Uma recalibração das expectativas antes da temporada de balanços
S&P 500 caiu 0,1% e Nasdaq cedeu 0,43%, enquanto Dow Jones ganhou 0,35% em sessão sem tendência definida. Investidores aguardam resultados da Micron Technology para avaliar sustentabilidade da subida do setor de IA, que disparou 300% em 2026.
- S&P 500 caiu 0,1% para 7.358,22 pontos; Nasdaq cedeu 0,43% para 25.476,64 pontos
- Ações da Micron Technology dispararam 300% em 2026
- Hertz mergulhou 41%, recorde de queda na história da empresa
- Brent caiu abaixo de 75 dólares por barril; WTI abaixo de 70 dólares
Wall Street encerrou mista com S&P 500 e Nasdaq em queda, pressionados por ações de semicondutores. Hertz mergulhou 41% após avisar sobre lucros fracos no segundo trimestre.
Wall Street encerrou a sessão de quarta-feira sem direção clara, dividida entre ganhos modestos no setor industrial e perdas crescentes nas tecnológicas. O S&P 500 recuou 0,1% para 7.358,22 pontos, enquanto o Nasdaq Composite cedeu 0,43% para 25.476,64 pontos. O Dow Jones, em contracorrente, avançou 0,35% para 51.848,9 pontos. Por trás dessa indecisão estava a ansiedade dos investidores em relação aos resultados trimestrais da Micron Technology, publicados após o encerramento do mercado, que poderiam oferecer pistas cruciais sobre a sustentabilidade do rali do setor de inteligência artificial.
A Micron disparou quase 300% apenas em 2026, uma subida vertiginosa que agora enfrenta escrutínio renovado. Ken Mahoney, gestor da Mahoney Asset Management, resumiu a incerteza que paira sobre o setor: a empresa apresentará notícias que impulsionem as vendas, ou as projeções otimistas já estão incorporadas nos preços atuais? Mahoney acrescentou que qualquer relatório que não superasse as expectativas elevadas serviria como pretexto para novas vendas generalizadas em tecnologia. As ações da Micron recuaram 0,37% durante a sessão.
O contexto mais amplo sugere que os investidores começam a questionar se as avaliações do setor tecnológico refletem realidades econômicas ou apenas esperança. Rick Gardner, diretor de investimentos da RGA Investments, caracterizou a queda das ações de tecnologia como uma correção saudável, argumentando que muitas dessas empresas estavam sobrevalorizadas. Segundo Gardner, a correção representa uma recalibração das expectativas, já que os investidores percebem que as projeções de lucros para o setor estabeleceram um patamar particularmente elevado — um que se tornará mais difícil de alcançar quando a temporada de balanços recomeçar em julho.
No cenário geopolítico, as tensões no Médio Oriente mostraram sinais de desescalada. Os progressos nas negociações de paz entre os EUA e o Irão fizeram evaporar os ganhos que os preços do petróleo haviam acumulado durante o período de maior conflito. O Brent caiu abaixo de 75 dólares por barril, enquanto o WTI negociou abaixo de 70 dólares. Essa queda aliviou as preocupações dos investidores com a inflação, em um momento particularmente sensível, já que dados importantes da Reserva Federal — o índice de preços das despesas de consumo pessoal — estavam prestes a ser divulgados.
Entre os movimentos corporativos notáveis, a Alphabet caiu 0,3% após dois dos seus principais pesquisadores de inteligência artificial deixarem a empresa para se juntar à Anthropic, um sinal de que o talento no setor de IA continua em movimento. A Advanced Micro Devices recuou cerca de 0,15%, enquanto a Sandisk tombou 6,4%. As ações de empresas de energia — Exxon Mobil, Chevron e ConocoPhillips — caíram mais de 2% cada, pressionadas pela queda nos preços do petróleo.
O movimento mais dramático do dia foi a queda de 41% das ações da Hertz, um recorde em termos de declínio na história da empresa. A empresa de aluguel de carros alertou que os lucros do segundo trimestre se aproximavam dos mínimos de sua previsão anterior, culpando uma fraqueza inesperada no mercado de carros usados. Essa queda abrupta ilustra como as correções de mercado podem ser severas quando as expectativas não são atendidas, mesmo em setores que parecem desconectados das tendências tecnológicas que dominaram as manchetes recentes.
Citações Notáveis
Qualquer relatório que não seja uma expectativa em alta será um pretexto para mais vendas no setor tecnológico— Ken Mahoney, Mahoney Asset Management
A queda nas ações de tecnologia é uma correção saudável, visto que muitas dessas ações estavam sobrevalorizadas— Rick Gardner, RGA Investments
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que exatamente os investidores estão tão preocupados com os resultados da Micron agora, se a empresa já subiu 300% este ano?
Porque quando uma ação sobe tanto, tão rápido, o mercado começa a questionar se o preço reflete a realidade ou apenas otimismo. A Micron é um teste: se disser coisas boas, o mercado pode ter chegado ao topo. Se disser coisas más, cai tudo.
E isso explica por que o Nasdaq caiu enquanto o Dow ganhou?
Exatamente. O Dow é cheio de empresas tradicionais, industriais, menos expostas a essa febre de IA. O Nasdaq é onde vivem as tecnológicas. Quando o setor tech entra em dúvida, o Nasdaq sofre.
Rick Gardner chamou isto de "correção saudável". Isso não é apenas uma forma educada de dizer que as pessoas estão assustadas?
Não, é diferente. Assustado é pânico. Uma correção saudável é quando o mercado percebe que os preços subiram demais em relação aos lucros reais que as empresas vão gerar. É racional, não emocional.
Então a queda do petróleo ajudou ou prejudicou o dia?
Ajudou, mas de forma limitada. Aliviou as preocupações com inflação, o que é bom para o mercado geral. Mas não foi suficiente para compensar a ansiedade sobre tecnologia.
E a Hertz caindo 41%? Isso é relacionado com tudo isto?
Não, é uma história diferente. A Hertz depende do mercado de carros usados, que enfraqueceu. Mas ilustra o mesmo princípio: quando as expectativas não são atendidas, o castigo é severo.
O que vem a seguir?
Tudo depende do que a Micron disser. Se for bom, o mercado respira. Se for fraco, a correção continua.