante.

Inventor

O homem estava assintomático. Isso significa que ele não tinha o vírus?

Model

Não necessariamente. Pessoas assintomáticas podem estar infectadas e transmitir o vírus para outros. Por isso ele permanece isolado, mesmo com o resultado negativo.

Inventor

Por que o Brasil demorou para ser notificado sobre o voo?

Model

O voo chegou no sábado, mas a notificação só veio na segunda-feira pela manhã. Há um atraso entre a chegada de passageiros e o sistema de vigilância receber a informação. Isso deixa uma janela de tempo onde o vírus pode circular sem detecção.

Inventor

O que diferencia a situação do Maranhão?

Model

Lá já há seis casos confirmados, não apenas suspeitos. E um deles piorou o suficiente para precisar de UTI. Isso mostra que a variante já está circulando no país, não apenas chegando.

Inventor

As vacinas funcionam contra essa variante?

Model

As aprovadas pela OMS funcionam — Pfizer e Moderna. Mas a CoronaVac, que é a principal vacina usada no Brasil, ainda não foi aprovada contra essa cepa. É uma lacuna importante.

Quer a matéria completa? Leia o original em O GLOBO ↗
Fale Conosco FAQ